A ansiedade não faz bons negócios  

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*Por Camila Pacheco

 

Alberto era um cara legal, que sempre quis em ser dono do seu próprio negócio. Acontece que a vida o levou por outros caminhos, e ele seguiu carreira como gerente em uma boa empresa. Conseguiu construir um bom patrimônio, sem luxos, porém, com conforto para si e sua família. Casa própria, carro e filhos em boas escolas. Alberto se sentia realizado em quase tudo – só faltava ter seu próprio negócio. Esse era um sonho que ainda pulsava em seu coração.

E veio a pandemia. A empresa onde Alberto trabalhava criou um plano de demissão voluntária que oferecia vantagens interessantes e esse foi o empurrão que ele precisava. Com as verbas de sua rescisão, decidiu que era a hora de realizar o sonho de empreender.

Alberto já tinha pensando muito sobre o assunto e estava decidido que seu caminho como empreendedor iniciaria com uma franquia, porque ele entendia que, apesar de grande experiência profissional, sempre foi funcionário e que ser dono, mas com apoio, era um caminho mais seguro.

Com um recurso razoável em mãos, Alberto foi em busca de oportunidades e decidiu ser cauteloso. Conheceu um modelo de negócios enxuto, com administração home based – parecia perfeito para o momento, onde todos estavam no home office. O negócio parecia muito bom – investimento baixo, sem necessidade de grande estrutura administrativa, produtos de consumo que podiam ser vendidos por canais eletrônicos e entregues por delivery.

O gerente de expansão da empresa foi muito simpático desde o início, sempre destacando que aquele era um negócio imperdível e que, por esse motivo, ele precisava decidir logo porque havia muitos candidatos interessados na mesma praça que ele.

Alberto estava ansioso para começar! Inscreveu-se no processo seletivo da franqueadora (na verdade Alberto precisou apenas preencher uma ficha simples) e pagou a taxa de franquia, que era o que efetivava o negócio. O contrato, que deveria ter sido assinado antes do pagamento, acabou demorando para ser confeccionado porque, segundo o gerente, o jurídico era enrolado e advogado sempre é chato para essas coisas de documentação, mas que estava tudo certo. Alberto já poderia até mesmo fazer seu primeiro pedido de produtos, e já começar a organizar a operação. E foi o que ele fez.

Camila Pacheco, sócia da Blue Numbers Consultoria

Na semana seguinte, o contrato ainda não estava pronto, mas Alberto não se preocupou porque afinal, era só uma questão burocrática. E seguiu fazendo o treinamento – que na verdade, nem era um treinamento, era só uma reunião de instrução e algumas páginas para ler. Alberto estranhou, mas no fim, achou bom, porque estava realmente com pouco tempo para isso e assim que a operação iniciasse, ele poderia rever tudo e tirar dúvidas. O gerente garantiu que daria todo o apoio.

O tempo passou rápido e 30 dias depois, Alberto tinha o primeiro boleto de mercadoria para pagar, mas ainda não tinha começado a operar, e lembrou que naquela correria toda, não tinha assinado o contrato, e ligou para o gerente. Depois de alguns dias, o contrato chegou e Alberto ficou surpreso que o documento não retratava exatamente tudo o que havia sido conversado. Alberto ficou desconfortável e resolveu então consultar um advogado.

O advogado pediu que Alberto solicitasse a COF (que João mal sabia o que era), mas a franqueadora não o tinha, apenas o contrato. Alberto ficou desanimado, e sentindo-se enganado, disse ao gerente que não seguiria com o negócio, devolvendo os produtos ainda não utilizados, e pediu a devolução da taxa paga. O gerente informou que a taxa não poderia ser devolvida porque o contrato não previa devolução em caso de desistência, e que a franqueadora não poderia ser prejudicada por tal decisão, já que negou a praça a outros candidatos. Alberto e a franqueadora seguem discutindo a questão judicialmente.

Alberto e a franqueadora, personagens desse artigo, são fictícios. Qualquer semelhança na realidade com a história contada é mera coincidência. Apenas peço que, por favor, você não seja como o Alberto.

*Camila Pacheco é consultora empresarial, sócia da Blue Numbers Consultoria e colunista do NEWTRADE.

 

 

 

 

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