Nos últimos meses, dobrou o número de redes de varejo que conduzem processos de reestruturação de toda a operação ou de braços do negócio. O processo de ajustes tem se aprofundado com a piora do cenário econômico e queda no consumo. Este ambiente, em certos casos, justifica reformulações mais profundas.
Entre os ajustes mais recentes estão Saraiva, International Meal Company (IMC) e Grupo Pão de Açúcar (alimentar).
Há grupos implementando reestruturações mais longas, há pelo menos um ano e meio, como Brasil Pharma, Cencosud e Walmart, que pretendem finalizar esse processo em um a dois anos. E o número de redes de médio porte (sem acesso ao mercado de capitais) ajustando seus negócios também está crescendo, segundo analistas.
“Quando uma crise começa, o varejista dá as costas para o balcão e começa a olhar para dentro, para ver melhor como preparar a empresa para os anos seguintes. É o momento que se revê orçamentos e processos para tentar se preparar melhor para os anos seguintes”, diz Claudio Felisoni, presidente do conselho do Programa de Administração do Varejo (Provar/FIA).
Ao se analisar mais de perto cada caso, as razões e a profundidade das mudanças variam. Em linhas gerais, são motivadas por decisões estratégicas erradas, crescimento além da capacidade e dificuldades financeiras, afetando lucratividade. Paralelo a isso, há integração problemática de negócios comprados em épocas de vacas gordas e perda de fôlego de alguns modelos de lojas.
A questão central, segundo um consultor de redes de grande porte, é que no varejo nenhum fator pode ser analisado isoladamente. O efeito dominó, detonado por algo que não funciona bem, é muito rápido. Se uma compra é mal feita ou a falta de produto na loja se repete, o cliente sente e a venda cai – com efeito imediato sobre o caixa. Com o caixa menor, as condições de empréstimo pioram e o lado começa a cambalear.
“São vasos comunicantes, nunca é algo isolado. São muitas pequenas coisas, que juntas, acabam fazendo algum estrago. E no varejo, se sente tudo em pouco tempo. Por isso tem que intervir logo”, diz o consultor.
Fonte: Valor

