Indústria encolhe produto

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A deterioração do cenário macroeconômico tornou o brasileiro mais seletivo na hora da compra. Atentas a essa mudança, fabricantes como Danone, Nestlé, Neugebauer, Bela Vista e Grupo Bimbo ampliam a oferta de produtos em doses individuais e versões mini.

“Os consumidores neste ano tentam equilibrar o orçamento, que está mais apertado. O que se vê é uma procura mais forte por promoções e por produtos cujo preço caiba no bolso. E as indústrias já adaptam suas linhas, com embalagens menores ou com versões tamanho família, dependendo da categoria de produto”, diz Fabiana Furquim, analista de mercado da Nielsen. De acordo ela, os consumidores da classe C, que impulsionaram o crescimento de bens de consumo nos últimos três anos, sofrem mais o impacto da recessão econômica neste momento. “A classe C continua contribuindo para o consumo, mas o gasto maior neste ano tem sido das classes A e B”, acrescenta.

A fabricante de chocolates Vonpar, dona da marca Neugebauer, está entre as empresas que apostam nas embalagens menores. Em março, a companhia colocou no mercado versões mini de seus chocolates. Os produtos são vendidos em embalagens de 20 unidades, com 8,5 gramas cada. “O formato de 8,5 gramas é praticamente uma mordida. A dose única, ou mono dose, é bem comum no mercado externo, mas no Brasil começa a crescer agora”, afirma Ricardo Vontobel, presidente da Vonpar.

O executivo afirmou que a expectativa com as linhas mini é ajudar a acelerar o crescimento das vendas da Neugebauer, atingindo públicos das classes A e B.

“O preço é mais alto, comparando o valor pago por peso, por conta dos custos com embalagem, por isso o produto é mais adequado para classes média e alta”, diz. Vontobel estima para este ano vendas de R$ 130 milhões em chocolates, com crescimento de 40% ante 2014.

A Nestlé também ampliou recentemente suas linhas de produtos com embalagens menores em vários segmentos. Tatiana Lemos, gerente de marketing da Nestlé, cita como exemplos mais recentes o lançamento da água Perrier Slin Can de 250 ml e do Nestlé Grego líquido de 170 gramas. Em maio, a companhia também lança uma versão de 150 gramas de seu creme de leite (a lata tradicional tem o dobro e a caixinha, 200 gramas). “A procura por produtos menores tornou-se uma constante. Acreditamos que as embalagens para levar na bolsa estão em expansão e têm potencial para continuar avançando nos próximos anos”, diz Tatiana. A executiva disse que as linhas com embalagens menores têm um custo de produção mais alto, mas oferecem alta rentabilidade para a companhia.

Os dados mais recentes do comércio varejista indicam que o consumidor está mais retraído neste ano. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas de alimentos, bebidas e fumo em supermercados e hipermercados recuaram 0,8% em volume no primeiro bimestre do ano. Só em fevereiro, a queda foi de 1,8%.

 

Fonte: Valor

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