Lojistas de shoppings e aeroportos abriram negociações para reduzir o valor do aluguel ou obter concessões em contratos com as empresas, na tentativa de reduzir o impacto da desaceleração no consumo em seus resultados. Associações do setor e lojas confirmam as conversas, num ritmo superior em relação aos anos anteriores.
Com a queda na velocidade de vendas nos shoppings, e com o alto volume de inaugurações nos últimos anos, os empreendimentos perderam algum poder de barganha nas negociações com os comerciantes – e começam a dar sinais de que podem rever contratos. Lojas de pequeno porte (satélites) da área de moda e franquias de alimentação encabeçam a lista de varejistas abrindo pedidos para avaliação das condições.
Há dois aspectos principais nas mesas de discussão: redução no percentual sobre as vendas, que determina o valor do aluguel, e revisão, parcelamento ou até cancelamento do 13o aluguel pago pelas lojas no fim de cada ano. O aluguel mensal corresponde a uma taxa que pode variar de 3% a 8% sobre o faturamento da loja, a depender do tamanho da empresa. Em grandes redes, como em magazines, a taxa é menor, cerca de 2%.
Neste momento, entre as empresas em negociações com aeroportos está o grupo International Meal Company (IMC), dono do Viena, que está avaliando seus contratos em terminais do Aeroporto Internacional de Guarulhos. “Estamos em conversas com alguns aeroportos porque o fluxo não está ok […]. Estamos focados 100% nisso, em ver como fica o fluxo do terminal 1 e do terminal 3 [de Guarulhos]”, disse Francisco Javier Gavilán, presidente da IMC, em conferência com analistas, dias atrás.
Perguntado sobre a questão semanas atrás, o até então presidente do GRU Airport, Antonio Miguel Marques (que renunciou ao cargo no dia 1o) disse que “lojistas estão sempre pedindo para rever contratos. Faz parte do nosso dia-a-dia”, afirmou. “Quando vemos que há algum pleito que faz sentido, sentamos e revemos alguns pontos”.
No segmento de shoppings, a Casa do Pão de Queijo iniciou conversas com empreendimentos, como em Manaus – onde há dez shoppings. “Com os shoppings mais maduros essa conversa está mais difícil, não há espaço para tratar da questão. Com shoppings mais novos, melhorou um pouco. Em uma dessas negociações este ano, até reduziram o aluguel, como percentual das vendas, com queda de um ponto. Mas isso, por três meses”, disse Ricardo Bertucci, gerente de expansão da rede.
Fonte: Valor
