Vendedor de varejo é o que mais sofreu na crise: 146,6 mil vagas formais cortadas

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O isolamento social provocado pela pandemia de coronavírus provocou estrago em quase todas as ocupações com carteira assinada no Brasil. A quarentena, entretanto, foi particularmente cruel para os vendedores do varejo.

Pesquisa feita pelo 6 Minutos nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostra que, entre março, quando a crise começou, até maio, último dado disponível, essa ocupação registrou a perda de 146,6 mil postos de trabalho formais.

É mais do que o dobro do fechamento de vagas do segundo colocado nesse ranking, o auxiliar de escritório, profissão que observou o fechamento de 63,7 mil vagas no mesmo período.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ajudam a explicar esse número. Com a quarentena, o volume de vendas do varejo desabou 16,8% em abril, mês de maior impacto econômico da pandemia, na comparação com o mesmo período do ano passado

Foi a pior retração de toda a série histórica, iniciada em 2001, em um movimento generalizado: a queda ocorreu em sete de oito segmentos do comércio pesquisados pelo IBGE, com destaque para tecidos, vestuário e calçados, com retração de impressionantes 75,6% na comparação anual.

Grande empregador

Esse forte impacto sobre os trabalhadores do comércio tem a ver também com o fato de que o setor é um grande empregador.

“Em São Paulo, por exemplo, a maior categoria de trabalhadores são os comerciários. É o setor que gera mais empregos, tanto formais como informais, como os vendedores ambulantes”, explica Clemente Ganz Lúcio, sociólogo e técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Além disso, em geral esses profissionais não precisam ser muito qualificados, o que torna a profissão sujeita a muita rotatividade. “É um contingente de trabalhadores pouco especializados, então não existe uma política de tentar reter aquele trabalhador. Quando precisam contratar, colocam a placa ‘precisa-se’ e pronto”, diz o especialista.

Outras ocupações com uma quantidade crítica de vagas perdidas no período crítico do avanço da infecção no Brasil estão relacionadas ao setor de bares e restaurantes. Os dados do Caged mostram que 49,1 mil atendentes de lanchonete, por exemplo, perderam o emprego com carteira assinada, assim como 44,7 mil cozinheiros.

Retomada lenta

A expectativa de uma retomada rápida quando a crise terminar, infelizmente, não é o cenário mais provável, segundo Helio Zylberstajn, especialista em mercado de trabalho e professor sênior da Faculdade de Economia da USP (Universidade de São Paulo). “A loja que tinha três vendedores e mandou embora dois, ou mesmo os três, vai reabrir e o dono vai ficar sozinho por um tempo. Na medida em que tiver certeza que as vendas vão voltar, aí sim vai contratar”, afirma.

Ele lembra que há mais de 10 milhões de pessoas que tiveram o contrato suspenso ou a jornada de trabalho reduzida. “São os que vão voltar primeiro a trabalhar”, afirma.

Fonte 6 Minutos
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