Brasileiro vai gastar 5% menos na Black Friday

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Na Black Friday da crise, a megaliquidação do comércio varejista marcada para o dia 27 deste mês, o brasileiro está cauteloso e mais racional. Pretende gastar menos do que no ano passado e desconfia de grandes porcentuais de descontos.

Apesar disso, a intenção de ir às compras da média da população ainda é elevada, na casa de 70%, conforme revelam duas pesquisas feitas por consultorias diferentes. Isso significa que o varejo vai ter de oferecer boas ofertas e descontos reais para conseguir superar neste ano a receita recorde de R$ 1,082 bilhão obtida na semana do evento em 2014.

“A crise bateu nas expectativas da população em relação à Black Friday”, afirma Valéria Rodrigues, presidente da consultoria Officina Sophia e responsável pela pesquisa feita em parceria com a EC Global.

Foram ouvidos no início deste mês mil pessoas no País para saber o que elas esperam da megaliquidação. A enquete aponta que o gasto médio será menor: R$ 760, ante R$ 800 em 2014.Valéria ressalta que há uma queda nominal de 5% no gasto. Se for considerada a inflação do período, a retração na intenção do desembolso passa de 10%. É um recuo considerável, especialmente no momento em que o varejo faz de tudo para reverter a queda nas vendas acumulada no ano e se livrar dos estoques indesejados.“A Black Friday deste ano será modesta”, diz Gisela Pougy, diretora de Operações e Varejo da consultoria GFK. Ela faz essa previsão com base numa pesquisa realizada pela consultoria no início deste mês com 500 consumidores.

Na enquete, foi perguntado o que o consumidor faria se tivesse R$ 5 mil para gastar na Black Friday. O resultado foi coerente com períodos de vacas magras. A maioria respondeu que pouparia cerca de R$ 2 mil e destinaria o restante a compras.

“Colocamos uma cifra alta exatamente para ver o comportamento do consumidor”, diz Gisela, lembrando que se fosse em outra época, de crescimento econômico, provavelmente a fatia destinada à poupança seria bem menor.

Desconto: Além de estar disposto a gastar menos, o brasileiro ficou mais realista em relação ao desconto. Neste ano, menos da metade dos entrevistados (47%) espera obter abatimento de 70% ou mais no preço da mercadoria, aponta a pesquisa da Officina Sophia. No ano passado, 56% dos entrevistados esperavam descontos nessa faixa. Dois fatores podem estar influenciando a expectativa do consumidor nesse quesito. Um deles é a própria inflação, hoje na casa de 10%, que acaba reduzindo as chances de grandes abatimentos. É que tanto lojistas como fabricantes estão com custos pressionados. O outro fator é a própria imagem da Black Friday que continua arranhada, apesar de todo o esforço de associações de varejistas e órgãos de defesa do consumidor para fazer com que o evento tenha informações transparentes. Em edições anteriores, muitos lojistas criaram descontos fictícios: aumentaram o preço semanas antes da data da megaliquidação para reduzi-lo no dia do evento. Na época, a Black Friday chegou a ser chamada de “Black Fraude”.

Valéria observa que 62% dos entrevistados consideram que as promoções em 2014 foram pouco vantajosas. Segundo ela, esse resultado se deve a problemas ocorridos logo nos primeiros anos do evento – em 2015 a Black Friday está na sexta edição – e também a comparações com descontos da megaliquidação dos Estados Unidos, que de fato são de 70%.Antecipação. A cada ano, a Black Friday está tirando o brilho das vendas de Natal e dos saldões de janeiro. Em 2015 não deve não ser diferente. De acordo com a consultoria GFK, nos meses de novembro, dezembro e janeiro, a participação da megaliquidação no total das vendas nesses período que era de 29% em 2012, subiu para 31% em 2013 e atingiu 34% no ano passado. Em contrapartida, as fatias do Natal e das liquidações de janeiro nas vendas encolheram. Pesquisa da Officina Sophia mostra que, neste ano, 69% dos entrevistados afirmaram que pretendem antecipar as compras de Natal para Black Friday. Segundo Valéria, se a intenção se confirmar, esse movimento pode reduzir ainda mais o faturamento do Natal.

Veja também: 6 dicas para o varejista garantir sucesso na Black Friday

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