Existe hora certa para investir em tecnologia?

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*Por Gustavo Carrer

A pandemia tem afetado o varejo brasileiro de maneira extremamente desigual. Enquanto alguns setores estão vendendo muito bem, conquistando resultados superiores aos anos anteriores, outros passam por severa dificuldade, com faturamento bem abaixo dos períodos anteriores e recuperação lenta.

Nesse ambiente surge um paradoxo: mesmo vivendo momentos tão distintos, parte dos varejistas que está com negócios em expansão, assim como parte dos que está em retração, tem adiado investimentos em tecnologia.

Os primeiros porque estão vendendo bem, então não há motivo para investir. E os outros que vão mal, com faturamento em queda, entendem que devem reduzir ou evitar investimentos nesse momento.

Gustavo Carrer é gerente de desenvolvimento de Negócios da Gunnebo

Embora as empresas de tecnologia já convivessem com esse dilema há muito tempo, a pandemia acentuou a diferença entre esses dois grupos de varejistas. Alguns alcançando marcas históricas de faturamento, enquanto outros fechando lojas ou sendo adquiridos por redes maiores.

Daqui algum tempo, esse cenário pode se inverter. Segmentos que viveram expansão podem estagnar e outros poderão entrar novamente em ciclo de crescimento. É possível que ouçamos o mesmo discurso, porém, com atores trocados e o investimento em tecnologia novamente adiado.

Por outro lado, existem varejistas que incluem a tecnologia em seu planejamento, independentemente do momento que o mercado está passando. Talvez por terem uma visão mais estratégica, entendendo que aquela ferramenta é o caminho para melhorar a produtividade interna, aperfeiçoar a experiência do cliente e, consequentemente, se manterem mais competitivos.

De fato, não existe hora certa ou errada para esse tipo de investimento, pois se tecnologia melhora os resultados do varejista e traz retorno sobre o investimento, não haveria motivos objetivos para adiar sua aquisição.

Além disso, atualmente existe a opção de transformar o investimento fixo (Capex) em locação (Opex), o que protege o caixa da empresa e promove incentivos fiscais. Mesmo assim, ainda existe enorme resistência em implantar novas tecnologias nas lojas.

Adiar investimentos, a princípio, pode parecer uma decisão de menor risco, afinal seus impactos positivos ou negativos ocorrerão sempre no futuro. Por outro lado, ao tomar decisão de trazer uma nova tecnologia para o negócio sempre tira as pessoas da zona de conforto e implica muitas vezes em expor deficiências em processos e na gestão.

Isso faz pensar que talvez a principal razão para adiar um investimento que comprovadamente traz retorno para o negócio seria simplesmente o medo dos decisores, porém, existem outros fatores que contribuem bastante:

  • Ausência de métricas precisas e adequadas para avaliar os resultados conquistados com a tecnologia;
  • Complexidade do processo decisório, particularmente quando a tecnologia traz benefícios para diversas áreas do varejista;
  • Inexperiência na avaliação de investimentos em inovação tecnológica;
  • Deficiência dos fornecedores de tecnologia em apresentar de maneira clara como se dará o retorno dos investimentos (ROI).

Para alterar esse cenário, seja para os varejistas que estão vivendo dias de glória quanto para os que estão amargando maus resultados, um caminho seria a quebra das barreiras que ainda existem na relação dos varejistas com seus fornecedores de tecnologia.

Estudar a opção de locação (Opex), implementar formas mais precisas de avaliar ROI e o efetivo compartilhamento de riscos e resultados entre ambos, deve trazer a segurança necessária para que o investimento em tecnologia ganhe mais força, impulsionando a inovação, tão importante e esperada para o setor.

*Gustavo Carrer é gerente de Desenvolvimento de Negócios da Gunnebo, palestrante, consultor da série Mãe S/A do Fantástico da Globo e do Mundo S/A da Globo News e colunista do NEWTRADE. 

 

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