Os diferentes momentos de Estados Unidos e Brasil em tempos de NRF

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No cenário internacional, alguns indicadores positivos sobre a nova realidade sinalizados pelo aumento do Investimento Direto Externo e o crescente interesse pelo novo momento do Brasil.

Por Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral do Grupo GS& Gouvêa de Souza

Ainda exuberante, mas preocupante nos Estados Unidos. E no Brasil era preocupante e pode ficar exuberante. Talvez seja o extrato da síntese dos antagônicos momentos pelo qual passam os mercados, o consumo e o varejo norte americano e brasileiro. O futuro próximo irá nos responder.

Depois de um ciclo de consistente crescimento que colocou o desemprego num dos seus patamares históricos mais baixou e que sucedeu a crise imobiliária de 2008-2010, discute-se agora a perspectiva de um ciclo de reversão na economia norte-americana com reflexos no mercado internacional.

Muita discussão, muita teoria e opinião e ainda sem consenso e clara definição.

O fato é que existe a perspectiva de eventual redução do crescimento por conta de um cenário global mais instável, especialmente afetando as economias mais maduras, enquanto os mercados emergentes também enfrentam uma redução de seus índices de crescimento, o que gera uma perspectiva mais preocupante.

Enquanto isso, o Brasil emerge para uma realidade muito diferente, com as naturais dificuldades de uma profunda transição envolvendo ideologias, estruturas, equipes e modelo econômico. Quando rigorosamente quase tudo está sendo mudado na gestão pública nacional, não podemos subestimar as dificuldades e os problemas da transição.

Fato é que no mercado temos um consumidor menos endividado, como mostram os índices de inadimplência, com renda menos comprometida com pagamentos de dívidas do passado, com a massa salarial apresentando crescimento real e com a recuperação gradual do nível de confiança no futuro.

Do lado empresarial moderno, um renovar de esperanças pela perspectiva de uma economia mais liberal, pela declarada determinação de promoção das reformas previdenciária e tributária, além de mais avanços na trabalhista e pela possibilidade, cada vez mais real, da melhoria do consumo interno que estimularia investimentos e expansão.

No cenário internacional, alguns indicadores positivos sobre a nova realidade sinalizados pelo aumento do Investimento Direto Externo e o crescente interesse pelo novo momento do Brasil.

A conjugação desses fatores sinaliza a iminência de um novo ciclo de expansão e crescimento moderados para o país e recuperação de um certo protagonismo na captação de investimentos externos, especialmente pela perspectiva da economia mais aberta e liberal e uma necessária simplificação de tudo que envolve a burocracia para quem investe, trabalha e produz no país.

Tudo isso gera a real possibilidade de termos saído de um passado recente de incertezas e preocupações e entrarmos num novo ciclo que pode até ser exuberante em termos de expansão e crescimento.

O que não pode ser esquecido é que o setor privado, especialmente o setor privado moderno, diferente daquele acostumado com as benesses da proximidade com o poder central, tem papel fundamental na implementação do discurso e das propostas que foram eleitas junto com o candidato.

O moderno setor privado nacional, especialmente aquele que é dominante no setor de varejo e consumo, tem que assumir sua co-responsabilidade na transformação estrutural do Brasil e ser atuante para que sejam implementadas essas mudanças definitivas de um país, quase anárquico, para o país competitivo, mais global, mais ético e orientado para o futuro.

Não pode o setor privado se omitir em sua co-responsabilidade e deve se lembrar como custou caro sua omissão e até conivência, no passado recente.

O futuro próximo pode até ser exuberante, mas depende muito de como vamos ajudar a construí-lo.

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