Atacadistas e supermercados ampliam aposta em energia renovável

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Atacadistas e supermercados têm apostado na compra de energia renovável para ganhar competitividade. É o caso da rede Assaí, que anunciou que vai migrar todas as suas lojas para o mercado livre de energia, no qual o consumidor escolhe o fornecedor da eletricidade.

A companhia iniciou a migração em 2019 e agora tem como meta ter todas as suas 184 lojas no mercado livre até o fim de 2021. “A energia representa um custo bastante significativo na nossa operação, faz total sentido migrar no caso da indústria atacadista ou uma empresa em que a energia elétrica é um insumo bastante significativo para a operação. No mercado livre, há uma previsibilidade de preço muito maior do que no mercado cativo”, explica o gerente de contas públicas e galerias do Assaí, Lucas Attademo.

Hoje, o Assaí já está entre as empresas de maior demanda dentro da classificação de consumidores especiais da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que abrange aqueles com demanda entre 500 kilowatts (kW) e 1,5 megawatts (MW) e que têm direito de adquirir energia de pequenas centrais hidrelétricas ou de fontes incentivadas, como eólica, biomassa ou solar.

“A migração, para nós, tem o viés econômico e o viés da sustentabilidade. Além de poder comprar uma energia 100% renovável, não vamos mais utilizar geradores em horários de pico de consumo, o que acontecia em algumas lojas. Isso vai contribuir para evitar a emissão de CO2”, acrescenta Attademo.

O Assaí já fechou acordos com diversas empresas para a compra de energia renovável, entre elas, a companhia francesa GreenYellow. A parceria também inclui projetos de eficiência energética que contemplam a instalação de usinas fotovoltaicas nas próprias lojas e a adoção de sistemas de ilhas de congelados e refrigerados com portas, o que ajuda a reduzir o consumo de energia.

A companhia europeia também tem acordos com o grupo GPA, responsável por hipermercados como o Pão de Açúcar e o Extra. A parceria inclui o monitoramento da temperatura das ilhas refrigeradas para garantir a manutenção dos níveis recomendadas pela vigilância sanitária, o que evita desperdício de mercadorias. “Ver alimentos serem jogados na lixeira é um problema não somente financeiro, mas também ético”, comentou o presidente da GreenYellow, Pierre-Yves Mourgue, em coletiva de imprensa em fevereiro.
Em paralelo, os supermercados Compre Bem, também do GPA, fecharam recentemente um acordo com a 2W Energia para a compra de RECs, certificados de energia renovável para abatimento de emissões de carbono. O acordo prevê a compra dos certificados para a compensação do consumo de 2MW médios de 2021 até 2025. De acordo com o vice-presidente de marketing e inovação da 2W, Guilherme Moya, outras companhias do setor de alimentos têm entrado em contato para negociar a compra dos RECs.

“Além da preocupação ambiental, as empresas que estão mais perto do consumidor final veem um apelo de vendas em falar que são sustentáveis, causa um impacto positivo no consumidor”, comenta Moya.

Fonte Valor Econômico
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