Supermercados: o que deve mudar na próxima década

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Entre altos e baixos, o setor de supermercados tem vivenciado e sobrevivido a intensas transformações no comportamento do consumidor nos últimos anos, além dos efeitos da crise econômica brasileira.

No entanto, é possível dizer que inovação e tecnologia também exercem uma mudança global neste mercado que movimentou R$ 355 bilhões em 2018, no Brasil. Os atacarejos têm ganhado cada vez mais espaço na preferência dos clientes e pequenas lojas de vizinhança se multiplicam pelos bairros residenciais.

Nos Estados Unidos, o Walmart captura cerca de 25% de todos os gastos em supermercados americanos, enquanto a Amazon tenta avançar por meio da WholeFoods num setor que movimenta U$ 900 bilhões. Na Europa, a tecnologia já impera. Além dos caixas de autoatendimento, muito comum nos supermercados, também é muito comum encontrar uma espécie de totem em que o consumidor pode apertar um botão para chamar um atendente da loja. Esses profissionais auxiliam no esclarecimento de dúvidas sobre produtos, retiram itens de prateleiras altas demais para alguns clientes, entre outras funções. Além disso, muitas lojas oferecem a possibilidade de clique e retire, que ainda não vingou no Brasil.

De olho nessas tendências, a consultoria internacional CBRE, com sede em Los Angeles, em seu relatório “2019 Food in Demand”, antecipa algumas previsões para o setor supermercadista para a próxima década. O material indica que enquanto os varejistas deste ramo estão se esforçando para se adaptar às mudanças das preferências dos consumidores, com novos formatos de lojas, automação e demanda por serviços de entrega, os investidores imobiliários parecem querer manter o supermercado como âncora de shopping centers.

“A loja física continuará a existir e a ser o centro de vendas de alimentos, mas seu formato e função serão reformulados por vários fatores nos próximos anos”, diz Melina Cordero, chefe global de pesquisa de varejo da CBRE, no texto do relatório. “Os operadores de supermercado devem diversificar sua oferta para competir melhor, o que levará a formatos variados de lojas para diferentes mercados, sortimentos não tradicionais e um foco ainda maior na conveniência do cliente”.

Inovações tecnológicas

O material aponta que, possivelmente nesta década, boa parte dos caixas tradicionais serão substituídos por avanços tecnológicos que incluem carrinhos com scanners de código de barras e swipers de cartão de crédito, aplicativos de pagamento móvel, sensores e câmeras de peso e robôs de varredura de mercadorias. A CBRE acrescentou que o rastreamento de inventário ocorrerá nas prateleiras, e o espaço dos checkouts liberados pode ser usado para outras funções, como coleta de compras.

Assim, sem o escaneamento nas caixas os clientes compram e pagam sem aguardar em uma fila. Empresas estão usando essa tecnologia para rastrear compras usando câmeras aéreas que acompanham os clientes em toda a loja e sensores inteligentes de prateleiras que rastreiam quando os itens são selecionados ou recolocados.

Vendas on-line não substituirão as lojas físicas

Grande aposta do varejo, o mercado das compras on-line terá crescimento nos próximos cinco anos, mas os custos e os desafios operacionais com a logística de alimentos manterão esse tipo de venda bem abaixo das outras categorias de varejo. As lojas físicas devem fortalecer sua operação e melhorar as vendas e os lucros à medida que investirem em leiaute, design, produtos e serviços.

Principais redes focarão em conveniência

As redes mais importantes do setor veem um forte potencial de crescimento na operação de lojas menores em áreas urbanas e densas com foco em oferecer conveniência, como, por exemplo, refeições preparadas. O relatório indica que muitas redes já perceberam que perderão vendas se não se concentrarem na conveniência e na boa experiência do cliente, particularmente diminuindo seu tempo de permanência na loja.

Mais vendas

As vendas do setor brasileiro de supermercados registraram aumento de 3,22% de janeiro a setembro de 2019 em comparação a igual período de 2018, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Ao mesmo tempo, o relatório da CBRE aponta que as vendas dos supermercados americanos em todos os seus formatos, totalizaram U$ 743 bilhões neste mesmo período, um aumento de 3,5%. De acordo com o material, esses números reforçam certa estabilidade do setor, pois a baixa penetração do comércio eletrônico na alimentação manteve a maior parte do crescimento nas lojas físicas e manteve as margens de lucro que foram reduzidas em muitos outros segmentos.

Refeições preparadas ganharão mais espaço

O relatório aponta entre as preferências do consumidor produtos como o heat-and-eat (esquente e coma) pela facilidade de preparar, em que o cliente simplesmente reaquece a refeição. Esse tipo de produto pode ser mais lucrativo, pois proporciona margens mais altas.

Agregar outros negócios

Adicionar produtos e serviços com margens mais altas. Enquanto alguns adicionaram à loja refeições pré-preparadas, há quem também esteja pensando em como agregar um outro negócio à loja. Parcerias com marcas fortes, voltadas para a saúde e estilo de vida, como academias, apresentam oportunidades particularmente boas para os supermercados.

Fonte Diário do Comércio
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