Perdas respondem por 2,05% do faturamento dos supermercados

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Por Adriana Bruno

A expressão popular “dinheiro indo pelo ralo” traduz bem o tamanho do problema que o varejo tem com perdas, sejam elas por roubos e furtos internos ou externos, quebras operacionais, erros de cadastro, ruptura, entre outros, o fato é que elas causam um impacto e tanto no faturamento das empresas.

Prevenir perdas é um dos grandes desafios para gestores do varejo, especialmente o alimentar, um dos mais afetados pelo problema. Segundo pesquisa apresentada ontem (27) pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), as perdas nos supermercados representam 2,05% do faturamento das lojas. De acordo com a Abrappe, a liderança no ranking da pesquisa já era esperada dadas as particularidades do segmento. E nesse cenário o setor de perecíveis influencia diretamente na perda do setor, sendo responsável por cerca de 45% do total de perdas. Em valores relativos houve um aumento de 0,11% em relação ao ano passado.

Logo abaixo dos supermercados, as perfumarias anotaram 1,92% de perdas, contra 0,70% em 2017. Um aumento significativo que tem como principal fator as quebras operacionais e os furtos internos e externos que respondem por 64% do índice total.

O estudo realizado em parceria com a consultoria EY considerou 12 segmentos: Atacados e Atacarejos, Calçados, Construção/Lar, Drogarias, Eletro/Móveis, Esportes, Livrarias/Papelarias, Lojas de Departamento, Magazines, Moda, Perfumarias e Supermercados e foi apresentado durante o durante o 2º Fórum Abrappe de Prevenção de Perdas. Juntos, os 12 segmentos contabilizaram em 2018, perda média de 1,38% do faturamento total do varejo restrito de R$ 1.55 trilhão de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contra 1,29% de 2017, ou seja, um aumento de 7% de um ano para o outro. A perda projetada para todo o varejo é de aproximadamente R$ 21,46 bilhões.

Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe e curador da pesquisa

Dados que assustam diante de um problema que parece estar longe de ser resolvido. Segundo Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe e curador da pesquisa, prevenir perdas é sempre um grande desafio para as redes varejistas e mesmo as indústrias. “O resultado da perda do varejo obtida na pesquisa desse ano interrompeu a série de redução dos últimos três anos. Em 2017 o índice de perda foi de 1,29%, em 2016 1,32% e em 2015 1,40%. Esse crescimento da perda pode ser parcialmente explicado analisando o do cenário econômico vivenciado no ano passado, como o otimismo e apetite de investimento para parte dos empresários foi maior em relação a 2017, muitas empresas investiram em níveis de estoques mais altos, porém a venda não aconteceu de acordo com as expectativas e quando isso acontece o estoque perece, seja pela quebra operacional ou por reduções de margem através de reduções de preço”, explica. O atacarejo aparece em sétimo lugar, com índice de perdas de 0,99%.

Fatores que levam às perdas

As quebras operacionais aparecem na liderança da pesquisa como uma das principais responsáveis pelas perdas para diversos segmentos do varejo. Para Santos, porém, um bom trabalho de gestão de estoques através do registro das causas antes do descarte físico do produto, pode gerar informações importantes para um diagnóstico mais preciso e dessa forma, gerar um resultado de redução de curto prazo. “Dentre as causas, o vencimento é o maior ofensor com uma participação de 24% sobre o total das quebras na média, sendo drogarias o setor mais impactado com um resultado de 65% de participação sobre o seu respectivo resultado. Deterioração e Perecibilidade aparecem em segundo lugar com um resultado de 18% em razão da influência dos supermercados”, destaca o presidente da Abrappe.

A pesquisa apresenta as causas das perdas separadas por segmentos e os que mais influenciaram nessa participação foram: Atacarejo, Supermercados e Drogarias, em razão de possuírem produtos que estão mais suscetíveis a problemas de perecibilidade, armazenamento, vencimento e avarias. Para Santos, nesse tipo de causa, as perdas são tratadas por meio de uma melhor gestão nos processos operacionais e com adoção de tecnologia. “Um bom trabalho de gestão de estoques através do registro das causas antes do descarte físico do produto, pode gerar informações importantes para um diagnóstico mais preciso e dessa forma, gerar um resultado de redução de curto prazo”, diz.

A pesquisa da Abrappe aponta que dentre as causas, o vencimento é a principal com uma participação de 24% sobre o total das quebras na média, sendo drogarias o setor mais impactado com um resultado de 65% de participação sobre o seu respectivo resultado. Deterioração e Perecibilidade aparecem em segundo lugar com um resultado de 18% em razão da influência dos supermercados.

