A multinacional norte-americana PepsiCo, especialista em produtos alimentícios e bebidas, apostou em um projeto pioneiro em cinco de suas unidades fabris de snacks no País. São os TAGs (Times Autogerenciáveis), projeto que ajustou as hierarquias e eliminou a figura do chefe, trazendo resultados diretos na produção das plantas. De acordo com Eduardo Sacchi, diretor de Manufatura de Snacks e Cereais da empresa, atualmente cerca de 700 funcionários atuam dessa maneira. “A mudança permitiu um aumento de 341% nas promoções e também na mobilidade dos operadores para outras áreas da companhia”, explica.
Durante a implementação do programa, foram eliminados três níveis hierárquicos nas plantas. Esse time de operadores multifuncionais desenvolve, sem supervisão direta, a rotina produtora, decidindo sobre a programação da linha e, inclusive, avaliando os resultados do próprio grupo e definindo aumentos salariais e promoções.
O projeto existe apenas no País?
Na verdade, o TAG nasceu de um benchmark também de sucesso implantado no México, denominado MOTOR (Modelo de Transformação Organizacional), que se baseia no mesmo conceito. Esse modelo foi implantado de maneira exclusiva no Brasil, como projeto piloto, em 2001, nas plantas de Curitiba/PR e Sete Lagoas/MG, mas hoje está presente em cinco unidades fabris de snacks.
Como é feito o treinamento com as equipes?
Os funcionários fazem mais de 400 horas de treino. Dentro do plano de carreira de cada um, o operador exerce suas atividades normais e escolhe uma entre 12 tarefas nas áreas de Recursos Humanos, Qualidade, Segurança e Rendimento, entre outras. O operador recebe treinamentos formais, práticos e teóricos, que são realizados pelos profissionais da área correspondente à tarefa. Depois de capacitado, outro operador, que já havia exercido essa mesma tarefa, o acompanha durante dois meses, e a atividade é desenvolvida ao longo do ano, passando por avaliação de desempenho e mudando de nível em seu plano de carreira.

