Sustentabilidade: um investimento importante para o varejo

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*Por André Faria

 

Um tema que ganha cada vez mais tração desde 2018 é o consumo com propósito. Cada vez mais os consumidores escolhem comprar de marcas que estão de acordo com seus valores e ideologias, como, por exemplo, proteção do meio ambiente, direitos humanos, igualdade de gênero, diminuição das desigualdades, etc.

E isso é reforçado por uma pesquisa realizada pela Forrester, que mostra que 71% dos consumidores preferem comprar de marcas que se alinham com seus valores. Ou seja, está cada vez mais importante para as empresas se posicionarem em relação aos assuntos que apresentamos acima.

Logo, uma das principais mudanças que a pandemia do covid-19 nos trouxe é a maior adoção do ESG (Environmental, Social, Governance), ou, em português, ASG (Ambiental, Social e Governança) nas empresas. Um dos motivos que nos faz perceber isso é que, segundo a Global Sustainable Investment Alliance, cerca de US$ 30 trilhões de ativos estão investidos em estratégias de ESG ao redor do mundo.

E não à toa, o assunto foi destaque na primeira edição da NRF 2021: Retail’s Big Show – Capítulo 1, que nos trouxe alguns exemplos de varejistas que estão trabalhando com o ESG na linha de frente de seus negócios, como a IKEA, a H&M e a DHL, que busca zerar suas emissões de gases do efeito estufa até 2030.

Porém, antes de conhecer algumas ações que você pode implementar na sua rede varejista, é importante entender melhor o que é o ESG, não é mesmo. De maneira bem simples, podemos enxergar o ESG como a evolução da sustentabilidade. Afinal, a sustentabilidade trabalha em um tripé que considera os aspectos ambientais, sociais e econômicos, permitindo que a atividade da empresa seja perene, ou seja, sustentável a longo prazo.

Já o ESG também trabalha com um tripé, só que ele considera os aspectos ambientais, sociais, econômicos e de governança corporativa na sua empresa, de uma maneira que ela continue gerando receita e lucro, sendo sustentável a longo prazo. Ou seja, o ESG engloba muito mais coisas do que a sustentabilidade. Por isso, podemos enxergá-lo como a evolução desse termo, visando criar uma relação harmoniosa de consumo com a natureza, considerando a importância ao nível social e governamental da sua empresa.

Agora que conhecemos o que é o ESG e a diferença dele para a sustentabilidade, um questionamento que pode surgir, é como o varejista consegue implementar essa prática em sua operação. Para começar, trago aqui algumas sugestões sobre a inclusão do tema na sua empresa.

A primeira sugestão é a de incluir o E, do ESG, na rotina da sua empresa. Isso pode ser feito com ações simples e sem impacto orçamentário, como a promoção de reciclagem de embalagens nas suas lojas, o incentivo ao uso de sacolas retornáveis, disponibilizar pontos de coleta de lixo eletrônico e óleo de cozinha, entre outras ações que você pode implementar para facilitar o consumidor a se tornar eco friendly mais facilmente.

Além disso, você também pode investir no uso de alternativas de energia renováveis para suas lojas, como a solar, por exemplo. Reaproveitar a água da chuva para manter a higiene dos locais de alta circulação também é outra maneira de promover um impacto ambiental na sociedade do seu entorno.

André Faria, CEO da Bluesoft

O Mercadona, por exemplo, possui um sistema de gestão ambiental chamado de Continuar a Cuidar do Planeta e, possui mais de 1 mil lojas com painéis solares instalados, reduzindo em até 40% seu consumo energético, comparado com outras lojas, o que demostra o seu compromisso com um dos pilares do ESG.

Já a segunda sugestão se refere a implementação do ESG no DNA do varejo. Dessa forma, todas as pessoas que trabalham na empresa conseguem perceber isso.

Por isso, vale a pena investir em ações inclusivas internamente. Afinal, segundo o Instituto para o Desenvolvimento do Varejo ou IDV, o comércio representa cerca de 1/4 dos trabalhadores formais brasileiros, logo, podemos concluir que o varejo é a porta de entrada para muitas pessoas no mercado de trabalho.

E ser uma empresa que trata as pessoas como o centro de sua operação se torna cada vez mais importante. O famoso People Centric. E se engana quem pensa ser necessário focar somente no cliente. É focar também no colaborador, fazê-lo se sentir parte da organização, protegido, respeitado, remunerado de forma justa, ser feliz no trabalho. É praticar o S do ESG, de maneira eficiente no varejo.

Um exemplo de varejista que tem isso em seu DNA é do Woolworths Group, que possui mais de 35% de suas posições executivas ocupadas por mulheres, além de ter também, um programa para incentivar a inclusão de aborígenes em seu quadro de colaboradores. Além disso, o Woolworths também investe cerca de 1% do seu EBITDA em investimento para a comunidade local, além de investirem para diminuir sua emissão de carbono, aumentando a quantidade de energia limpa utilizada, como a solar e também a redução da quantidade de plástico utilizado em suas operações.

E a terceira sugestão é referente aos impactos que o varejista consegue implantar na governança da sua empresa. Por isso, uma alternativa é a de estabelecer um propósito, com missão, valores e visão firmes para o seu negócio, visando fazer a diferença na sua comunidade.

Além disso, outra ação que o varejista pode realizar é a de criar um conselho consultivo para a sua empresa. Isso ajuda a implementar valores importantes para o crescimento a longo prazo, como a transparência, além de aumentar a visão estratégica, uma vez que pessoas externas trazem uma visão imparcial e sem o viés interno… É a implementação do G no seu varejo!

O Walmart, por exemplo, reporta seus resultados de maneira detalhada para seus investidores, sendo transparente e mostrando como, por exemplo, estão os resultados de suas lojas por país, o que impactou os números do trimestre e, mais recentemente, como a pandemia do covid-19 afetou os resultados de 2020, já que mudou o planejamento de todas as empresas.

Vale destacar ainda que implementar o ESG no varejo não demanda um investimento massivo inicialmente. Porém, é necessário que as ações tomadas sejam verdadeiras e sem o propósito de contar apenas com os benefícios do marketing que elas podem trazer.

Afinal, o consumidor consegue perceber quando as ações de uma empresa são feitas apenas com o intuito de se promover com greenwashing, passando informações frágeis e que não condizem com o real objetivo do ESG, fazer a diferença na sociedade e gerando um consumo mais consciente, alinhado aos propósitos dos consumidores.

*André Faria é CEO na Bluesoft, mentor da Liga Ventures e investidor na Wow Aceleradora e colunista do portal NEWTRADE.
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