Aliança entre Amazon e supermercados ameaça futuro do varejo

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A aliança inédita entre a gigante do e-commerce Amazon e a rede Monoprix, do grupo varejista francês Casino, que no Brasil controla o rupo Pão de Açúcar, marca uma nova etapa do varejo francês em direção ao comércio digital.

Desde o ano passado, a plataforma americana tentava se associar a um grande supermercado na França, como já havia feito na Espanha, com o Dia, ou no Reino Unido, com o Morrisons. Agora, a Amazon abocanhou uma parceria com a marca mais prestigiosa do setor, presente em endereços valorizados das grandes cidades do país.

Com a união, os clientes Amazon Prime Now poderão receber em casa as compras feitas no Monoprix em menos de duas horas, inclusive alimentos frescos. A oferta se encaixa em uma demanda crescente dos consumidores franceses residentes nas metrópoles, que na última década têm deixado de lado os hipermercados e, cada vez mais, têm preferido fazer as compras cotidianas pela internet ou em estabelecimentos menores, nos arredores de casa.

É por isso que o novo serviço vai atender sobretudo aos clientes urbanos, nota Yolande Piris, economista especialista em varejo e diretora-adjunta do Instituto de Management da Universidade Bretagne Sud. “Para os consumidores como um todo, não muda muito. Mas entre os moradores das metrópoles, há uma demanda clara por esse serviço”, nota. “Constatamos o desenvolvimento rápido do drive, que é uma oferta na qual o consumidor compra pela internet, mas depende do carro para buscar os produtos. Ou seja, é um modelo não muito adaptado às zonas hiperurbanizadas, onde as pessoas evitam o carro. É por isso que o Carrefour também vai lançar a entrega em uma hora, inclusive de produtos frescos.”

Cansados dos hipermercados

Outro especialista em varejo, o consultor Olivier Dauvers, concorda que a oferta é segmentada, ao se dirigir principalmente para jovens moradores do coração das metrópoles, que já realizam uma grande parte das compras pelo smartphone. Mas o novo serviço responde a uma insatisfação dos franceses – e dos clientes europeus em geral –, de ter de frequentar o supermercado para buscar os produtos de uso cotidiano.

“Há categorias de produtos correntes que os consumidores estão preferindo adquirir pela internet, como água, fralda ou leite em pó. Não temos mais vontade de ir até o supermercado para buscar aquilo que precisamos toda a semana”, explica Dauvers. “Nesses casos, o que chamamos de experiência da compra acabou: não tem graça nenhuma enfrentar fila para comprar sempre a mesma marca de água.”

O economista Philippe Moati, professor da Universidade Paris-Diderot e cofundador do Observatório Sociedade e Consumo (Obsoco), coordenou uma pesquisa que mostrou que os consumidores das metrópoles não faziam questão de uma entrega rápida e, até então, estavam satisfeitos com o prazo habitual de 24 a 48h. Mas ele avalia que, uma vez que a oferta ultrarrápida existir e se mostrar qualificada, os hábitos poderão mudar de uma hora para a outra.

“Durante muito tempo, pensou-se, equivocadamente, que o comércio digital englobaria todas as áreas, menos a alimentação. Porém a Amazon está nos mostrando que não: até os alimentos frescos poderão ser comprados pela internet, desde que com um modelo diferente do que vimos até agora”, indica. “As coisas estão se acelerando, 20 anos depois de os varejistas entrarem timidamente no ramo digital, mas sem desenvolvê-lo de verdade.”

“Aliança com o diabo”

Ou seja, se as líderes do varejo não avançarem rapidamente no setor, poderão ser engolidas pela gigante americana, como aconteceu em tantas outras áreas, como a literatura. Moati nota que, nessa corrida contra o tempo, o Casino escolheu o arriscado caminho de se juntar a uma potencial concorrente.

“É uma aliança com o diabo. A curto prazo, o Monoprix vai ganhar. Mas quanto mais a Amazon se tornar um ponto de contato obrigatório para o consumidor ter as suas compras rapidamente em casa, mais as lojas se tornarão dependentes da Amazon – e, ao que tudo indica, ela saberá perfeitamente guiar essa dependência”, ressalta o professor.

O cofundador do Obsoco lembra que, com a assistente de voz Alexa, a tendência é a Amazon atropelar os varejistas: bastará falar a lista de compras em voz alta para o cliente receber os produtos instantes depois, em casa. No entanto, ele adverte que, com parcerias e serviços como esses, a plataforma americana avança ainda mais na intimidade do perfil dos clientes, com dados detalhados – e valiosos – sobre as compras do dia a dia.

Fonte G1
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3 Comentários
  1. Laudiceia Araujo de Oliveira diz

    Devido uma grande concorrência no comércio digital e no quesito tempo, a Amazon vem ganhando espaço de forma crescente acentuada em sua especialidade as comprar virtualmente. Entretanto isso causaria grandes prejuízos aos comerciantes que não aderirem essa nova tendência de disponibilizar mercadorias online devido uma grande demanda de usuários optarem por esse tipo de serviço. Como alvo essa aliança iria alcançar aquelas pessoas cujo o tempo é bem escasso devido seus compromissos do dia-dia, e outro gama de pessoas que enfrentam dificuldades de deslocamento até uma loja física assim satisfazendo suas necessidades em todos as áreas de consumo.

  2. Idalva Francisca Fontoura de Paula diz

    R. Esse modelo de aliança da Amazon, seria muito útil no Brasil, uma rede de supermercados oferecer vendas e entregas pela internet, aplicativos. Os mais prejudicados seriam os varejistas e hipermercados. O Segmento de Mercado seria o Tecnológico, as empresas investiriam muito nesse segmento, com sites, aplicativos, etc., conquistando cada vez mais aqueles clientes que hoje o tempo “vale dinheiro”, com a vida corrida, cheia de compromissos, seria uma oportunidade de ganhar tempo, ou até aqueles que por outros motivos afins não conseguem ir aos mercados.

  3. Gabriel Roni de Camargo Souza diz

    Uma aliança da Amazon com um grande varejista no Brasil, como o grupo pão de açúcar, no seguimento de alimentação, alimentos frescos e etc, acarretaria em um grande avanço tecnológico e na forma de pensar dos consumidores, acarretaria em um monopólio da Amazon e no crescimento e expansão da marca, o que levaria também a possuir uma maior fatia de mercado, consequentemente, ostras varejistas perderiam espaço se não conseguissem acompanhar essa tendencia. De certa forma diminuiria empregos nas lojas fisicas, a mão de obra de pessoas seria muito reduzida.

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