No dia do supermercado, o que há para comemorar?

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Por Adriana Bruno

É praticamente impossível imaginar o mercado de abastecimento e consumo, especialmente alimentar, no país sem a presença dos supermercados, sejam eles do tamanho que forem, com o sortimento que tiverem, onde estiverem.

Das mercearias aos hipermercados, esse canal de varejo é imprescindível para a sociedade e tem relevância tanto nos lares brasileiros, proporcionando acesso aos produtos de diferentes formas, como para geração de emprego e renda, seja de forma direta ou indireta. Afinal de contas, os supermercados também são consumidores de serviços, equipamentos, tecnologia, recursos humanos, entre outros e fazem a roda da economia girar em diversos setores.

Fátima Merlin, fundadora da Connect Shopper

Para Fátima Merlin, especialista em varejo, comportamento do consumidor e shopper e sócia fundadora da Connect Shopper, o setor supermercadista tem muito a comemorar desde a década de 60 quanto ele surgiu, especialmente quando se pensa na evolução do setor. “Estamos falando de inúmeros processos em quesitos como tecnologia, desenvolvimento de negócio, automação, autosserviço, transformações no que diz respeito a oferta de SKU’s ao shopper, desenvolvimento de novas categorias, na punjança em termos de empregabilidade, entre outros. Mas por outro lado ainda tem grandes desafios a serem superados como o nível de ruptura que ainda é bastante elevado, em encontrar formas de reter talentos, em trabalhar a prevenção de perdas, entre outros”, avalia Fátima.

Marco Quintarelli, consultor

Para Marco Quintarelli, consultor de varejo, um dos méritos a serem comemorados pelo setor supermercadista é a sua proximidade com o consumidor. “Hoje o consumidor tem mais atuação no varejo supermercadista com uma “via de mão dupla” onde suas necessidades estão sendo supridas através de seus feedbacks”, diz.

 

 

Evolução

A evolução dos supermercados tem como principal causa as necessidades e desejos das pessoas. É o que diz Olegário Araújo, cofundador da Ingeligência360.

Olegário Araújo, cofundador da Inteligência360

Segundo ele, os brasileiros têm mais opções de produtos e locais de compras são conectados, informados, impacientes e exigentes. “Esse cliente conectado está informado e tem acesso a informações do mundo todo. O supermercado precisa evoluir constantemente para permanecer relevante para os clientes”, diz. Olegário ainda acrescenta que o Brasil tem uma dimensão continental, seu varejo é pulverizado, totalizando mais de 80 mil lojas que operam dentro do conceito de autosserviço, mas há também cerca de 400 mil lojas tradicionais (armazéns e mercearias no Brasil). “Dentro deste contexto, temos empresas operando em diferentes momentos de evolução. Entretanto, indiferente da região/bairro que a loja opera, temos inovações que se assemelham ao que encontramos nos Estados Unidos e Europa. O varejo começa operar com diferentes formatos, o que leva a posicionamentos distintos, que são conceitos relacionados com a gestão de marca”, fala Araújo.

De uma forma geral, o setor supermercadista brasileiro está caminhando bem, mas é fato que ainda há caminhos a percorrer comparado a grandes redes de varejo do exterior. “Mas, nos últimos cinco anos tivemos grandes avanços, principalmente sobre tecnologia”, afirma Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ – Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro.

Fábio Queiroz, presidente da Asserj

Ele conta que conheceu em Nova Iorque, em 2018, um robô de nome Bossa Nova, a maior novidade de uma feira de tecnologia. “O robô faz as seguintes coisas: escaneia produtos numa gôndola e avalia produtos fora da validade, indica produtos que faltam na prateleira e faz gerenciamento de produtos por categoria. Hoje, há lojas de supermercado com cerca de 65 mil itens expostos, o que demanda alta tecnologia sobre logística. Com a entrada de tecnologia, o e-commerce vai explodir. A velocidade é que vai ser importante, exigindo que as lojas físicas se integrem ao mundo digital. Veja o exemplo da Amazon, que diversificou estas formas de venda. Pouca gente está enxergando isso hoje”, comenta Queiroz.

Segundo Fátima, a globalização propiciou um grau de inovação de extrema relevância para o varejo, especialmente quando se fala em entrega ao shopper. “O varejo supermercadista vem investindo em práticas para conhecer melhor o cliente, vem antecipando tendências, inovando em layout, em inteligência artificial, entre outras coisas. O varejo brasileiro é moderno mas tem como grande desafio tornar-se mais processual, melhorando suas métricas e avançando no uso de dados de qualidade”, comenta.

 O que esperar do setor em 2020?

Com a economia em lenta recuperação, os resultados do setor supermercadista ainda dependem exatamente da melhoria nos indicadores de nível de emprego, retomada do consumo, da confiança, do crédito, entre outros fatores. E há ainda as exigências e necessidades tanto do consumidor quanto do mercado. Ou seja, muita coisa para processar e muito trabalho pela frente. Para Araújo, em 2020 a concorrência deve ser mais acirrada, o que reduzirá as margens. “Destaco ainda o surgimento de novos concorrentes que atuarão para obter uma “fatia” no bolso do consumidor, fragmentando mais o mercado”, afirma.

Ele ainda conta à reportagem do Portal Newtrade que a intensificação do uso da tecnologia para oferecer mais conveniência para os clientes também deverá integrar a lista do que irá nortear o setor supermercadista em 2020. “Vale ainda acrescentar a busca para aprimorar a experiência do cliente; a ampliação do uso dos programas de fidelidade. Neste caso, alguns farão um maior uso da informação para apoiar os processos de tomada de decisão e maior personalização das ofertas; busca de alianças/parcerias estratégicas para atender melhor o cliente e melhorar resultados; a implementação de  inovações para manter-se relevante para os clientes por meio do entendimento das missões e jornadas de compra e por fim, a revisão de estrutura organizacional, buscando pela maior presença feminina na liderança e a adoção de metodologias ágeis, multidisciplinares”, analisa.

Ainda de acordo com ele, as oportunidades de melhoria estão relacionados a estilo de liderança, no sentido de praticar o capitalismo consciente, entender que a visão de longo prazo é fundamental, aprimorar métricas e processos para ser mais produtivo e, por fim, desenvolver formas para atrair e reter talentos para atender esses clientes mais exigentes.

 

Três características do varejo nacional

 

  1. Flexível e criativo para lidar com a complexidade que caracteriza o sistema tributário
  2. Resiliente, para lidar os contratempos
  3. Empresários intuitivos e criativos, mas avesso a processos, o que o que compromete a sua produtividade

Fonte: Olegário Araújo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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