Consumo de vinho cresce no Brasil e abre oportunidades para o varejo

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O mercado de vinhos no Brasil vem dando sinais cada vez mais positivos de consolidação indicando que a bebida está cada vez mais presente no carrinho de compras e na mesa dos brasileiros. Segundo dados da Ideal Consulting, no primeiro quadrimestre de 2021 o país registrou crescimento de 5% em comparação ao mesmo período de 2020. Ao todo foram comercializados 105,3 milhões de litros da bebida, incluindo o que foi vendido pelas vinícolas nacionais e o total da importação de vinhos e equipamentos no período. Ainda segundo a Ideal Consulting, nos primeiros quatro meses do ano foram comercializados 100,2 milhões de litros.

Um cenário que aponta para um leque de oportunidades de crescimento e negócios tanto para indústria quanto para o atacado e o varejo.

“O consumo de vinho no Brasil ultrapassou sua média histórica, pouco superior a dois litros por habitante e, em 2020, chegou à marca de quase 2,7 litros por pessoa, o que significa crescimento de 26%, conforme dados da Ideal Consulting. Além disso, a população brasileira que bebe vinho ao menos uma vez na semana cresceu três milhões de 2019 para 2020, de acordo com informações da consultoria inglesa Wine Intelligence. E chegou aos 39 milhões de brasileiros em 2020”, revela Maiquel Vignatti, gerente de Marketing e Turismo da Cooperativa Vinícola Garibaldi. Ele ainda destaca que os espumantes também cresceram. “Em 2020 chegamos ao consumo de 26 milhões de litros no Brasil, sendo destes 85% espumantes nacionais, o que comprova a boa imagem da bebida frente aos brasileiros” diz.

A bebida da pandemia

Em 2020 o vinho foi considerado a bebida da pandemia e o crescimento expressivo do consumo deixou a indústria bastante otimista. “Este crescimento foi muito positivo para todo o setor vinícola, pois refletiu favoravelmente no desempenho da indústria brasileira. Neste ano, estamos bastante animados com a possibilidade de uma consolidação ainda maior do vinho brasileiro, e falo da categoria como um todo. As pessoas, de fato, descobriram os rótulos nacionais e melhoraram muito a percepção sobre os produtos brasileiros”, comenta Hermínio Ficagna, diretor superintendente da Vinícola Aurora. Segundo ele, os cinco primeiros meses de 2021 já superaram os números da empresa em comparação ao ano anterior.

A pandemia também mudou a forma de consumo. “Com bares e restaurante fechados ou com restrições de funcionamento e as pessoas isoladas em suas casas, elas transferiram seus hábitos de consumo para dentro de seus lares e se permitiram a novos hobbies e experiências, como aprender mais sobre o universo dos vinhos e a degustar novos rótulos”, comenta Aline Ciota, gerente de marketing do Grupo Famiglia Valduga.

Aline Ciota, gerente de marketing do Grupo Famiglia Valduga.
Preferências

O consumo de vinhos ainda é um pouco pulverizado, embora a preferência seja por vinho tinto. É o que conta Maiquel Vignatti. De acordo com ele, há uma grande parcela de novos consumidores, como os millennials e geração Z, que estão mais abertos a provar novidades, e o rosé tem feito grande sucesso entre eles. “Mas o que eu acredito que vale destacar é o aumento considerável de novos consumidores. Segundo a Nielsen, o vinho passou a ser um produto presente em quase 850 mil lares durante o ano que passou. De 2018 para cá o país ganhou sete milhões de consumidores, isso é muito positivo e significa que a cadeia está evoluindo constantemente, apresentando novos produtos e, principalmente, despertando a curiosidade do público”, ressalta.

Já Aline Ciota afirma que o brasileiro consome tanto vinhos tranquilos como espumantes. “Os vinhos tintos são consumidos em maior quantidade, mas temos percebido desde o ano passado um aumento na procura pelos brancos e, principalmente, os rosés, que estão conquistando cada vez mais espaço. Uma prova disso é que muitos supermercados já têm gondolas inteiras de vinho rosé”, comenta.

Já o espumante que sempre foi uma bebida festiva, geralmente consumido em festas, casamentos, formaturas, vem ganhando destaque na cesta de compras. “Há consumidores que bebem espumantes o ano todo, que ao invés de abrirem uma garrafa de vinho, preferem abrir uma de espumante”, diz Aline.

Hermínio Ficagna, diretor superintendente/Foto: Eduardo Benini

Vale dizer ainda que a preferência de consumo muda de região para região, principalmente pelas suas características em razão do clima (frio e quente). No mesmo sentido, outro aspecto importante a ser observado diz respeito ao vinhos (seco e suave), que também são consumidos em proporções maiores ou menores dependendo da região. “Os vinhos para consumo diário, chamados de produtos de entrada, são os preferidos, principalmente pelo custo/benefício”, fala Ficagna.

