Restrição de crédito bancário aumenta busca por casas de factoring

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A demanda nas casas de factoring chegou a quase dobrar ante cenário de restrição de crédito bancário. O maior risco de inadimplência e o atual ambiente econômico colaboram para a alta da taxa de juros no mês, dizem especialistas.

Itor Finotelli, dono da Finotelli’s Fomento Mercantil, afirma que, com a maior seletividade por parte dos bancos, a demanda das casas de factoring por pequenas e médias empresas pode quase dobrar de quantidade.

“O nosso mercado está muito fértil em procura. A gente vê os bancos segurando mais o crédito e as empresas começam a recorrer para as companhias de factoring, principalmente essas micro e pequenas empresas que, a partir do momento em que tem o cheque devolvido, por exemplo, não conseguem mais o crédito bancário e passam, então, a depender exclusivamente de nós”, diz.

Segundo o João Costa Pereira, CEO da Brasilfactors, apesar da forte demanda, a redução do faturamento do mercado acaba impulsionando a pressão de risco, o que aumenta as taxas de juros.

“O que realmente está acontecendo é uma migração de crédito bancário para formas alternativas. Então temos os dois lados, por um lado, nós sentimos mais empresas recorrendo às factorings e FIDCs [Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios], por outro, há também mais pressão de riscos. Nós não temos apetite para suprir toda a demanda, porque o mercado não dá conforto pra isso, o que também pode explicar a alta de juros que observamos não somente no último mês, mas no período de um ano pra cá”, identifica o executivo.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os FIDCs alcançaram patrimônio líquido de R$ 83,3 bilhões em 2015, com um total de 504 fundos ativos no ano. O valor corresponde a uma alta de 11,8% em relação ao visto em 2014, que chegava a R$ 74,5 bilhões, com 459 fundos ativos.

Para Hamilton de Brito Junior, presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring do estado de São Paulo (Sinfac-SP), no entanto, a dificuldade das empresas de fomento mercantil, também está sendo aprovar a concessão de crédito.

“Com a maior demanda, temos clientes pelos quais teríamos que assumir um risco maior. O que acontece é que estamos com muito dinheiro sem aplicar, dificuldade de aceitar as novas demandas e sem cobrar a taxa maior dos clientes bons, para mantê-los. Temos que olhar não só para quem nos procura, mas para os papéis vendidos para entendermos o risco que isso representa”, avalia o presidente.

Dados da Associação de Factoring (Anfac) apontam que a taxa de juros alcançou os 4,68% nas variações vistas no período de um mês, com uma média baixa de 4,58% e alta de 4,72%.

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