Atacadista e Distribuidor, é hora de se conectar com um novo varejo !  

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*Por Eduardo Terra

Em um de meus artigos anteriores, mostrei como a pandemia acelerou de vez o e-commerce no Brasil. Nos últimos meses, todos precisaram, de alguma forma, pensar se precisavam realmente sair de casa para comprar. Com isso, o consumidor, que já pesquisava produtos e navegava no ambiente digital, ampliou seu consumo online durante os meses de isolamento social.

O resultado é uma dramática mudança no comportamento dos clientes. Tem havido, por exemplo, uma forte adoção de meios digitais de pagamento: durante a pandemia, 58% dos consumidores alteraram os meios de pagamento que utilizam em suas compras em lojas físicas, sendo que 35% substituíram o uso de dinheiro vivo por cartões de débito. ( Pesquisa Meios de pagamento SBVC ).

Não pense que esse é um movimento que chegou ao fim. O PIX acabou de entrar em operação, abrindo a possibilidade de pagamentos instantâneos em qualquer lugar, em qualquer dispositivo. A interoperabilidade e o Open Banking são outras medidas que vêm sendo desenvolvidas pelo Banco Central e que terão um grande impacto sobre a maneira como o consumidor se relaciona com o dinheiro.

Eduardo Terra, presidente da SBVC

Esse movimento de digitalização vem sendo acompanhado pelo varejo. A maioria das empresas mudou suas estratégias de meios de pagamento nos últimos 12 meses, acelerando o uso de carteiras digitais, QR Codes e sistemas de cashback. Entre 2018 e 2020, essas soluções deixaram de ser tendência e se tornaram uma realidade: 62% das empresas oferecem opções de pagamento móvel, contra apenas 13% dois anos atrás.

Antes da pandemia, era possível dizer que a digitalização do varejo estava concentrada nas grandes empresas. A crise deste ano, porém, fez com que todas as empresas acelerassem sua transformação digital. Mesmo o pequeno varejista, que nem sempre possui um ecommerce, descobriu outras oportunidades, como a integração com marketplaces, o uso de aplicativos de delivery e a ativação dos consumidores a partir do WhatsApp.

Especialmente em segmentos como o food service, a retomada da economia será alavancada pela digitalização dos negócios. O varejo se tornou mais ágil e capaz de se conectar melhor com os clientes, em um caminho sem volta.

Toda essa digitalização chega ao atacado e distribuição, que precisam estar atentos para aproveitarem as oportunidades que surgem. Entre essas oportunidades estão:

  • Uso mais intenso dos dados para entender melhor as demandas dos varejistas e dos consumidores finais, levando a estratégias de reposição mais eficientes;
  • Investimentos mais assertivos para a realização de ofertas e promoções que sejam mais relevantes para os clientes;
  • Uso de um mix de alavancas promocionais, como cashback e programas de pontos, para impactar o varejista e os consumidores finais, obtendo vendas maiores e mais rentabilidade.
  • Conexão mais frequente com o varejo e os consumidores, uma vez que não é mais preciso esperar o cliente ir à loja para fazer contato com ele. Cada vez mais, por sinal, quem for passivo vai ficar para trás: é preciso se fazer presente, comunicando com o cliente por meio das plataformas digitais para entregar soluções para seus problemas.

A digitalização do atacado e da distribuição aumenta a oportunidade que o setor tem para ser um parceiro do varejista. Atualmente, o pequeno e médio varejo tem uma grande dificuldade em entender as transformações, mas tenta se adaptar da forma como é possível. Por ter uma visão mais ampla do que acontece em todo o mercado, o atacadista tem o potencial de conectar experiências e identificar tendências mais rapidamente. Assim, ele pode orientar a evolução do varejo e acelerar a digitalização do setor.

Para isso, porém, ele precisa fazer sua lição de casa. Por isso, é hora de acelerar a digitalização do setor atacadista/distribuidor e aumentar ainda mais a conexão com seus parceiros varejistas.

*Eduardo Terra é presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e colunista do Portal Newtrade.
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