Via Varejo: Indício de fraude não abala confiança em virada da companhia e ação sobe mais de 8%

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Em forte disparada nos últimos meses, tendo dobrado de valor de mercado desde maio e em alta de 140% em 2019 com as perspectivas positivas da nova gestão e o ânimo com o resultado da Black Friday, as ações da Via Varejo tiveram um forte baque no final da sessão da última quinta-feira (12).

Entre as potenciais irregularidades, a empresa cita manipulação da provisão trabalhista, contabilização incorreta de ativos e passivos e “falhas de controles internos” que podem ter feito erros contábeis passarem despercebidos.

Como o comunicado da última quinta foi divulgado no final do pregão, a expectativa era de que as ações da companhia continuassem reagindo de forma negativa no pregão de sexta-feira (13), uma vez que o impacto no resultado é bastante considerável.

Conforme destaca Pedro Fagundes, analista da XP Investimentos, o montante com efeito caixa negativo na Via Varejo é de cerca de R$ 900 milhões, a ser desembolsado no intervalo de três e quatro anos – ou cerca de 6% (a valor presente) do valor de mercado da empresa.

Porém, os papéis da dona das marcas Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.com operaram em alta durante todo o pregão, fechando em disparada de 8,70%, a R$ 10,87.

Apesar da notícia ser claramente negativa, analistas apontam que os fatos investigados referem-se às gestões passadas da companhia e que há uma melhora clara na governança corporativa.

Além disso, apesar do valor bastante considerável com impacto no balanço, possivelmente o caixa da companhia não será tão afetado. Isso porque, conforme aponta a XP, o valor de R$ 900 milhões não leva em consideração os ganhos de R$ 600 milhões relacionados a créditos fiscais, atualmente em avaliação (a maior parte já transitado em julgado), bem como eventuais benefícios provenientes de recuperação de impostos (estimados em cerca R$ 270 milhões).

Fundamentos não mudam

Assim, na avaliação de Fagundes, apesar de negativa, a notícia não altera os fundamentos da companhia para os próximos anos e nem afeta os pilares da visão construtiva para as ações da Via Varejo.

A equipe de análise da XP tem recomendação de compra com preço-alvo de R$ 12, o que corresponde a um potencial de valorização de 20% frente o fechamento de quinta. A visão positiva é baseada em três pilares: i) a maior exposição de duráveis ao ciclo de recuperação econômica; ii) o progresso significativo na reestruturação da empresa e iii) confiança no potencial de melhora de vendas das lojas físicas a partir de 2020, com espaço significativo para diluição de despesas com melhora nas vendas.

O Bradesco BBI também reforça que, apesar das notícias claramente ruins, elas não têm um impacto negativo na capacidade de execução da administração para conduzir a recuperação em andamento e que constitui o case de investimento da Via Varejo.

“Por exemplo, não vemos as notícias impactando negativamente a potencial lucratividade operacional futura da empresa. Também vemos o impacto do caixa como gerenciável”, apontam os analistas do banco. Contudo, a recomendação dos analistas para a ação é neutra, dada a forte alta recente dos ativos.

A Levante Ideias de Investimento também ressalta que a história de “turnaround” operacional da companhia se mantém em seus fundamentos. “No entanto, no curto prazo permanece o ruído na comunicação da empresa com o mercado. E a situação deve piorar antes de melhorar”, destacando que a companhia soltou o comunicado antes do fechamento do mercado e gerando um forte movimento de volatilidade nos papéis nos minutos finais. Vale ressaltar que o fato relevante de novembro também foi divulgado durante o pregão.

Porém, voltando aos fundamentos da companhia, a Levante reforça que a Via Varejo apresentou excelente resultado de vendas na Black Friday, o que deve impulsionar o resultado do quarto trimestre de 2019.

A companhia, aliás, falará sobre os planos com a nova gestão e sobre as investigação durante o VVAR Investor Day, evento anual da companhia com analistas, voltado a investidores em geral, que acontece na próxima terça-feira (17).

Em meio à forte alta dos ativos e com dúvidas sobre o impacto das investigações em um momento de virada operacional, o evento será acompanhado de perto por investidores e analistas para entender melhor a real situação que se encontra a companhia.

Fonte InfoMoney
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