Martins descarta aumento de preços

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Por Rúbia Evangelinellis

Flávio Lúcio Martins, CEO do Grupo Martins, disse que a empresa não aceita, nem aceitará, aumento de preços, por parte da indústria, nem tampouco adotará a política de repasse para o varejo para garantir o atual abastecimento. Embora seja categórico ao afirmar que prefere deixar faltar a mercadoria apresentada com reajuste, o executivo garante que a reposição está sob controle.

“Estamos fazendo com os fornecedores a calibração do estoque, o ajustando para não deixar faltar produtos. No quadro geral, excetuando a reposição do álcool gel, não temos problema”, assegura.

Com uma carteira de 220 mil clientes e cobertura nacional, a empresa contabiliza, neste momento, aumento de vendas entre 12 e 25%, com base no mesmo período do ano passado. Para o executivo, a atual alta reflete uma antecipação de compras gerada pelo medo das pessoas.

Para manter a operação sob controle, a empresa adota a estratégia de reuniões diárias para avaliar a operação e buscará soluções para problemas expostos pelas áreas. “Analisamos conjuntamente os problemas. Temos comitê de crise e um processo de governança bem definido para que as decisões sejam tomadas de forma responsável e com conhecimento de impacto”. acrescenta.

Flávio Martins, CEO do Grupo Martins

O CEO critica medidas adotadas por estados que dificultam a distribuição e de forte restrição do comércio. E defende um plano de ação do setor público que contemple a área da saúde conjuntamente com a economia, para evitar grau acentuado de falência e maior aumento do desemprego. “As pessoas precisam trabalhar. Entendo que é preciso ter ações coordenadas para tratar os doentes, para a área da saúde. Mas não se pode travar a economia. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você. Precisamos olhar para além do abismo”, diz ao citar a célebre frase do filósofo Friedrich Nietzsche.

Em paralelo às medidas de manutenção do abastecimento, o grupo adotou medidas de proteção dos colaboradores no início de março, estabelecido a partir de consulta ao Ministério da Saúde e ações adotadas por países que enfrentem à pandemia. Foram afastados trabalhadores acima de 60 anos, imunodeficientes, diabéticos, cardíacos, grávidas e mães de filhos com até 14 anos, entre outros. Nenhum funcionário foi posto em férias, diz o CEO. Parte deles está de licença e outros estão atuando em sistemas de home office e de teletrabalho, experiência que começou com 50 vendedores (como teste) e adotado agora na integralidade no televendas, para o grupo de 450.

Grande parte dos representantes também realizam teletrabalho na sua residência, munidos dos meios digitais. Antes do combate ao coronavírus, o Martins já estava incentivando as vendas, dos representantes, pelo canal digital, telefone, whatsapp para expandir a base de clientes, restringindo a visita a poucos, quando necessário.

“Hoje, o nosso desafio é proteger as pessoas, garantir o abastecimento e proteger o caixa”. A empresa tem uma política de concessão de crédito aos clientes, sendo que muitos dos quais hoje estão com as portas fechadas, como lojas de material de construção e outras instaladas em shopping.

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