Hypermarcas puramente farmacêutica

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A Hypermarcas caminha para ser uma empresa puramente farmacêutica depois de vender sua divisão de cosméticos à multinacional de origem francesa Coty por R$ 3,8 bilhões. A transação vai reduzir a dívida líquida da Hypermarcas a zero, melhorar a estrutura financeira e deixar a companhia mais perto do grau de investimento. O negócio de medicamentos, mais resiliente e rentável, vai subir de uma participação de 55% da receita da empresa em 2014 para 67% em 2016, segundo cálculos do banco BTG Pactual.

Cerca de 45% do pagamento será feito no quarto trimestre e o restante até março de 2016, condicionado à aprovação de autoridades antitruste. O valor será majoritariamente usado para abatimento da dívida. Assim, a companhia fica mais perto de registrar geração positiva de caixa e fazer futuras distribuições de dividendos ou recompras de ações.

O Deutsche Bank estima que a venda trará economias de cerca de R$ 600 milhões ao ano com despesas financeiras. O valor acordado com a Coty implica em múltiplos superiores ao que a empresa é negociada em bolsa. A ação subiu 21,14% ontem, a maior variação diária desde outubro de 2008, quando o papel avançou 14,85%. A cotação de R$ 21,20 foi a maior desde julho deste ano.

Se concluir também a venda da unidade de fraldas, a companhia poderá fortalecer ainda mais o balanço e aumentar os investimentos no setor farmacêutico. A Hypermarcas planeja expansão por meio de inovação e lançamentos de produtos e diz que fusões e aquisições estão descartadas no médio prazo.

Segundo a companhia, seus produtos atuais cobrem 51% do total de moléculas (tipos de medicamentos) existentes no mercado e há espaço para atingir 78% em até cinco anos. A empresa pode explorar mais os fármacos para problemas neurológicos e respiratórios, além de vitaminas, segundo a analista Maria Paula Cantusio, da BB Investimentos. Em 2014 a empresa criou uma diretoria voltada à inovação estratégica. A companhia tem protocolado cerca de 100 novos produtos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por ano, com taxa de aprovação próxima a 50%. Hoje, 400 solicitações estão em andamento.

O índice de inovação da divisão farma aumentou para 22,4% no terceiro trimestre – era 13,2% em igual período de 2014. A linha do antiácido Estomazil ganhou novo sabor e frasco, o polivitamínico Vitasay Stress foi relançado, o protetor solar Episol agora tem versão em pó compacto, por exemplo.

“O negócio farmacêutico tem sido o mais rentável e estável da carteira de produtos da companhia. Sua resiliência ficou evidente no sólido crescimento de suas operações em 2015, na elevada faixa de um dígito, apesar da recessão econômica no Brasil”, diz a analista Debora Jalles, em relatório da agência de classificação de risco Fitch. De acordo com o IBGE, as pessoas com mais de 60 anos são 13% da população brasileira e essa fatia deve subir a 16% em 2025 e 21% em 2035, ampliando bastante a necessidade de medicamentos.

Fonte: Valor

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