Como identificar se a sua carreira roubou a sua identidade

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Você deveria estar feliz: depois de alguns anos, finalmente conseguiu o cargo almejado. Mas o cenário é diferente: você chega ao escritório, e o coração acelera. Você tem vontade de voltar para casa, vestir o pijama, sentar no chão do banheiro e chorar. Essa cena é comum principalmente em cargos de alta pressão.

Janna Koretz, psicóloga e colunista da Harvard Business Review, afirma que muitos funcionários não encontram satisfação em seu trabalho e atual cargo — mesmo que, um dia, esse tenha sido o maior objetivo deles.

O motivo, diz Janna, é que a carreira se tornou a identidade do funcionário. Daí, vem a sensação de esgotamento e infelicidade. E questionamentos como: “Quem sou eu? Valeu a pena ter perdido tantos anos trabalhando por isso? Será que eu teria mais amigos e uma família mais feliz se não tivesse passado tantas noites no escritório?” passam a ser comuns. Saiba por que a algumas carreiras afetam a saúde mental:

Quanto mais tempo você trabalha, mais prestígio você tem — e é recompensado com aumento salarial e promoções. Muitos funcionários passam cada vez mais tempo vinculados ao trabalho após o expediente, como ao acompanhar o e-mail corporativo pelo celular — esse é o preço, segundo Janna, que muitos pagam para ter sucesso na empresa. “No entanto, quando você se envolve em uma atividade intensa durante suas horas livres, essa atividade tende a se tornar cada vez mais central à sua identidade”, diz a especialista.

Certas carreiras são valorizadas na família. Se não alcançar o cargo almejado pelos familiares, algumas pessoas se sentem desconectadas deles. Então, o medo do fracasso e do isolamento leva as pessoas a centralizar suas vidas em alcançar o que é esperado pela família. Esse intenso foco e impulso, no entanto, força suas identidades a se tornarem sinônimos de seu trabalho.

Quando trabalhos de alta pressão têm um bom salário, os funcionários passam a fazer parte de uma classe socioeconômica maior. “Nossas identidades são influenciadas pela forma como nos apresentamos aos outros. Quando alguém forma uma identidade focada em riqueza, conquista e influência, vincula-se à carreira de altos salários que os levou até lá”, afirma Janna. Mais uma vez, a carreira torna-se o centro da vida do funcionário.

Então, como você pode descobrir se sua carreira se tornou a sua identidade? Considere as seguintes perguntas, listadas por Janna:

1. Você pensa em trabalho quando está fora do escritório?

2. A maior parte de seus pensamentos é sobre trabalho?

3. É difícil conversar sobre assuntos que não sejam relacionados ao seu trabalho?

4. Como você se descreve? Quanto desta descrição está relacionada ao seu trabalho, cargo ou empresa? Existem outras maneiras pelas quais você se descreveria?

5. Com que rapidez você diz às pessoas que acabou de conhecer sobre seu trabalho?
Onde você passa a maior parte do seu tempo? Alguém já reclamou que você está no escritório demais?

6. Você tem hobbies fora do trabalho que não envolvem diretamente suas habilidades relacionadas ao trabalho?

7. Você é capaz de gastar o seu tempo exercitando outras partes do seu cérebro?

8. Como você se sentiria se não pudesse mais continuar em sua profissão? Quão angustiante isso seria para você?

Se essas perguntas fizerem com que você se preocupe com o grau em que seu trabalho influencia em sua identidade, há algumas coisas que você pode fazer para iniciar a mudança:

1. Tenha tempo livre

Delegue tarefas no trabalho e preencha esse tempo com atividades que não sejam relacionadas ao trabalho.

2. Comece pequeno

Para suas novas atividades fora do trabalho, comece pequeno e experimente alguns hobbies nos quais você está de olho. Você não precisa se comprometer com nada a longo prazo; a ideia é explorar coisas novas que você pode querer integrar à sua vida e à sua identidade. Por exemplo, se você quiser se exercitar mais, não se inscreva para uma maratona. Comece a caminhar no trajeto do trabalho ou fazer uma pausa durante o almoço, uma ou duas vezes por semana. Pequenas mudanças como essa são mais fáceis de serem realizadas e, com o tempo, podem resultar em um ciclo virtuoso de aprimoramento e comprometimento.

3. Reconstrua sua rede

Entre em contato com amigos e familiares para revitalizar seus círculos sociais. Você vai se divertir e, ao mesmo tempo, estabelecer uma rede de amigos. Não é preciso muito; pesquisas recentes sobre amizades com adultos mostraram que ter apenas três a cinco amigos íntimos está associado aos mais altos níveis de satisfação com a vida.

4. Decida o que é importante para você

Estabeleça e revise seus princípios e valores. O que é mais importante para você? Pense no que você mais gosta na vida e deixe que essas prioridades o guiem para o que vem a seguir. Os terapeutas costumam usar um processo chamado “clarificação de valores” para ajudar seus clientes a pensar no que é mais importante para eles. Esse processo envolve refletir sobre a direção desejada em áreas como relacionamentos, comunidade, carreiras e parentalidade e classificá-las em termos de importância para você.

5. Olhe além do seu cargo

Considere reformular o seu relacionamento com a sua carreira, não apenas em termos de sua empresa ou cargo, mas em termos de suas habilidades que poderiam ser usadas em diferentes contextos. Por exemplo, muitos psicoterapeutas que se cansam de ver os clientes acham que suas habilidades se traduzem bem em gestão de recursos humanos ou aconselhamento de orientação.

Ao reivindicar algum tempo e diversificar suas atividades e relacionamentos, você pode construir uma identidade mais equilibrada e robusta, de acordo com seus valores.

Fonte Época Negócios
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