Por que grandes empresas estão liberando a entrada de pets nos escritórios

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Tapetes higiênicos e potes com ração e água em pontos estratégicos do escritório. Embaixo da mesa, um cachorro dorme sem se importar com as ligações telefônicas e conversas da equipe. Em uma reunião, um miado acorda quem não estava prestando atenção à conversa. A rotina de uma empresa pet friendly — que permite a entrada de animais de estimação — parece, à princípio, agitada. E geralmente é. Mas também é alegre e graciosa.

Na sede da Royal Canin, em São Paulo, funcionários podem levar seus animais de estimação, mas é preciso respeitar uma agenda para que o escritório não receba muitos pets em um mesmo dia. Uma das preocupações é sobre a convivência entre cães e gatos — que costumam brigar se estiverem em um mesmo ambiente.

Para o bem-estar dos animais, algumas preocupações. As janelas do escritório não podem ser abertas e um comunicado, logo na entrada da empresa, avisa que “eles são bem-vindos” — mas serve também de alerta para que todos tomem cuidado ao abrir as portas e, principalmente, respeitem os bichinhos.

“Os pets promovem a interação dos funcionários e criam um ambiente de trabalho menos estressante”, diz John Van Wyk, presidente da Royal Canin do Brasil, em entrevista a Época NEGÓCIOS. “Tivemos um caso de funcionários de equipes diferentes que se conheceram por causa de seus cachorros.”

A presença dos animais, porém, não se restringe às empresas voltadas ao mercado pet. Eixo financeiro de São Paulo e casa de algumas das grandes fortunas do Brasil, a avenida Faria Lima também é lugar de cachorro. No Google Brasil, os cãezinhos estão liberados desde 2013 — gatos, ainda não. “A afeição do Google por nossos amigos caninos é uma faceta integral da nossa cultura corporativa. Nós gostamos de gatos, mas somos uma ‘empresa de cachorros’, por isso, como regra geral, acreditamos que gatos que visitarem nossos escritórios poderão ficar bastante estressados”, explica a empresa.

Como a Royal Canin, o Google também tem regras para funcionários que desejam levar o amigo canino ao trabalho: o animal não pode ser grande (o dono tem de poder carregá-lo no colo), os vizinhos de trabalho devem concordar com a presença e ele não pode andar sozinho pelo escritório, tampouco por áreas comuns, como refeitórios, banheiros e cafés.

De acordo com a gigante de tecnologia, os cachorros têm o poder de fazer os funcionários mais felizes, relaxados, produtivos e criativos. “Quem não sorri quando vê um lindo cachorro?”, questiona a companhia.

“A presença dos animais na empresa faz o ambiente ser mais alegre e divertido e contagia toda a equipe”, diz Tathy Fonseca, diretora de assuntos corporativos da Royal Canin Brasil. A executiva leva seu cachorro, Chico, semanalmente ao escritório.

Burocracia no condomínio

Ainda que o modelo pet friendly esteja ganhando espaço no país, uma barreira burocrática ainda afasta o Brasil de exemplos internacionais: as normas condominiais.

Como grande parte das empresas possui escritório dentro de prédios comerciais, as regras de cada condomínio devem ser respeitadas, entre elas não entrar e permanecer com animais de estimação nos escritórios.

“Estamos pedindo para as administradoras de condomínio reverem seus estatutos com base em estudos científicos que comprovam as vantagens dos pets no ambiente de trabalho”, afirma Patrícia Moraes, proprietária da Olá Pet! Vivências Pet Friendly, consultoria para empresas que desejam receber animais de estimação em seus escritórios.

Na avaliação da executiva, que também atua como bióloga, a convivência com os animais melhora as relações interpessoais, reduz a ansiedade e o estresse e estimula um ambiente de trabalho mais alegre e acolhedor. “Se o mercado tivesse uma gestão pet friendly, polêmicas que envolvem a agressão de animais e grandes marcas não aconteceriam”, destaca.

Esse é de casa

O Grupo Zap pode não receber pets da equipe em seu prédio, já que seus funcionários transitam muito pelos 11 andares do prédio (e teriam de levar seus animais para todos os lados o tempo todo). Mas a companhia conta com seu próprio mascote, a cadela Dalila, que até faz parte do quadro de funcionários.

A vira-lata preta foi adotada pela equipe há três anos — após ter filhotes na rua — e contratada como “digitAU influencer”. Ela participa ativamente das redes sociais da companhia e tem até mesmo um Instagram próprio, com mais de 670 seguidores.

A mascote, segundo Rafael Lourenço, coordenador de endomarketing do Grupo Zap, tem um gramado no térreo do prédio para tomar sol e fazer as necessidades, mas geralmente passa o dia de mesa em mesa brincando com os funcionários.

Após a “contratação” da Dalila, o grupo também passou a promover o Dalila’s Day, festa anual em que os funcionários levam seus pets à empresa e promovem uma campanha de adoção em parceria com uma ONG. Na edição de 2018, 20 cães foram adotados por funcionários e visitantes. “Ter um animal na empresa traz mais qualidade de vida para toda a equipe. Quando estamos em uma reunião tensa, ela mostra a barriguinha e damos risada. É uma festa compartilhada”, garante Lourenço.

Fonte Época Negócios
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