Como o Pão de Açúcar se antecipou ao coronavírus

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Com o País se preparando para ficar dentro de casa nas próximas semanas, as vendas nos supermercados estão bombando, e o Grupo Pão de Açúcar (GPA) se viu na linha de frente da explosão da demanda.

O vice-chairman do GPA, Ronaldo Iabrudi, falou ao Brazil Journal sobre o impacto nas vendas e as medidas que a rede está adotando em seus mais de mil supermercados.

“Como estamos atrasados em relação à Europa em umas 4 semanas, aprendemos com o que aconteceu lá: vimos que o consumo de materiais de limpeza ia ter uma demanda muito forte e a primeira decisão que tomamos — quatro semanas atrás — foi aumentar os estoques.

O Assaí aumentou em R$ 200 milhões e o multivarejo (as bandeiras Pão de Açúcar, Extra e Minuto Pão) em aproximadamente R$ 250 milhões.

No dia 9 de março, comparando com um ano antes, já estávamos com um crescimento de 5% nas vendas no conceito ‘mesmas lojas’ no consolidado do multivarejo. Hoje, esse crescimento está próximo de 100%. Ou seja: o multivarejo do GPA está vendendo hoje o dobro do que vendia no ano passado, e tem loja que está vendendo 200% a mais.

Na prática aconteceu o seguinte: algumas categorias começaram a vender mais, principalmente álcool em gel e papel higiênico, depois isso aconteceu com várias outras, como água, leite, mercearia básica, e está crescendo cada vez mais.

Está acontecendo como na Europa: tem uma rampa e ainda estamos na primeira semana. Imaginamos que essas vendas turbinadas durem uns dois meses, e que depois alguns hábitos de consumo serão mantidos. Está tendo muita venda de sabonetes, por exemplo, e achamos que as pessoas vão criar o hábito de lavar mais as mãos.

Decidimos não mexer nos preços, em hipótese alguma, em nenhuma das nossas bandeiras. E foi muito bom porque sentimos a indústria totalmente alinhada com isso. Com o dólar a R$ 5 e com esse aumento expressivo da demanda, podia ter alguém querendo se aproveitar da situação, mas todos estão sendo muito solidários. Teve um caso apenas de fornecedor que tentou aumentar preço, mas falamos diretamente com o dono e ele voltou atrás na hora.

Estamos numa campanha para estimular o consumo consciente. Começamos a limitar a venda de determinados produtos por CPF para assegurar que a loja não tenha ruptura e que todos possam consumir os produtos básicos.

Com essas medidas, achamos que mantemos o volume adequado e teremos um aumento de rentabilidade sem mexer no preço.

Nossas margens vão aumentar porque esse aumento brutal do volume gera uma diluição muito forte do custo fixo. Além disso, tiramos as promoções para determinados produtos, o que também permite ter um aumento relevante da margem.

Todo esse movimento começou mais forte em São Paulo, Rio e Centro-Oeste, e mais concentrado no Pão de Açúcar e no Minuto. Agora está ficando muito mais generalizado. Na segunda-feira, quando fechamos o dia, o Nordeste já estava com um nível muito grande de vendas.

Outra coisa que fizemos foi criar um horário específico para os clientes com mais de 60 anos frequentarem as lojas, e estamos estudando limitar o número máximo de pessoas na loja em determinado momento. Dobramos a limpeza nas lojas, e tem gente higienizando os carrinhos.

Com muitos bares e restaurantes com menos movimento, poderia haver uma transferência de volume de vendas do Assaí para o Multivarejo. Mas isso não está acontecendo: as vendas estão subindo nos dois formatos.

Hoje, mais de 65% das vendas do Assaí são para pessoas físicas, e o que estamos vendo são as lojas operando com 100% da capacidade e com um aumento relevante do tíquete médio. Vemos isso em várias cidades, inclusive do Nordeste, por exemplo.

O que vimos também pela Europa é que quando vai chegando no pico da epidemia, as pessoas querem resolver as coisas mais perto de casa, o que favorece as lojas de proximidade. Por isso, estamos nos preparando para ter um estoque maior nessas lojas — as que tiverem capacidade de estocagem — e a logística para abastecê-las.

O delivery também está com uma demanda muito forte e já atingimos o máximo de capacidade. Normalmente fazemos 3,5 mil entregas por dia e já atingimos isso. Estamos com duas lojas que estamos separando para fazer o delivery dos produtos de maior demanda e vamos estar aptos a fazer 10 mil entregas por dia já no final da semana que vem.”

 

Fonte Brazil Journal
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