O que Carrefour, Itaú Unibanco e Nestlé pensam – e fazem – sobre transformação digital

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O assunto do momento que persegue todas as empresas. Algumas aparecem mais avançadas em relação ao tema, enquanto outras estão mais atrasadas, mas é praticamente impossível ficar alheio à transformação digital no universo dos negócios atual. Com a cobrança para que as companhias façam parte dessa mudança, as dúvidas são uma constante. Uma das mais recorrentes é em relação à natureza do processo. Afinal, estamos falando sobre uma mudança de tecnologia ou de pessoas?

Para executivos de empresas como Itaú Unibanco, Carrefour e Nestlé, a transformação digital é, definitivamente, sobre pessoas. “A tecnologia é um meio para que você faça mais rápido, mas o processo tem a ver com a cultura da empresa”, afirmou a CEO do Carrefour eBusiness, Paula Cardoso, em evento realizado nesta quinta-feira (04/04) pela CI&T no prédio do Cubo, em São Paulo. “E, quando você quer mudar a empresa, isso precisa acontecer de cima para baixo”, explica.

No Carrefour, a área responsável pela transformação digital atua de forma “agnóstica”, sem estar diretamente relacionada aos setores que crescem ou não no grupo. “Nosso foco é consertar a vida do cliente de qualquer forma. Esse processo de mudança tem a ver com as pessoas, mas não só internamente. O impacto atinge todo o ecossistema do Carrefour”, diz Paula.

Para a diretora de Transformação Digital da Nestlé, Carolina Sevciuc, a área de recursos humanos é essencial para que a empresa tenha um movimento positivo no processo. “Ter um pilar de cultura é indiscutível. É preciso ter uma área dedicada à transformação digital. A companhia pode desenvolver iniciativas, mas precisa ir além disso”, explica. Processos de mentoria reversa, nos quais “as pessoas que navegam mais facilmente nesse universo da transformação digital trocam experiências com aqueles que não estão muito bem adaptados”, são uma das ferramentas adotadas pela Nestlé. “A ideia não é mudar todo mundo, mas dar oportunidades a todos. É muito fácil nos perdemos em nossos processos em uma empresa como a nossa”, afirma.

Para conseguir engajar as equipes, a mudança deve partir do topo. “Os principais representantes da cultura da empresa estão na alta liderança. Quem ocupa esses cargos inspiram o restante da companhia, para o bem e para o mal”, afirma o CEO da CI&T, Cesar Gon. No Itaú Unibanco, a visão é a mesma. “Cultura é o CEO, o board, é top-down”, diz o CIO do Itaú, Ricardo Guerra. “Todo mundo quer ser digital e usar tecnologia. Querer é uma coisa, mas saber exatamente o que isso significa é completamente diferente”, completa. Quando o CEO é quem entende a importância da transformação digital, o processo flui de forma mais fácil. Quando outra pessoa ocupa esse lugar, ela deve atuar como um “influenciador pela mudança”, para Guerra.

O que mudou na liderança?

Já que a liderança deve estar à frente do processo de transformação digital, por quais mudanças os líderes devem passar? Guerra, do Itaú Unibanco, ajuda a responder. “Quebre paradigmas. Tudo é diferente no digital. Se a empresa não estiver disposta a romper com todos os modelos mentais da organização, ela não será digital nunca”, afirma.

Para Paula, do Carrefour, uma mudança relevante está na forma como se vê o próprio negócio e o cliente. “Muitas vezes os pequenos detalhes têm um impacto enorme”, diz. Além de um olhar voltado às pequenas coisas, encontrar caminhos para gerar engajamento também é fundamental. “Encontre uma trilha para trazer as pessoas através do convencimento ao invés de querer estar certo sozinho.”

Escolher onde apostar é uma das lições aprendidas por Carolina, da Nestlé. “A transformação digital não acontece logo depois que você monta uma área”, afirma. Trocar experiências entre diversos setores e ter muita paciência para encarar as dificuldades faz parte do processo.

 

Fonte Época Negócios
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