Tendências e sazonalidade

De modo geral, a tendência de mercado é por vinhos mais leves, com menos álcool. “Os rosés e brancos também estão se destacando, crescendo muito ano após ano, assim como os produtos que são comercializados em embalagens alternativas, como latas, bag in box e cartonadas”, conta Ficagna. Ele ainda destaca que o período do inverno é   muito significativo para o setor vinícola brasileiro. “O consumidor ainda associa a bebida, especialmente o vinho tinto, às temperaturas mais frias, assim como os dias de calor ao espumante. Aproximadamente, cerca de 30% das vendas de vinhos tranquilos são feitas no primeiro quadrimestre do ano, o que demonstra a força das estações outono e inverno para o setor”, diz.

Além disso, está ocorrendo uma espécie de renovação do público consumidor, e novos consumidores pedem vinhos mais leves, mais jovens. “O público mais maduro, o bebedor de vinho tradicional, se mantém mais fiel a suas experiências, mas por ser um consumidor nato, também gosta de provar novidades. Nós estamos atentos a esses movimentos, indo ao encontro do que o público está nos pedindo. E acho que estamos no caminho certo, como é por exemplo essa aposta nos produtos rosés, que já ganham a preferência dos novos consumidores, mas que trazem a mesma qualidade presente em vinhos mais tradicionais”, afirma Vignatti.

Oportunidades para o varejo

A cada três garrafas de vinho vendidas no Brasil, duas delas são vendidas nos supermercados. É o principal canal de vendas de vinhos no Brasil. “Reforçando essa informação, é importante avaliar que 70% do faturamento da Garibaldi vem do setor supermercadista, comprovando a importância do varejo na pulverização e consumo do vinho no Brasil”, conta Vignatti. Ele ainda comenta que o ponto de venda deve ficar atento à exposição dos produtos.  “O ideal é dar espaço para a criatividade das marcas em contar isso para o shopper através de ações integradas no PDV, como degustações, apresentações, promotores. Os vinhos nacionais, para uma melhor exposição, merecem um local diferenciado na loja. O recomendado é colocar a adega (espumantes, vinhos, cervejas, destilados) em um dos cantos da loja e não em corredores centrais, para facilitar fluxo e tempo de decisão para compra”, diz.

Outro trabalho é o de exposição extra (ilhas, terminais, check out, Cross Merchandising). Exposição próximo ao açougue ou fiambreria tendem a ajudar na performance das vendas da categoria. “Também é uma categoria que costuma performar bem em datas comemorativas, por isso ter o calendário comemorativo em mãos é fundamental, aproveitando oportunidades como Dia das mães, dia dos Pais, Dia dos namorados, entre outros”, orienta.

Na Vinícola Aurora, os supermercados representam 50% das vendas e Ficagna também destaca que a exposição é fundamental para orientar o cliente e melhorar a experiência de compra.  “No caso dos vinhos tranquilos, é importante evitar agrupar vinhos de diferentes faixas de preço como se fossem da mesma categoria. Por exemplo, um vinho de entrada importado com um vinho premium nacional, ou vinhos reservados importados com vinhos premium nacionais. Essa disponibilização pode contribuir para uma percepção equivocada de que o produto nacional é mais caro do que o importado. Importante separar, ainda, por tipos de uva e usar itens de PDV”, diz. Segundo ele, no caso dos espumantes, a principal recomendação é que valorizem o potencial desta categoria, reforçando a boa exposição em gôndola.

“Sugerimos ainda que evitem deixar as garrafas em locais com muita exposição solar para manter a qualidade dos produtos. Também indicamos que evitem estar dispostos em meio a outras bebidas de categorias como destilados ou até mesmo cervejas. Lembramos que os espumantes devem ocupar as adegas junto aos vinhos”, recomenda.

Além da exposição correta e destacada dos produtos, é preciso focar no cross merchandising, em degustações, ter atendente especializado no setor, promover campanhas para datas especiais e promoções que atraiam o consumidor.

Envase Brasil 2022

Um dos principais eventos do setor no país e na América do Sul, a Envase Brasil confirmou a realização da sua 14ª edição para 24 de abril de 2022, em Bento Gonçalves – RS. A feira, que teria acontecido em 2020, precisou ser adiada em função da pandemia do novo coronavírus

13ª edição da Envase Brasil

E a expectativa para o próximo ano é grande, como conta o presidente da feira, Vicente Puera. “Nossa expectativa é grande, mas também aguardamos que o mercado, tanto produtor, vendedor e  consumidor voltem ao normal. Apesar que os números de consumo de vinhos brasileiros no Brasil foram muito bons no último ano”, diz. Puerta ainda conta que a Envase Brasil 2022 trará um grande número de soluções para o setor, como equipamentos, embalagens, maquinário, ou seja, tudo que é necessário para atender a expectativa do visitante.

Em relação ao formato do evento, ele conta que todos os protocolos serão seguidos e ainda destaca que a feira trará muitos lançamentos inéditos, que ainda não foram apresentados em outro evento ou feira para setor no ano passado e nem até o presente momento. “Esse período permitiu também, por outro lado, que as indústrias se preparassem para colocar no mercado novos equipamentos com tecnologia bastante avançada”, finaliza Puerta.

Para saber mais acesse: www.envasebrasil.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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