Pandemia: desemprego e redução de salários empurram mais consumidores para o atacarejo

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O aumento do desemprego e a redução salarial devem empurrar ainda mais consumidores para o atacarejo, formato de loja que vende produtos tanto no atacado como no varejo. Isso acontece porque em momentos de crise, como agora, as pessoas priorizam a compra de itens essenciais em detrimento de supérfluos e abrem mão da conveniência em nome da economia.

“O atacarejo vem registrando aumento real de vendas, o que é natural em momentos de crise. Muita gente perdeu emprego, outras tiveram redução de renda. E as pessoas perceberam que essa crise não é de curto prazo, ela vai durar um bom tempo”, diz Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores.

“Em situações como agora, as pessoas procuram sair menos e, principalmente, fazer compras em maior volume. Além disso, atacarejos costumam ter preços mais acessíveis, o que é muito vantajoso nesse momento”, complementa Marco Oliveira, vice-presidente do Atacadão.

Qual a ordem desse crescimento?

Ana Paula diz que atacarejos que a AGR acompanha têm registrado um aumento real nas vendas de 15% em relação a igual período de 2019. Na média, o setor vem registrando uma alta de 10%, segundo ela.

Mas e o fluxo de clientes nesse formato de loja?

A pandemia mudou o perfil de público que frequenta esse tipo de loja. Caiu a participação de clientes PJ e aumentou a de pessoas físicas. No Assaí, marca de atacarejo do GPA, o consumidor pessoa física chegou a representar 70% do fluxo no período de 14 a 31 de março – a participação era de 50% antes da pandemia.

O que os clientes compram no atacarejo?

O objetivo desse tipo de compra é abastecer o armário com o básico, não tem comida gourmet. No Assaí, por exemplo, as vendas de produtos como arroz, feijão e massa seca aumentaram mais de 100% na última quinzena de março, último dado divulgado, em relação ao período pré-pandemia.

“As pessoas compram pelo preço, levando até uma quantidade maior de produtos. Com estão em casa, fazendo todas as refeições no lar, estão consumindo mais mesmo”, disse Ana Paula.

O pagamento do auxílio emergencial impulsionou as vendas no atacarejo?

Pequisa do Horus, plataforma que reúne dados do varejo, mostra que o valor médio gasto pelo consumidor em compras de supermercado aumentou 8% após a liberação do pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600. No formato atacarejo, houve um aumento de 16% no gasto médio, passando de R$ 136 na primeira semana de maio para R$ 158 na primeira semana de junho.

“Neste momento em que o dinheiro está curto, as pessoas que estão recebendo o auxílio emergencial estão tentando fazer o recurso render até o próximo mês. Por isso, a opção pelo atacarejo, é uma forma de comprar o necessário para a subsistência”, diz Luiza Zacharias, diretora de novos negócios do Horus.

E como o auxílio emergencial está sendo usando no atacarejo?

A pesquisa identificou um aumento no gasto médio tanto de itens da cesta básica (arroz, feijão, leite farinha) quanto de produtos de higiene, como sabão para lavar roupa, detergente líquido e água sanitária.

Para Luiza, esse perfil de gasto mostra que as pessoas estão preocupadas não tanto com a compra dos alimentos essenciais quanto com a manutenção dos hábitos de higiene e limpeza, que foram reforçados na pandemia.

O Atacadão, do grupo Carrefour, foi o primeiro atacadista alimentar a aceitar o benefício. “A compra com o auxílio funciona normalmente: o cliente seleciona seus produtos e ao passar pelo caixa para efetuar o pagamento, informa ao operador de caixa que pagará por suas compras utilizando o auxílio emergencial, através do cartão virtual emitido pela Caixa”, disse Marco Oliveira, vice-presidente do Atacadão.

Mas são apenas os beneficiários do auxílio que estão buscando o atacarejo?

Não mesmo. Há clientes de todas as faixas de renda frequentando esse formato de loja. Ana Paula diz que é comum que vizinhos ou parentes se juntem para comprar produtos no atacado.

“Em crises severas como essa, o consumidor amplia a busca pelo menor valor em detrimento da conveniência e serviço que os supermercados oferecem”, diz Eduardo Yamashita, COO da Gouvêa de Souza.

O aumento da demanda deve melhorar a experiência de compra no atacarejo?

Não muito. O cliente que busca o atacarejo está em busca de preço baixo, por isso está disposto a ir a lojas mais distantes e que não oferecem o mesmo atendimento do supermercado.

“Esse formato de loja tem uma obsessão por controle de custos. O objetivo é ter preço competitivo, é que isso que interessa para quem vai vende e quem compra”, afirma Yamashita.

Qual o tamanho do atacarejo?

Segundo ranking da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o atacarejo é o terceiro maior em número de lojas, com 357 unidades instaladas ao final de 2019. Mas em receita, o peso é muito maior. Da receita de R$ 15,8 bilhões registrada pelo GPA no primeiro trimestre, R$ 8,5 bilhões vieram do Assaí. No Carrefour, o Atacadão representou R$ 10,8 bilhões da receita total de R$ 15,1 bilhões.

Fonte 6 Minutos
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