Black Friday com estoque ainda alto

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Varejistas entraram nesta semana em um período crucial de vendas para tentar reduzir um pouco o impacto dos fracos resultados do ano – Black Friday e Natal. Mas vão tentar reagir em posição nada confortável. O varejo iniciou o quarto trimestre com estoques ainda elevados, apesar do esforço de redução, caixa menor do que no ano passado, vendas estagnadas ou em queda, e margem de lucro bruta de 25%, em média, abaixo da verificado um ano atrás.

Grandes varejistas entraram no vermelho neste ano. O lucro líquido, de R$ 780 milhões das 15 empresas analisadas no terceiro trimestre de 2014, virou prejuízo de R$ 209 milhões neste ano.

Em posição mais frágil hoje, as redes tentarão ampliar o volume de produtos vendidos na Black Friday. A rentabilidade pode até ser menor. A estratégia é equilibrar essa possível perda em margem com as vendas de Natal, quando se tentará ampliar o volume de itens mais rentáveis, especialmente de lançamentos.

A Black Friday é uma data comercial do varejo que ocorre sempre na última sexta-feira de novembro. Foi “importada” dos EUA quatro anos atrás.

“Não serão feitas as mesmas ofertas no Natal e na Black Friday. Há um esforço no sentido de ter propostas diferentes para cada data, evitando esvaziar muito o Natal e tentando conservar rentabilidade”, disse Deric Guilhen, diretor comercial da Saraiva.

“Temos feito um cruzamento do que não precisa ser ofertado na Black Friday e do que não precisa ser ofertado no Natal. Com isso em mãos, definimos estratégias e posicionamentos”, diz Renato Giarola, diretor comercial das redes Pão de Açúcar e Extra.

Os estoques nas 15 redes de varejo de capital aberto somavam pouco mais de R$ 23 bilhões ao fim de setembro, com alta de 12% em relação a setembro de 2015, mesmo após liquidações frequentes.

A estratégia de proteger o caixa – reduzindo aberturas de lojas e investimentos – não evitou que o total do caixa (incluindo aplicações financeiras) encolhesse, de R$ 18 bilhões para R$ 15 bilhões, em um ano.

A margem bruta caiu de 30,2% em setembro do ano passado para 24,4% no mesmo mês neste ano (era de 29,3% em junho). Vendas líquidas, em R$ 36,9 bilhões em setembro, eram R$ 36,7 bilhões há um ano – praticamente estáveis.

Em relação aos níveis de estoque, houve melhora no patamar – com as liquidações de outubro e novembro -, mas está ainda em nível recorde. Na terça-feira, a FecomercioSP informou que 37,8% das varejistas informam ter volume de estoque acima do esperado. É o segundo pior índice da série histórica, iniciada em 2011.

A tarefa central agora é reverter esse processo aproveitando as datas de Black Friday e Natal. Para proteger margem, seria preciso vender itens mais rentáveis ou promover um eventual aumento de preço – algo impensável nas condições atuais de consumo. Já para reduzir estoques, o caminho único é ampliar volume vendido.

Fonte: Valor

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