Pão de Açúcar retoma abertura de lojas e aposta em novo modelo para vendas

0 392

Depois de dois anos sem abrir lojas, o GPA planeja inaugurar de cinco a sete novos pontos de venda com a marca Pão de Açúcar no ano que vem. Também vai acelerar o projeto de reforma de 17 lojas dentro de um novo modelo de varejo. Nesse modelo, a loja oferece um grande número de serviços apoiados no uso de tecnologia digital e produtos frescos, verduras e frutas, como nos antigos armazéns de secos e molhados.

“Neste ano, trabalhamos na revitalização dos ativos existentes e, em 2020, vamos avançar com esse plano e também abrir novas lojas”, afirma Laurent Cadillat, diretor executivo do GPA. Ele assumiu a bandeira Pão de Açúcar no início deste ano com a missão de transformar as lojas de supermercado para o formato batizado de Geração 7 e revitalizar a marca.

Hoje, 26 lojas operam nesse formato e o ano deve fechar com 46. Se a programação for cumprida, até o segundo trimestre de 2020, terão sido revitalizadas 63 lojas, prevê o diretor. Em quase um ano e meio, os investimentos em reformas devem somar R$ 315 milhões. A perspectiva, segundo a empresa, é que as 63 lojas respondam por quase 70% do resultado e mais de 50% das vendas do Pão de Açúcar em 2020.

A marca Pão de Açúcar sempre foi a “queridinha” do setor de supermercados e sinônimo de loja com produtos diferenciados. “Mas, nos últimos anos, a marca empalideceu”, afirma Eugênio Foganholo, sócio da consultoria Mixxer.

A concorrência de outras redes de vizinhança, que também têm clientes das classes A e B, avançou. Um dos principais ativos da marca, no entanto, é que o grande número de lojas – 185 espalhadas pelo País – foi preservado. Agora, o GPA acelera esse movimento para ser reconhecido como um supermercado com produtos e serviços diferenciados e, sobretudo, antenado com tecnologias digitais.

Depois de dez meses de pesquisas com clientes, negociações com fornecedores e startups, Cadillat explica que se chegou a loja “ideal” da Geração 7. O modelo está em funcionando na loja número um da rede, que fica no Jardim Paulista, em São Paulo, e em cinco endereços.

Frescor e tecnologia

Quem visita a loja número um do Pão de Açúcar é surpreendido logo na entrada com uma horta hidropônica suspensa. São 14 tipos de alface que o cliente pode colher e colocar no carrinho.

Mais adiante, um cesto de palha, como na roça e com ovos que as galinhas botaram no dia, reforça a ideia de frescor de inúmeros produtos espalhados pela loja. São pilhas de frutas, verduras e legumes e também sucos naturais extraídos na hora – detalhe: pelo próprio cliente. Segundo o diretor, os produtos frescos respondem por 55% dos itens vendidos na loja. É um volume entre 5% e 7% maior em relação ao comercializado em outras lojas da marca.

Pães artesanais produzidos com fermentação natural, carnes armazenadas em temperatura, umidade e ventilação controladas são diferenciais de produtos ao lado de serviços de alta tecnologia. No meio da loja há um café que funciona como espaço de convivência e coworking.

Na saída, há caixas registradoras tradicionais, terminais de self-checkout e um serviço de pré-escaneamento das compras para agilizar o pagamento. Cerca de 30% das compras são pagas no self-checkout.

Depois de pagar, se na saída o cliente tiver às voltas com uma chuva inesperada, ele pode pegar guarda-chuva de graça por 24 horas e devolvê-lo na loja ou em outro ponto de coleta, indicado no aplicativo. “Trabalhamos um pool de serviços com startups”, conta Cadillat.

Faz três meses que o modelo Geração 7 com mais diferenciais funciona na loja número um da rede. Othon Vela, diretor de marketing, diz que a quantidade de clientes novos duplicou e de pessoas que foram clientes da loja e voltaram a frequentá-la cresceu dois dígitos.

O consultor de varejo Alberto Serrentino, fundador da Varese Retail, explica que esse modelo de loja com mais da metade de produtos frescos proporciona elevados ganhos porque a margem dos perecíveis é muito maior do que o de outros itens.

Ele considera acertada a decisão de revitalizar lojas de vizinhança. “Essa estratégia faz todo sentido e o GPA está olhando para o médio e longo prazos, apostando na loja de vizinhança e no atacarejo.” Com a volta do crescimento, a tendência é de que o brasileiro compre produtos diferenciados em lojas sofisticadas que têm itens complementares aos oferecidos pelas lojas de atacarejo, que concentram as vendas de básicos.

Fonte Estadão
Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.