Novos hábitos do consumidor impactam na movimentação da cadeia de abastecimento

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Ao longo dos anos, o consumidor ganhou acesso a diversas conquistas que lhe facilitaram do ponto de vista do consumo. Em 2015, com um bolso menor, atacado pela inflação, ele teve de fazer escolhas que impactaram nos resultados do mercado. O primeiro movimento foi a redução do consumo fora do lar, com 61% dos consumidores economizando por deixar de procurar fontes de entretenimento; o segundo movimento foi a busca por meios de otimizar a relação custo/benefício. Em consequência, o atacado de autosserviço cresceu 12,1% em volume de vendas no ano passado. A redução da frequência de idas ao ponto de venda a -4,3% por mês foi o próximo passo. Em seguida, o consumidor promoveu o crescimento das vendas de 60% das categorias por terem elas embalagens econômicas, ao mesmo tempo em que ele optou por trocar no ponto de venda marcas habituais por marcas mais baratas, e em seguida ele reduziu o volume de compras racionando o número de unidades adquiridas, de acordo com informações obtidas junto ao estudo global de confiança do consumidor da Nielsen.

“O consumidor está buscando maneiras mais eficientes de gastar seu dinheiro. Por isso, passou a planejar melhor suas compras, o que se pode constatar no fato de que as compras de emergência caíram de 13,8% em 2014 para 7,3% em 2015. Além disso, nosso painel de consumidores, o Homescan, indicou que o consumidor vai menos vezes ao ponto de venda, o que também demonstra maior planejamento. Finalmente, os consumidores optam por marcas mais baratas, mas não deixam de consumir. No atacado de autosserviço, eles gastam 12% menos e levam 9% mais itens. Em um cenário em que o brasileiro teve uma queda de 6% da sua renda média real, encontrar opções mais econômicas foi o caminho encontrado pelo consumidor”, diz Daniela Toledo, diretora de Retail Service da Nielsen.

Essa clara mudança de comportamento e de hábitos de consumo acaba por alterar as movimentações dentro da cadeia de abastecimento, principalmente no que se refere ao sortimento e às opções de portfólio oferecidas de início ao varejista e depois ao consumidor. “O atacado tem de oferecer para o cliente varejista mais opções de embalagens porque eu, como consumidor, posso querer desembolsar mais em uma embalagem aqui e menos em outro produto, em outra embalagem, e isso para economizar. Outra coisa que impacta no movimento do portfólio do atacado é o de contar com mais opções de marcas de preços mais acessíveis. Isso não significa que o consumidor abre mão de suas marcas preferidas. Significa que em algumas categorias ele vai precisar de fazer opções. Novamente, é o portfólio dele que está sendo afetado”, afirma Olegário Araújo, diretor da Inteligência do Varejo, consultoria especializada em consumo.

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