C&A vai abrir dez novas lojas até o fim do ano

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O cenário de insegurança com relação ao futuro da economia que tem provocado contínuas revisões para pior das estimativas de crescimento não impede a C&A de continuar abrindo novas lojas físicas no Brasil neste ano. O plano é ter pelo menos dez novos endereços até o fim do ano – atualmente são 280 em todo o Brasil. A macroeconomia, porém, serve de neblina para a projeção sobre a perspectiva de consumo no resto do ano.
Para o presidente da C&A Brasil, Paulo Correa, essa névoa só deve se dissipar se o governo do presidente Jair Bolsonaro conseguir aprovar reformas fiscais. A empresa já foi alvo de rumores no passado sobre uma possível abertura de capital no Brasil – um IPO, na sigla em inglês -, mas ele diz que não há “nada concreto nesse sentido agora” ainda que a C&A passe “o tempo inteiro olhando alternativas”.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o executivo detalhou também a iniciativa Mindse7, na qual uma coleção de peças novas chega toda semana nas lojas físicas. Iniciado em julho de 2018, o modelo havia sido aplicado apenas ao e-commerce, mas chegou às lojas físicas há cerca de um mês. Veja a seguir os destaques da entrevista.

Paulo Correa, presidente da C&A Brasil
Como estão suas expectativas para o consumo até o fim do ano?

Enquanto não houver uma sinalização mais clara de que as medidas de equilíbrio fiscal, que têm a ver com a reforma da Previdência, forem aprovadas e confirmadas, a gente vai continuar a ver essa insegurança – e essa insegurança não ajuda na perspectiva de consumo como um todo. Ao mesmo tempo, se realmente acontecer, e eu sou um dos que confiam que a aprovação vai acontecer no segundo semestre, isso deveria gerar uma reversão desse ciclo, com mais investimento, mais confiança e com uma evolução nessa dimensão do consumo.

A reforma da Previdência, por si só, é capaz de fazer a economia crescer?

Ela acaba sendo uma indicação clara de que o País vai ter um equilíbrio fiscal projetado. Os investidores, principalmente os internacionais, estão tentando entender se isso vai acontecer ou não para poder trazer a liquidez que eles têm hoje para o Brasil. Isso sim mudaria a dimensão de consumo, esse fluxo de dinheiro poderia reativar a economia como um todo.

No caso da C&A, vocês estão esperando a economia reagir para investir?

Toda a energia da empresa tem ido para a nossa evolução como varejista, de como a gente pode evoluir cada vez mais, muito mais conectado com as necessidades e preferências dos clientes e, ao mesmo tempo, tentando identificar para onde está indo essa dimensão macroeconômica. Como a gente não pode depender desse ‘talvez’, a gente vem com uma dimensão digital, soluções mais ágeis, propostas comerciais mais interessantes. Estamos fazendo nosso dever de casa para que a gente, como C&A, seja uma opção cada vez mais interessante e mais relevante para o mercado, independentemente se esse mercado está crescendo mais ou menos.

A C&A já foi alvo de rumores de que poderia abrir o capital no Brasil. Isso já foi estudado ou é avaliado pela sede?

A C&A já está sexta geração de uma família de origem holandesa, que detém 100% do controle da empresa. Tudo o que foi falado antes foram rumores.

Isso é completamente descartado, então?

Ao final do dia, essa é a situação de hoje. O tempo inteiro estamos olhando alternativas, é um grupo muito grande, tem uma capacidade de pessoas envolvidas muito alta, acho que está todo mundo sempre olhando oportunidade, mas até agora não existe nada concreto nesse sentido.

Como estão os investimentos para o e-commerce?

A gente está o tempo inteiro pensando nesse assunto, porque é um vertical importante para o crescimento futuro da companhia. Tem uma história longa nesse assunto, que tem a ver com poder entregar os produtos para o cliente a qualquer momento da jornada, do jeito que ele quer. Há também o uso de inteligência artificial para entender o comportamento do cliente e preferências para poder oferecer histórias personalizadas e um desenvolvimento de produto mais ágil.

O projeto Mindse7 veio atender a essa agilidade?

Sim. Toda semana chega uma nova cápsula (de produtos).

No modelo de fast fashion?

Tenho um conceito diferente. Fast fashion tradicional é o que está acontecendo nas passarelas e é trazido rapidamente para as lojas. Não é isso que a gente quer fazer. É o que está rolando nas ruas e as pessoas estão querendo naquele momento e a gente tenta trazer para a loja.

Como a C&A chega a essa percepção do que está rolando nas ruas?

A gente tem um grupo de pessoas talentosas que estão viajando o tempo inteiro no Brasil e vão percebendo o que está acontecendo. Vão nos lugares mais interessantes, vários lugares diferentes, no Nordeste, nas grandes capitais, nas grandes capitais europeias, nos EUA. Eles veem uma história interessante, registram e, a partir desse registro, vai servindo como inspiração para uma pequena cápsula de 15 modelos. Em comunicação quase online com fornecedores, eles constroem protótipos, a gente ajusta e começa o ciclo de produção.

Quanto tempo leva esse processo?

O grande diferencial dessa coleção é esse: entre a hora que a gente identifica uma história e ela chega nas lojas, está levando 35 dias. O ciclo normal seria de 120 a 180 dias. É uma velocidade brutal e tem a ver com um jeito de se organizar internamente na C&A que é totalmente diferente. Em vez de áreas, temos uma célula onde todo mundo conversa online, uma série de suportes tecnológicos e fornecedores juntos. Tudo isso gera um nível de velocidade muito grande.

Fonte Estadão
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