Assaí acredita que setor será o menos afetado em 2021 e estuda venda on-line

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O comando da rede de atacarejo Assaí disse na terça-feira, em teleconferência com analistas, que projeta um 2021 positivo mesmo num ambiente de incertezas econômicas pelo fato de a operação ter preços mais competitivos no mercado. Mas a empresa ressalta também que o segmento de venda para empresas, como bares e restaurantes, continua afetado pelo “abre e fecha” dos pontos no país.

“Em 2021 ainda vemos muitas incertezas e oscilações, mas os dados da Nielsen, que são públicos, mostram setor como aquele que mais cresce no alimentar, crescendo 25% em janeiro e nós estamos acima disso. Então pelo foco em preço baixo, será o menos impactado”, disse Belmiro Gomes, presidente do Assaí.

Segundo Gomes, a companhia verifica ainda algumas restrições de funcionamentos em cidades pelo país, por conta da pandemia (35 municípios essa situação na rede de cidades em que opera) e isso ainda deixa o cliente pessoa jurídica mais cuidadoso na hora de fazer seus estoques. Esse cenário tornou a empresa mais cautelosa em suas ações comerciais recentes.

“Há ainda uma limitação de circulação e isso nos deixa cautelosos em relação a agressividade comercial e margem [lojas têm trabalhado evitando fortes promoções que aumentem aglomeração]. Em 2021, se sentirmos necessidade [de ser mais competitivo], aí podemos ver se é preciso mexer nisso”, disse ele. A margem bruta do Assaí no quarto trimestre ficou está em 17,1%, frente a um ano atrás.

Gomes ainda disse que boa parte dos trabalhos de cisão do Grupo Pão de Açúcar (GPA) esteve no “back office” , já que em boa parte dos departamentos (marketing, comercial) as empresas já operavam separadas. E disse que os números do Grupo Éxito, operação da Colômbia que teve a incorporação iniciada pelo GPA em 2019, está em equivalência patrimonial no balanço.
A empresa fez hoje a sua primeira teleconferência com analistas separada do GPA, após ter seu pedido de listagem na B2 deferido dias atrás. A empresa se cindiu do GPA e acionistas do GPA receberam papéis do Assaí na mesma proporção que tinham do GPA. A negociação dessas ações será a partir de 1º de março. Com essa transação concluída, no futuro a empresa tem caminho aberto para fazer eventualmente ofertas de papéis na bolsa, na visão do mercado. Hoje, a empresa se financia com o próprio caixa. Ontem, a empresa publicou seus dados do quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 299 milhões no período, avanço de 31%. A receita líquida subiu 34%, para R$ 10,7 bilhões.

Vendas on-line

O Assaí estuda ações focadas no on-line que envolvem vendas às empresas. Além disso, a decisão de investir mais na área de serviços, como na instalação de açougues nas lojas, ocorrerá considerando os locais adequados para isso.

Sobre a operação de comércio eletrônico, Gomes foi perguntado por analista sobre o tema, e afirmou que o assunto está sendo “revisitado” e “virá novidade nesse sentido, mais voltado para B2B [venda para empresas]”, disse. O Atacadão, do Carrefour, começou a operar meses atrás na venda on-line, com atuação no “marketplace” (shopping virtual).

O executivo lembrou que a venda de perecíveis pelo on-line ainda é um desafio no país e que, quando a empresa era ligada ao GPA, o Extra e Pão de Açúcar já tinham venda pela internet, e uma iniciativa do Assaí na área poderia ser uma “autocanibalização”.

Para 2021, rede prevê abrir 28 novas unidades e inaugurar, 25, em média, entre 2022 e 2023, superior a média dos últimos anos. A companhia disse que 30% das despesas operacionais no quarto trimestre foram gastos com a cisão do GPA e isso não deve se repetir.
Sobre o avanço no segmento de serviços, assunto que já foi mencionado pela empresa junto a analistas em teleconferência semanas atrás, isso está sendo avaliando com cautela, onde fizer sentido. A empresa vem testando açougues em algumas lojas. “Há regiões onde vale ter serviços, em cidades em que isso é visto como um valor para o cliente, em cidades mais distantes. É algo que vemos com cautela, e olhando para isso dentro de um equilíbrio, de como isso realmente traz margem adicional”, disse Gomes.

Risco de conflito com o Extra

O Assaí não deixará de tomar as medidas estratégicas que considera adequadas por causa de uma competição com a rede Extra. A cadeia de atacarejo é controlada pelo GPA, que por sua vez tem no braço de operação do Extra hoje o seu principal negócio. Os conselhos de administração são separados em cada grupo, com parte dos membros comuns à ambas.

A companhia foi perguntada hoje por analista, em teleconferência, se vê risco de conflito com o hipermercado do GPA. “No operacional e comercial, empresas já operavam separadamente e em muitos casos competindo entre si. Entendíamos, por exemplo, que não por uma loja Extra e Assaí, uma perto da outra, um concorrente poderia por. Na nossa visão, hoje, se for adequado certa decisão para nosso cliente faríamos antes [quando era ligado ao GPA] e isso não mudou”, disse Gomes.

Sobre eventuais aquisições, ele disse só valeria uma análise de ativos se tivesse dificuldade de aberturas de lojas no país, o que não ocorre. E afirmou que o retorno sobre o capital investido é mais alto em inaugurações do que numa compra de pontos.

 

 

Fonte Valor Econômico
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