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Por que a preferência pelo atacarejo deve se manter em 2018

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Pesquisas já demonstraram que a recessão dos últimos anos mudou profundamente o comportamento de consumo dos brasileiros. A substituição por produtos de marcas mais baratas, restrições às compras por impulso e a opção pelo atacarejo foram os meios que os brasileiros encontraram para conter gastos em meio à crise.    A estimativa é de que o formato de cash and carry, o chamado atacarejo, tenha atingido um crescimento de até 17,3% em volume, ante 5% dos supermercados.

Os consumidores foram menos aos hiper e supermercados em 2017. Nos hipermercados, houve queda de 4% na frequência de compra nestas lojas. Os supermercados tiveram uma leve alta de 0,5%. Enquanto isso, a frequência de compra em atacarejos subiu 6,6%, de acordo com a consultoria Kantar. As redes de atacarejo ganharam novos consumidores em meio à crise, e não devem perder vendas com a retomada econômica, segundo avaliação da consultoria Nielsen.

O fato é que os gastos no atacarejo vem crescendo nos domicílios que já apresentaram alguma recuperação de emprego e renda. De acordo com o levantamento, um total de 10,6 milhões de lares considerados como “saídos da crise” eleva em média em 20% os gastos no atacarejo.

O que muda com a retomada?

Levando em consideração uma melhora em toda a conjuntura macroeconômica seria lógico dizer que os consumidores retomariam o nível de despesas pré-crise. Mas, não é bem isso que deve acontecer.

De acordo com Tiago Oliveira, gerente de Kantar Wordpanel, o cash and carry seguirá liderando o crescimento do varejo brasileiro, porém, em menor ritmo em 2018. A leve estagnação prevista para o canal se explica pelo número ainda baixo de abertura de novas lojas, fator decisivo para a expansão do setor atacadista.

Para Oliveira, além de fidelizar e atrair mais compradores proporcionando um aumento de penetração nos domicílios brasileiros, as redes precisam estar mais atentas à sua expansão geográfica. O estado de São Paulo, por exemplo, concentra 35% do volume total de lojas do canal. Já na região do Grande Rio de Janeiro o modelo ainda é pouco desenvolvido, assim como ocorre no Sul do país.

Outra pesquisa da Nielsen, que traz dados sobre a evolução do atacado de autosserviço nos últimos três anos, reforça ainda mais a tese sobre a importância da abertura de novas lojas no país. De acordo com a consultoria, 83% do crescimento do canal está relacionado ao deu desempenho e somente 17% à abertura de novas lojas.

Possíveis caminhos

Ricardo Alvarenga, gerente de varejo da Nielsen, também concorda que, mesmo com a retomada econômica, os consumidores não deixarão de frequentar o canal. Veja só: no ano passado, os brasileiros passaram a frequentar atacarejos dez vezes, em média, gastando um tíquete médio de R$ 134 e levando para casa cerca de 25 itens – o dobro, se comparado às compras feitas em hipermercados.

Alvarenga diz que, a longo prazo, um dos caminhos de evolução possíveis para o setor será adequar o formato à internet. “Nossas pesquisas indicam que os consumidores irão fazer somente a compra de reposição perto de casa. A compra recorrente, que ele sabe que vai fazer todo mês, será feita pela internet assim que o preço e logística forem acessíveis”, diz.

Com os consumidores cortando gastos, os atacarejos se destacaram justamente, por apresentar preços de 30% até 50% mais em conta que os formatos rivais. Isso mudou. Hoje, apesar de a cesta de compras ainda ser mais barata nos atacadistas, os descontos variam de 15% a 20%. E alguns preços isolados já são iguais aos dos supermercados, especialmente, nos casos de marcas líderes, segundo Oliveira.

Portanto, para se destacar novamente, segundo Oliveira, da Kantar, os atacarejos precisam volta a se preocupar com sortimento qualificado e melhorar a negociação com os fornecedores, além de aperfeiçoar o atendimento e tornar as lojas mais confortáveis.

 

Fonte Diário do Comércio
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