GPA e Carrefour têm potencial de crescimento no pós-crise

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Considerado um setor que passou praticamente ileso pela crise, o varejo de alimentos ainda têm bom potencial de crescimento na retomada após a pandemia de covid-19, segundo analistas. Para os profissionais de mercado, o GPA (dono das redes Pão de Açúcar, Extra e Assaí) e o Carrefour têm espaço para ganhar participação de mercado.

“No Brasil, o setor varejista ainda é pulverizado se comparado aos pares internacionais”, afirma Pedro Serra, gerente de Research da Ativa Investimentos. “Existe elevado potencial de formalização e ganhos de marketshare para as companhias mais bem posicionadas.” Para ele, e-commerce alimentar será um ponto-chave nesse processo de consolidação.

Ainda segundo Serra, o aumento da inflação dos alimentos pode ser benéfica para GPA e Carrefour. Gigantes da área, as duas redes têm forte poder de barganha com os fornecedores.

Em relação à separação da rede Assaí, anunciada esta semana pelo GPA, o movimento que a tornou uma operação independente tende a “destravar” o valor da operação do braço de atacarejo do grupo. “Pode enaltecer a força operacional da atacadista – que segue crescendo dois dígitos por ano -, bem como possibilitar uma gestão focada no atacado, vista por nós como mais aderente à realidade de consumo brasileira”, afirma Serra.

Para Enrico Cozzolino, analista do Daycoval Investimentos, as duas empresas têm um alto nível de eficiência operacional, o que pode ajudar a diminuir algumas preocupações que envolvem o setor de varejo alimentar. “Maior desemprego, diminuição de auxílio emergencial e até mesmo aumento de preços podem ter impactos significativos e isso pode postergar a valorização dos preços em Bolsa”, diz.

Cozzolino discorda da maioria dos analistas sobre a separação da rede Assaí dentro do GPA. “Não podemos desconsiderar que a operação de atacarejo é a mais rentável do grupo, e o Pão de Açúcar abrirá mão de uma geração de fluxo de caixa de sucesso”, afirma.

Para Alvaro Bandeira, sócio e economista-chefe do banco digital Modalmais, o Assaí estava mal avaliado dentro do grupo, e a separação será positiva para as duas partes. “O Assaí já tem grande autonomia no grupo e abre chances de capitalização e expansão”, diz.

 

 

 

Fonte Estadão
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