Como Magalu alavancou as vendas com gestão agile

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O Magazine Luiza é uma das maiores empresas de varejo do Brasil. O crescimento da empresa, com grande participação no e-commerce na nacional, pode ser explicado por diversos fatores. Porém, um que merece destaque é o time de tecnologia que está por trás de diversas ações que ajudaram a projetar a empresa no mercado, como a gestão agile. Não sabe do se trata? Então confira as dicas que Henrique Imbertti, director of Organizational Agility do Luiza Labs, deu no Fórum E-Commerce Brasil 2019.

“O agile surgiu como movimento em 2001 dentro de um contexto de software e, hoje, consiste em quatro pilares, e pode ser aplicado para a empresa como um todo”, esclarece o executivo:

  • Torne pessoas sensacionais: “Pensar na cadeia inteira, funcionários, fornecedores etc”.
  • Experimente e aprenda rápido: “Se o ambiente é incerto, não dá para saber o que está acontecendo. Tem que otimizar. Ágil é a capacidade de se adaptar a qualquer situação”.
  • Faça da segurança um pré-requisito: “Ambiente permissivo para experimentar e fazer experimentos. A sua empresa é permissiva ao erro? Caso não seja, ninguém vai querer ousar, pois vai temer a punição, o que diminui a aprendizagem. O ambiente tem que ser psicologicamente seguro para as pessoas ousarem ser quem elas são e expor seus sentimentos”.
  • Entregue valor a todo instante: “Confiança criada a partir do valor. Se não entregar a tempo, pode gerar impacto. O ideal é ver as pequenas fatias acontecendo toda a semana”.

“Algumas empresas falam que ágil é o rápido e todos ficam afobados. O ágil tem conotação de rapidez, consegue eliminar várias coisas. É fazer o que precisa fazer, maximizar o trabalho, aí você consegue ser mais rápido. Eu gosto de usar o exemplo do trem-bala e o leopardo para mostrar a diferença. O trem-bala é rápido, mas não é ágil. Ele para de estação em estação, mas não consegue desviar o caminho. Já o leopardo, é ágil porque ele vê a presa e reage com base nisso”, explica.

Agile vs Agilidade

 

Segundo Imbertti, quando falamos em ágil, o conceito se remete ao termo cunhado em 2001, mas o que as empresas buscam é a agilidade:

“Desde que foi criado em 2017, tudo que é tecnologia do Magazine Luiza virou Luiza Labs, que agora está bem maior com aquisição da Netshoes. A ideia era reorganizar as missões. Quando cheguei na empresa, comecei a conversar com os times para entender como estamos organizados. Muitos era organizados por aplicações. Então, organizamos os times pensando nas missões que tivessem sempre o cliente no final. [Dessa forma], os times ficaram maiores”.

Cases de sucesso

De acordo com o executivo, após a mudança de pensamento dentro da empresa, foi possível implementar diversos projetos, como os abaixo:

Caixas móveis em algumas lojas: “A nota já sai com a vendedora. Desta forma, o cliente não gastar 40 minutos para pagar, pois sai em 4 minutos. É uma redução importante de tempo”.
Uso do mobile pelos vendedores: “Eles conseguem, por exemplo, imprimir um cartão digital para os clientes, de 30 para 5 minutos)”.
Terreno fértil para agilidade

Imbertti conta que o Magazine Luiza tinha terreno fértil para a agilidade, pois pensava na organização como ser vivo. “Eles quebraram paredes físicas mesmo, para ouvir de ‘ponta a ponta’ e entender o vendedor, as pessoas e sempre permissiva ao erro. Tudo isso faz com que seja mais fácil de trabalhar. E sempre com apoio da liderança, do CEO”. “Unificamos produto e tecnologia. O projeto é do Labs, mas tem produto também. É fazer a colaboração acontecer e transformar tudo em demandas, com a personalização do cliente. O ideal é ter times pequenos e multidisciplinares com uma missão clara — o mais ‘ponta a ponta’ possível. É melhor ter um time com dez pessoas, mas sem passagem de bastão e mais autonomia. E reuniões com foco: pare de começar e comece a terminar”, complementa.

Cuidados

O executivo chama a atenção para alguns pontos a fim de evitar erros comuns no meio do caminho, como a terceirização:

  • Terceirizados: “Não vi muitos cases de sucesso com terceiros trabalhando no time ou conduzindo a transformação. Temos que fazer ser do nosso time para ter autonomia, pois isso leva tempo e energia. Tenha cuidado com pessoas de fora. Os consultores são bons e tal, mas o protagonismo na transformação é a da própria empresa”.
  • Sem experiência: “É preciso dar suporte para as pessoas que assumem novos papéis”.
  • Pessoas com papel duplo: “Pessoas com uma função, mas que nas horas vagas exerce outras, não conseguem focar como precisam. Tem que ser exercer aquele papel integralmente”.
  • Pessoas com papel errado: “Acontece bastante. Podem ser que a pessoa foi para um lado que não quer. O ambiente precisa ser psicologicamente seguro para que as pessoas que não gostam de uma nova função possam voltar, sem sofrer. Se não der certo, volta. Não veja como falha”.
  • Tentativa de remover as zonas cinzas: “A colaboração está no coração do agile. ‘Só vou até ali’, por exemplo. Vai ter zona cinza e se acostume com isso”.
E, para fechar, mais dicas do Imbertti:
  • Veja a agilidade como um meio para atingir algo
  • Quanto mais foco no ‘ponta a ponta’, maior a chance de ganhar tração por conta dos resultados (interações ágeis)
  • Limite o WIP (work in process) em todos os níveis
  • Desenvolva pessoas
  • Crie multiplicadores internos
Fonte e-commerce Brasil
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