Varejo 2021: projeções, mudanças e desafios

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*Por Amilcar Pavan

2020 foi um ano onde todo o varejo teve que se reinventar, seja para vender de forma remota ou permitir que os consumidores pudessem comprar com segurança presencialmente. Por ser um serviço essencial, os supermercados continuaram a todo vapor, deparando-se com novos perfis de consumidores, compras em estoque, escassez de produtos e, principalmente, a missão de diminuir as possibilidades de contágio dentro dos estabelecimentos. Para isso, muitas ações foram tomadas, como limitar o número de consumidores nas lojas e a aproximação do segmento com o universo online.

O e-commerce, por exemplo, foi um dos termos mais procurados no varejo durante os últimos meses. A experiência com o serviço nos ensinou que o cliente moderno anseia por facilidades, comodidades e produtos personalizados. A pesquisa realizada pela Neotrust Compre&Confie, em parceria com a ABComm, colabora com essa afirmação. Ela informou que entre janeiro e agosto de 2020, o número de compras online cresceu 80%, quando comparado ao mesmo período de 2019. Outro dado interessante, dessa vez levantado pela Social Miller no “Guia de Tendências pós-Covid-19”, mostrou que 64%, ou seja, mais da metade dos consumidores pretendem continuar com o e-commerce após a pandemia.

Amilcar Pavan, sócio-proprietário dos Supermercados Flex Atacarejo e ASP

A personalização do conteúdo é outro ponto virtual que nos permite uma aproximação com o público. Utilizando inteligência artificial, podemos mapear o perfil do consumidor, e verificar quais são seus produtos e marcas favoritas. Com o levantamento em mãos, é possível fazer ações específicas que conversem com o cliente em sua individualidade, sendo mais assertivos nas ações.

Mais uma novidade que nos deparamos nos últimos meses é o PIX, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, sua iminente popularização também irá mudar a forma de pagamento no varejo e ditar novas mudanças. Em um futuro próximo, iremos nos deparar com diversas inovações tecnológicas que transformarão a forma de pagamento, como a utilização de QR Codes, reconhecimento facial, dentre outros. Estar atento às novidades também é função do varejista, que deve trazer facilidades para sua clientela sempre que possível.

Outro ponto importante que sempre gosto de frisar todo ano é o planejamento. Existem diversas datas comemorativas do varejo em que podemos pensar em ações com o público, desde as mais conhecidas como a Black Friday até outras menos exploradas, por exemplo a Semana do Pescado. Estar sempre atento ao calendário do varejo e contar com profissionais criativos em sua equipe são partes fundamentais para garantir a felicidade do consumidor e se diferenciar dos concorrentes.

No último semestre de 2020, os estabelecimentos sofreram com a falta de matéria-prima para produção de embalagens, atingindo um índice de ruptura da cerveja de 18,9% em nosso país, valor recorde, causando falta do produto em diversos locais. Para isso, é necessário sempre manter um planejamento, utilizar de planilhas e se organizar, estocando os produtos que possuem longa validade. Alinhar uma equipe para trabalhar com o controle da validade também é uma excelente pedida para evitar desperdícios.

Por fim, ainda não é possível cravar quais rumos a economia seguirá em 2021, mas estou esperançoso com o que teremos pela frente, principalmente devido ao início da vacinação em nosso país, que irá impactar positivamente na economia, retomada do consumo físico e a criação de novos empregos. Mesmo com o cenário próspero, é necessário que o varejista esteja preparado para todas as situações, sempre construindo a confiança do consumidor, inovando e entendendo suas individualidades.

*Amilcar Pavan é sócio-proprietário do Flex Atacarejo e da rede de supermercados ASP e também é colunista do Portal Newtrade
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