Entrevista: Nova classe média é a cara do Brasil

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Com renda de cinco a dez salários mínimos, a nova classe media (mais de 100 milhões de consumidores) é o cartão de visitas do mercado, mas o varejista precisa conhecer  os seus  hábitos de compra e vida.

De acordo com sociólogo e pesquisador Fábio Mariano Borges, esse público frequenta  lojas de vizinhança e pesquisa preços antes de comprar. Atendimento de qualidade e gôndolas repletas de produtos, sem provocar poluição visual, também são itens  importantes para crescer. Leia abaixo trechos da entrevista:

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Fabio Mariano (Foto: Anderson Souza)

Cara do Brasil
A nova classe consumidora é a cara do Brasil, do brasileiro com identidade cultural. Ela é o cartão de visita do nosso mercado. Por isso, sempre que procurarmos ter uma ideia do que caracteriza o varejo, o seu cliente, é inevitável considerar esse público, que lidera as compras financiadas, as compras parceladas, e que gosta de atendimento personalizado, na base da empatia, onde um lado cumprimenta o outro, pergunta como está o filho, passa receita do xarope, troca o endereço do pai de santo. Assim, clientes e vendedores tornam-se amigos. É uma afinidade  típica dessa classe.

Gestão profissionalizada
Não existe mais essa antiga realidade comercial  em que o empreendedor começa com uma pequena lojinha no fundo do quintal da sua casa ou na sua garagem e, a partir daí, acaba por se transformar em um negócio bem-sucedido. O estabelecimento ainda pode até começar dessa maneira, mas o sucesso virá pela força do relacionamento,pela graça de atender no fundo do quintal de maneira personalizada, com a entrega e a distribuição bem pensadas, e uma estratégia adequada para encantar os clientes, usando de simpatia, carinho, preços competitivos e um grau de profissionalismo que se manifesta em todas as esferas de atendimento.

Lojas de vizinhança em alta
O sucesso do pequeno varejo está garantido para sempre.  Nada irá exterminá-lo. Podem ocorrer períodos de maiores dificuldades, mas esse modelo de negócio não acabará por causa da concorrência do comércio digital ou de grandes redes. Nos países mais desenvolvidos, você sempre encontra lojas de bairro bem-sucedidas.

Educação financeira
A nova classe média já mostra sinais de amadurecimento no controle de gastos, como  na atenção com as compras com cartão de crédito. Esses consumidores perceberam como os juros são penosos e, partir daí, que houve redução do uso do cartão e de gastos abusivos. Eles vão continuar a usar esse instrumento de pagamento com mais inteligência, por vezes mais moderadamente, evitando o crédito rotativo e grandes dívidas no cartão. Mas em outras esferas o aprendizado ainda está na fase inicial, é simplório, sem sofisticação. Até mesmo porque falamos de um público que, em boa parte, se sente excluído da educação de qualidade e, por isso, precisa de um tempo maior para perceber as artimanhas e as ciladas do consumo.

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