O que diferencia as pessoas ocupadas das realmente produtivas

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Ser produtivo talvez esteja entre os grandes desafios da vida contemporânea. Com a separação entre vida pessoal e profissional cada vez mais tênue, não é simples equilibrar o tempo de trabalho, compromissos sociais e uma vida digital que perpassa todas essas áreas. A busca por ser eficiente em casa, no trabalho e nos momentos de lazer é constante. Qual a melhor forma de alcançar isso?

É nesse desafio que tocam os trabalhos recentes de Charles Duhigg, jornalista de negócios do The New York Times e autor de best-sellers como Mais Rápido e Melhor e O Poder do Hábito. Duhigg, que já levou um prêmio Pulitzer por uma série de reportagens sobre o modelo de negócios da Apple, mergulhou em estudos sobre processos neurais para a tomada de decisões e, com base em exemplos simples – que usam a indústria cinematrográfica ou a hierarquia militar, – criou roteiros para ajudar pessoas comuns a deixarem de “estar sempre ocupadas” e passarem a “ser produtivas.”

“A maior diferença que separa as pessoas produtivas das demais é que elas têm a capacidade de se forçar a pensar de maneira diferente, mais profunda. Em uma época em que parar para pensar é muito difícil, em função do alto nível de pressão que sofremos e do grande número de coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo, isso é um diferencial”, explicou Duhigg, em entrevista a Época NEGÓCIOS, durante passagem recente pelo Brasil para participar de evento da HSM. Para ele, não se trata simplesmente ter ideias melhores ou executar tarefas rotineiras mais rapidamente. O importante é “desafiar a si próprio”.

Isso pode ser conquistado a partir de hábitos simples, mas que funcionam para conduzir nosso foco de maneira que nos concentremos em uma atividade. Pode acontecer a partir da escrita, por exemplo. “Uma das coisas que as pessoas fazem para serem mais inovadoras é escrever o que querem fazer, ou mesmo descrever o que aprenderam com um amigo, com seus cônjuges, escrever qualquer informação nova. O ato de escrever ajuda a processar a informação e cria a conexão entre suas ideias”, aponta.

Como a produtividade salvou Frozen – Reciclando Ideias

Um exemplo de como esse processo de coletar ideias, anotá-las e compará-las pode levar a avanços está em um dos maiores sucessos recentes do cinema, Frozen. Segundo Duhigg, a animação da Disney teve antes da versão levada às telas e consagrada pelo público outro roteiro, em que Elsa seria a vilã e Anna seria salva, no final, por Kristoff. Mas, como sabemos, a história acabou sendo outra.

Na época, os diretores Chris Buck e Jennifer Lee contaram que, ao ler o roteiro pronto, tiveram uma grande impressão de estar olhando para uma história já contada diversas vezes. O que fizeram, então, foi uma nova rodada de captação de ideias, pedindo para funcionários da Disney lhe contarem histórias que fossem simples e lhes trouxessem novas ideias. Duhigg, que conversou com a equipe do filme para entender o que houve, diz que o que a equipe de Frozen fez foi criar um processo que aproveitasse velhas ideias de forma nova em um espaço curto de tempo e resultasse em algo impactante. Pura produtividade.

“Já havia uma história de princesas escrita. Então, alguém citou histórias sobre irmãs. Logo, veio a ideia de combinar os dois casos: uma história sobre princesas e a história das duas irmãs. Eles desbloquearam sua criatividade, porque então podiam fazer coisas como ter irmãs princesas salvando uma a outra. É simples, mas eles precisavam desse processo de sentar e se questionar: ‘Como podemos pensar mais profundamente sobre velhas histórias que ouvimos para inventar algo novo?’”

Listas e lembretes – Escolha as tarefas

Outra evidência do quão multitarefas nos tornamos são as listas e lembretes de tarefas que fazemos. Sejam as pendências do trabalho, as contas a pagar ou as obrigações domésticas no pouco tempo que sobra, fato é que se lembrar de tudo é um sonho cada vez mais distante. Mas, se escrever o que pensamos é bom por um lado, no caso de listas, costumamos fazê-las do jeito errado, diz o jornalista.

“A maioria de nós escreve longas listas, pois precisamos fazer isto como uma forma de manter o controle de tudo e memorizar o que precisamos fazer. Mas as pessoas que são muito produtivas geralmente têm em suas listas só as duas ou três coisas mais importantes. Em vez de usar a lista de afazeres como um suporte para a memória, eles a usam como uma forma de determinar prioridades e resolver mais rapidamente o que é mais urgente”, diz.

Nesse processo, está inserido outro elemento que, segundo Duhigg, nos permite ser mais produtivos: fazer escolhas. Em outro dos exemplos trazidos em seu livro, ele conta os fuzileiros navais norte-americanos não são ensinados apenas a obedecer ordens. Os recrutas precisam também refletir sobre o que podem fazer e como podem fazer escolhas “com tendência para a ação”.

“É como eles ensinam a automotivação: transformar uma ordem em uma escolha. Se eu disser que algo precisa ser feito em tanto tempo, mas não disser como, você precisará fazer uma série de escolhas. Terá que decidir ao menos por onde começar. E é mais provável que você faça isso corretamente”, afirma Duhigg. Assim, “adolescentes desorientados” que estavam iniciando sua vida militar foram transformados em pessoas capazes de tomar decisões difíceis em tempo bastante reduzido – exatamente como acontece na guerra ou nos negócios.

Fonte Época Negócios
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