Corrida de clientes aos mercados fez crescer perdas de leite, bebidas e perecíveis no PDV

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Filas e mais filas de pessoas, com carrinhos cheios de produtos e lojas completamente lotadas. Essa cena tornou-se comum nos supermercados nos últimos dias, quando governos estaduais e municipais adotaram a quarentena para combater a disseminação do covid-19 (coronavírus) pelo país. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), houve um aumento de até 50% na movimentação de clientes em determinados períodos. Se por um lado esse crescimento abrupto de consumidores e o volume grande de compras ampliaram as vendas dos varejistas, por outro também aumentaram as perdas na frente de caixa (PDV).

Um levantamento da área de monitoramento da Gunnebo, empresa que é referência em soluções para a proteção eletrônica no varejo, aponta que as perdas no PDV cresceram, tanto em valor nominal quanto em quantidade, no período do pico das compras quando comparadas antes da crise. Os dados foram obtidos junto aos clientes usuários do Gatecash, tecnologia da Gunnebo que atua integrado ao software de automação comercial de frente de caixa da empresa e reúne imagens, vídeos e áudios captados no PDV, com o diferencial de produzir a contagem cruzada com o que foi efetivamente registrado. “Habitualmente, a frente de caixa já é uma das áreas mais sensíveis da loja, responsável por cerca de 30% das perdas. Mas o que constatamos recentemente foram índices muito acima da curva”, revela Vanessa Urbieta, gestora do Gatecash.

Vanessa diz que, comparadas aos períodos normais, as perdas em Frutas, Verduras e Legumes (FLV) aumentaram 254% e perecíveis, 181%. O que a surpreendeu é que na lista surgiram itens de mercearia, como arroz e açúcar, que no período anterior à crise não constavam na lista de mercadorias com perdas e passaram a fazer, e papel higiênico de 59%. Produtos como leite longa vida, refrigerante e cerveja, vendidos em múltiplos, registraram, respectivamente, aumento de perdas de 176%, 130% e 72%.

Desatenção dos operadores

Segundo Vanessa, 90% das perdas no PDV dos supermercados foram oriundas de erros operacionais. “Grandes filas se formaram nos PDVs e os operadores de caixa ficaram totalmente expostos e na linha de frente dessa situação. O medo, a falta de concentração na atividade e a vontade de acelerar o processo de passagem dos produtos são fatores impactantes para o resultado da operação. Tudo isso favorece os erros”, argumenta.

A gestora da Gunnebo também chama a atenção para outro detalhe importante. “Além dos erros operacionais, pela crise financeira que se põe ainda mais forte, o caixa pode ser um ambiente vulnerável para situações de conluios nas passagens dos produtos e de desvio de dinheiro. Nesses casos, é preciso investigar a causa-raiz. Por isso, a necessidade do varejista em controlar essa operação por meio de tecnologias, processos bem amarrados e pessoas aderentes à cultura de prevenção de perdas da companhia”, completa.

Às empresas monitoradas, a Gunnebo envia relatórios com os vídeos analíticos e os cupons fiscais registrados, apontando os erros encontrados para que as varejistas promovam as suas ações, a começar normalmente por advertências ao operador. “O sistema já vai com um combo de filtros parametrizados, criado pela nossa equipe. Ele foi desenvolvido de forma estratégica com base na experiência acumulada com o monitoramento de grandes redes em todo o Brasil e consegue identificar eventos de possíveis fraudes de forma mais assertiva”, afirma Vanessa.

 

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