Os furtos (interno e externo) tiveram maior participação nos segmentos, eletro/móveis, magazines e moda. “Esses setores são menos afetados por quebras operacionais, porém possuem produtos com grande atratividade para furtos e fraudes. Para combate dessas perdas, prevalece os investimentos em tecnologias”, comenta Santos.

Há ainda outros tipos de perdas, como as decorrentes de operações de crédito, por exemplo. As perdas decorrentes do crediário, por exemplo, apresentaram um índice de 0,57% sobre o faturamento líquido das empresas. Já prejuízo causado pelo recebimento de dinheiro falso representou 0,37% do faturamento.

Prevenção de perdas

Segundo o texto da Abrappe, parte fundamental em uma gestão de prevenção de perdas, o inventário deve ser realizado periodicamente, de acordo com o planejamento da própria gestão ou com a orientação de empresas especializadas. “No caso dos inventários rotativos das lojas, em sua maioria são realizados diariamente e pela equipe própria da loja. Nos centros de distribuição o cenário de inventários totais e rotativos são semelhantes, onde prevalecem as contagens pela equipe própria”, explica Santos.

Porém, ainda existe uma parcela importante de empresas que não realiza inventários rotativos (18% nas lojas e 17% nos CD’s) muitas vezes pela inexistência de sistema, recursos operacionais e/ou previsão orçamentária para realização dessa atividade. “Processos de inventários mais informatizados (exemplo: RFID, Coletores, Smart Labels), treinamentos constantes, acompanhamento de movimentação e rastreabilidade, aplicação de controles de monitoramento contínuo são exemplos de boas práticas que podem melhorar esses indicadores”, comenta Santos.

Os processos de inventários informatizados são importantes também para prevenir a ruptura nas lojas. A falta de produto no momento da compra pode representar muito mais do que uma venda não realizada e sim a insatisfação do cliente com o ponto de venda, levando o mesmo para a concorrência.

Tecnologia

A pesquisa da Abrappe destacou que em relação as tecnologias, praticamente todas as empresas utilizam CFTV, ou circuito fechado de televisão para monitoramento da loja. “A aplicação de tecnologias emergentes disruptivas, que tem por objetivo colocar o cliente no centro da atenção, podem beneficiar diferentes áreas do varejo. As adoções dessas inovações podem ser impulsionadas pela área de prevenção de perdas tendo por objetivo impactar positivamente na redução do índice de perda total”, destaca Santos.

Já a contratação de seguranças é o serviço mais utilizado pelas empresas varejistas, principalmente para a proteção de ativos das lojas e Centros de Distribuição. “Nas lojas são utilizados para monitorar acessos e estacionamentos com o objetivo de inibir possíveis crimes. Nos Centros de Distribuição, são utilizados na portaria, controle de acessos, monitoramento das áreas externas e internas, revistas em pertences pessoas entre outras atividades”, finaliza Santos.

 

Índice de Perdas por segmento
  1. Supermercados – 2,05%
  2. Perfumarias – 1,92%
  3. Esportes – 1,80%
    Moda – 1,18%
  4. Drogarias – 1,09%
  5. Construção/Lar – 1,02%
  6. Atacarejo – 0,99%
  7. Livrarias/Papelarias – 0,91%
  8. Magazines – 0,88%
  9. Calçados – 0,70%
  10. Lojas de Departamento – 0,62%
  11. Eletro/Móveis – 0,46%
  12. Média do varejo – 1,38%
Causas
  1. Quebras operacionais – 36%
  2. Furto externo – 20%
  3. Erros de inventário – 13%
  4. Furto interno – 11%
  5. Erros administrativos – 9%
  6. Outros – 4%
  7. Fraudes de terceiros externos – 3%
  8. Fraudes de terceiros internos – 3%
  9. Cadastro de produtos – 2%
Índices de quebras operacionais
  1. Vencimento – 24%
  2. Deterioração/Perecibilidade – 18%
  3. Produto danificado por funcionário – 12%
  4. Produto danificado pelo cliente – 11%
  5. Armazenamento inadequado – 9%
  6. Outros – 8%
  7. Embalagens violadas – 8%
  8. Exposição inadequada – 5%
  9. Produto esquecido/perdido – 4%
  10. Refrigeração – 3%
Tecnologias utilizadas na prevenção de perdas
  1. CFTV – 97%
  2. Alarmes de presença – 69%
  3. Ferramentas de BI (relatórios de exceção) – 54%
  4. EAS (antenas antifurto) – 52%
  5. Ferramentas de checklist web – 48%
  6. Central única de monitoramento de alarmes – 43
  7. Central única de monitoramento de imagens – 43%
  8. Cadeados eletrônicos – 24%
  9. Gestão de temperatura – 22%
  10. Portal web Prevenção de Perdas – 21%
  11. Software de monitoramento de caixa – 20%
  12. Gerenciamento de energia – 8%
  13. Outros – 7%
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