Todos em busca de uma Amazon Go para chamar de sua

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Por Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP

Nos últimos dias, tem causado enorme curiosidade e boas reverberações no mercado, a inauguração da primeira loja 100% autônoma em São Paulo, operada pela capixaba Zaitt. E, embora seja a primeira da cidade, essa já é a segunda unidade da marca. A primeira, ainda em funcionamento, foi aberta em um já distante dezembro de 2017.

A vinda para São Paulo, potencializada pela parceria conquistada junto ao Carrefour, criou mais do que uma loja conceitual, um novo patamar para as redes que antes pensavam no formato apenas como utopia, através dos modelos que começam a pipocar no exterior, boa parte dele inspirados no modelo criado pela Amazon e sua Amazon Go, sem a necessidade de filas ou caixas, batizando a experiência como “Just Walk Out”, onde basta apenas entrar na loja pegar o que quiser e sair.

Quem esteve acompanhando conosco a última NRF em Nova York, pôde verificar que a automatização ou automação dos processos vem com força total neste ano, e que havia, somente na Expo pelo menos cinco ou seis empresas com propostas robustas para a automatização completa da experiência de compra, além das dezenas de empresas que ofereciam de forma parcial, alguma otimização do processo de compra, seja pelo reconhecimento facial, pagamentos via aplicações móveis, entre outros que acabam compondo esse tipo de solução. Havia inclusive, uma loja completa montada e em demonstração, batizada de Nanostore, com esse conceito.

E se nos EUA a Amazon Go está revolucionando o mercado, a China também conta com suas BingoBox, com uma previsão de até cinco mil lojas nos próximos anos.

Mas nem somente de caixas fechadas ou pequenos espaços são feitas as lojas automatizadas. Um bom exemplo disso foi a nova loja da Nike vista durante a última NRF, a Nike House of Innovation, onde embora ainda tenha funcionários, permite uma compra 100% via app, onde algumas categorias de produtos, como as roupas por exemplo, podem fazer parte de uma experiência de compra sem qualquer comunicação com equipes de vendas ou atendimento, dispensando até mesmo o serviço de checkout. Além disso, pequenos móveis espalhados pelos corredores servem para pegar sacolas de compras e dispensar cabides. Simples assim.

E se EUA e China já parecem estar alguns passos à frente na criação de lojas autônomas, muito mais em uma fase de rollout e multiplicação dos formatos, por aqui ainda estamos na fase de implantação dos conceitos, das quebras de paradigmas, ou ainda, na fase de apostas.

Na fase que estamos, o varejo ainda se vê apostando alto em busca de liderar cada vez mais a inovação e a transformação de seus modelos de negócios. E uma das maiores barreiras a serem quebradas está nas questões de lucratividade e modelos de negócio que se mostrem interessantes ao longo do tempo.

O custo de novas tecnologias, considerando tanto os custos de implantação, quanto os custos operacionais ainda hoje são os grandes inimigos de muitas iniciativas de mercado.

E nem sempre a consolidação ou até mesmo o rollout de um novo formato consegue quebrar essa barreira no momento inicial. Será exatamente a capacidade de se adaptar ou de serem criados modelos que se mostrem mais simples ou lucrativos que vão dar a escala que o mercado busca e precisa.

Nessa batalha, quem irá ganhar será o consumidor, com modelos cada vez mais convenientes e rápidos de atendimento.

Fonte Mercado & Consumo
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