Comprar ou alugar tecnologia para o varejo

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Por Gustavo Carrer*

Nos últimos anos a economia do compartilhamento vem ganhando força no mundo todo e devido a esse movimento, cada vez mais nos questionamos se vale mesmo a pena investir para ter a posse definitiva de algo, principalmente quando se trata de tecnologia. A competição intensa leva as empresas a buscarem continuamente a inovação em seus produtos e processos, que por sua vez demandam investimentos contínuos nas tecnologias mais recentes.

Nesse cenário, com recursos financeiros escassos ou não, nunca foi tão importante estabelecer critérios objetivos para escolher entre comprar ou alugar equipamentos, evitando qualquer tipo de radicalismo tanto para o lado patrimonialista, optando por realizar todo investimento em ativos fixos – Capex quanto no sentido oposto, transformando tudo em despesas operacionais – Opex.

Em linhas gerais, a aquisição definitiva ou Capex se justifica quando:
  • A posse desse ativo proporciona vantagem competitiva permanente pela exclusividade ou unicidade do bem;
  • O ativo possui propriedade intelectual a ser protegida, o que impede a locação por terceiros. Exemplo: plantas industriais de alta tecnologia;
  • Os agentes financeiros não operam com esse tipo de ativo ou o valor da locação é muito elevado, tonando a compra mais vantajosa, independentemente do prazo;
  • Finalmente, se existe um mercado secundário em que o bem usado/depreciado possa ser revendido com facilidade, condição cada dia mais difícil de ser encontrada.

    Gustavo Carrer é gerente de desenvolvimento de Negócios da Gunnebo
Transformar investimentos em despesas operacionais ou Opex é recomendado quando:
  • Apenas a disponibilidade do bem é suficiente, ou seja, a posse não constitui diferencial competitivo relevante;
  • A tecnologia intrínseca se torna obsoleta rapidamente;
  • Os ativos exigem disponibilidade permanente e manutenção contínua;
  • Existe boa oferta de locação ou leasing operacional dos itens desejados;
  • O valor de revenda após a depreciação é muito baixo ou inexistente.

Em geral, nos momentos de crise econômica, é preferível ter o dinheiro em caixa do que imobilizado em ativos, assim o Opex tende a ser mais atraente. A liquidez proporciona maior segurança e, portanto, negociações melhores, o que é uma importante vantagem competitiva.

Por outro lado, quando o mercado permanece estável e previsível, com baixa percepção de risco, o custo do capital tende a cair bastante, tornado o crédito para aquisição mais acessível, portanto o Capex tende a ser mais interessante.

Embora alguns tipos de investimento tenham se consolidado no modelo Opex, como o SAS (Software as a Service), não existe uma regra universal que funcione para todos os tipos de ativos, para todas as empresas e mercados, em todos os momentos. A decisão entre comprar ou alugar deve estar alinhada com a estratégia de longo prazo do negócio e realizada sempre avaliando e comparando as opções de Capex e Opex.

 

*É gerente de Desenvolvimento de Negócios da Gunnebo, palestrante, consultor da série Mãe S/A do Fantástico da Globo e do Mundo S/A da Globo News e colunista do NEWTRADE 

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