Lojas Cem expande para o interior paulista

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Especialistas em varejo são unânimes em assegurar que a venda pela internet se tornou essencial para o sucesso de qualquer loja, seja ela pequena, média ou uma rede.

O desempenho do e-commerce durante a pandemia do novo coronavírus, afinal, é usado todo o tempo para corroborar essa tese.

Levantamentos de diferentes empresas falam em números recordes de vendas e explosão de acessos e até que o comércio eletrônico salvou muitos negócios.

Tudo isso que se vê todos os dias nas notícias não convence uma das maiores redes de eletrodomésticos e móveis do país, a Lojas Cem, administrada pela família Dalla Vecchia.

Com faturamento anual de R$ 5,4 bilhões, 280 lojas e 14 mil funcionários, a Lojas Cem, com sede em Salto, interior de São Paulo, continua colocando toda a força nas lojas físicas.

Os quatro irmãos que tocam a rede, Natale, 84 anos, Giácomo, 83 anos, Roberto, 78 anos e Cícero, 68 anos, junto com os filhos, têm o seguinte entendimento.

Mesmo com toda a expansão, o fato é que o e-commerce brasileiro representa muito pouco, algo próximo de 5%, de todo o faturamento do comércio.

“Nós preferimos trabalhar para os outros 95% do mercado”, diz José Domingos Alves, superintendente da rede de 68 anos, que está presente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

A família Dalla Vecchia, de qualquer forma, diz ele, não ignora o e-commerce.

No novo pacote de tecnologia adquirido neste ano de uma companhia alemã para aprimorar o sistema de informatização da rede, veio também toda a expertise para a venda pela internet.

Isto é, a Lojas Cem tem pronta uma plataforma para estrear no e-commerce a hora que quiser.

“No momento que entendermos que esse modelo de negócio dá lucro, podemos entrar. Não temos pressa, nem data, pois não é nosso enfoque”, afirma.

Abandono

O barulho em torno do e-commerce, de acordo com Alves, está levando muitos lojistas tradicionais do setor de eletrodomésticos e móveis a abandonar as lojas físicas.

De acordo com ele, basta andar pelas lojas, especialmente no interior, para comprovar.

A Lojas Cem, diz ele, vai no caminho inverso. “Até podemos vender pela internet algum dia, mas com um modelo de negócio que não brigue com as lojas físicas.”

O modelo de negócio da Lojas Cem, diz ele, é o que a família Dalla Vecchia chama de “modelo de raiz”, que investe em loja de tijolo e cria emprego e renda.

“Não queremos um modelo de negócio que só interessa aos acionistas investidores na Bolsa, que fazem barulho para tentar subir o valor da ação.”

Com o fechamento das lojas por 70 dias, a rede deixou de faturar cerca de R$ 900 milhões.

Mas assim que as lojas reabriram, diz Alves, as vendas superaram até mesmo as de igual período do ano passado.

Em julho e agosto, o crescimento foi de 32% e, em setembro, de 40%.

A Lojas Cem tem cerca de 14 milhões de clientes cadastrados, dos quais 2,2 milhões pagam prestações nas lojas todo o mês.

A compra a prazo representa 70% da venda da rede, que banca o financiamento do cliente.

Até agora, diz Alves, a inadimplência é a mesma de antes da pandemia, não subiu.

A rede dos Dalla Vecchia também é proprietária da maioria dos pontos onde estão as lojas – apenas quatro são alugadas.

“Somos a única empresa do varejo do nosso setor que ganha no mercantil, no financeiro e no imobiliário”, afirma.

Expansão

Num momento em que o varejo brasileiro encolhe, a Lojas Cem, que até agora não fechou nenhuma de suas lojas, decidiu manter os projetos de expansão.

O centro de distribuição de Salto está prestes a dobrar de tamanho, para 212 mil metros quadrados no final deste mês.

Até o final do ano, a rede inaugura as suas primeiras lojas em Tietê (SP), Bady Bassitt (SP), Taquaritinga (SP) e Rio Grande da Serra (SP), e a sua terceira loja em Indaiatuba (SP).

Outras duas estão em construção em Biritiba Mirim (SP) e Mangaratiba (RJ), com previsão de inauguração até janeiro de 2021. Juntas, deverão criar cerca de 220 novos empregos.

Nessas cidades, a rede vai contratar funcionários para todas as áreas. Um vendedor da rede ganha R$ 4 mil por mês, em média, com os benefícios da CLT. Alguns chegam a ganhar até R$ 15 mil, diz Alves.

“Nós valorizamos quem compra e quem vende. O ambiente de negócio tem de ser bom para os dois lados.”

De acordo com ele, 95% dos clientes que compram retornam às lojas, número considerado melhor do que o da empresa Disney, diz ele, com retorno de 80%.

Pressão dos custos

Um dos maiores desafios da Lojas Cem neste final de ano, diz Alves, é tentar frear a pressão para aumento de custos.

Os fornecedores de móveis, fogões, geladeiras, televisores e eletro-portáteis apresentaram tabelas de preços com reajustes da ordem de 20% a 25%.

“Eles alegam que os aumentos são necessários devido à alta do dólar, mas estamos negociando com todos eles”, diz Alves.

Mesmo sem receita por alguns meses, a previsão da Lojas Cem é faturar entre 1% e 1,5% mais do que em 2019. “Como todos os anos na história da empresa, vamos fechar também este ano no azul.”

 

Fonte Diário do Comércio
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