Restrição de caminhões gera alta de 20% no preço do frete

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Melhorar o escoamento de veículos nas cidades é pauta prioritária dos prefeitos nas metrópoles brasileiras. Para isso, a solução mais comum passa pela restrição do tráfego de caminhões em horário comercial, medida que encarece em 20% o valor do frete e prejudica abastecimento de varejistas e entrega porta a porta.

Repensar a locomoção em cidades com grande concentração de pessoas, de fato, é necessária, uma vez que hoje cerca de 84% da população vive nos grandes centros urbanos, somando 96,7 milhões de veículos, conforme dados do setor. Para o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, o problema é “continuar tratando o caminhão como o grande vilão”, afirma.

Para tentar reverter essa percepção, a entidade lançou ontem (16) um estudo para mapear o impacto das restrições. De acordo com a pesquisa, hoje, 200 municípios praticam algum tipo de restrição para o transporte de carga, mas poucos possuem alternativas para garantir que o abastecimento. “Temos uma profusão de restrições de porte e horário, mas, por outro lado, temos que continuar a abastecendo o varejo que funciona das 7h30 às 18h. A gente para o caminhão onde? Quem vai receber de noite? Quem garante a segurança da entrega noturna?”

Para Batista, essa “solução” encontrada por parte dos chefes dos executivos municipais tem se proliferado de modo pouco simétrico. “Nos preocupa essa profusão de restrições sem pensar de uma forma sistêmica, planejada e integrada. Como superar esse problema?”, questiona.

Luz no fim do túnel

Para Batista, a solução para melhorar o quadro atual é aprimorar as políticas públicas de trânsito, investir em infraestrutura, sinalização e fiscalização, ampliar vagas de carga e descarga e aumentar a segurança nas cidades “Entre outras providências para que o transporte de mercadorias em centros urbanos seja mais rápido, eficiente e de baixo custo”, complementa.

Em relação às barreiras, o estudo “Logística Urbana: Restrições aos Caminhões?” traz um panorama detalhado de como se comporta o trânsito em sete regiões metropolitanas: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Goiânia (GO), Recife (PE) e Manaus (AM).

De acordo com o levantamento, a falta de sinergia entre o poder público e os setores que representam os transportadores é o causador de boa parte dos problemas relatados. Na mesma métrica, a falta de estudos sobre impactos dos caminhões no trânsito também são empecilho.

“Esse problema está associado a uma ideia simplista de que a mera proibição ao trânsito de caminhões em determinadas zonas e vias resolveria os problemas de congestionamentos, poluição etc”, conta.

Outro destaque feito por ele e a necessidade de uma integração mais ampla, que envolva toda uma região. “É preciso melhorar a sinalização, divulgar com mais clareza as restrições e apresentar aos motoristas as rotas alternativas para o transporte” conta Batista.

Quem paga essa conta?
Com a maior dificuldade acessar os grandes centros, o custo para entrega nos centros dispara. Segundo a CNT, exemplo desse custo se dá na forma de calcular o frete. “Dois exemplos são a Taxa de Dificuldade de Entrega (TDE) negociada a partir de um piso de 20% sobre o valor do frete e a Taxa de Restrição do Trânsito (TRT) calculada em 15% do frete”, diz.

Além disso, a dificuldade de acesso aos locais deixa baixa a previsibilidade de entrega e aumenta a emissão de poluentes e ruídos. “Restrições mal planejadas podem acarretar congestionamentos, filas de descarga, aumento no número de viagens e ruídos em horários não convencionais”.

Fonte DCI
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