Shoppings de SP reveem planos com mudança para fase amarela

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A decisão do governo de São Paulo de regredir da “fase verde” para “amarela” em alguns segmentos econômicos foi descrita como um “balde de água fria” e “decepcionante” por empresas do setor de shoppings que investiram para seguir os protocolos de higiene após a pandemia de covid-19. Glauco Humai, presidente da Abrasce, principal entidade de shoppings do país, disse que investimentos devem ser revistos e que a projeção de queda de 2% nas vendas do Natal também será reanalisada. A queda deverá ser maior com o anúncio da nova limitação, diz.

As principais diferenças em relação à “fase verde” estabelecem que a maioria dos setores reduzam o atendimento de 60% para 40% da capacidade total e evitem aglomerações em pé. Shoppings, galerias e outros estabelecimentos comerciais também têm a permissão de atendimento de 60% para 40% da capacidade, e horário de abertura de 12 horas para 10 horas.

“Há o efeito do funcionamento de menos horas ao dia e do patamar de ocupação, e ainda há o efeito psicológico. As pessoas veem esse cenário agora, ficam receosas e entendem que precisam circular menos, sendo que nos shoppings elas estão protegidas. Então, eles colocaram todos no mesmo balaio, depois de termos definido e seguido um protocolo rígido de higiene nos empreendimentos”, disse Humai.

“São as festas e as baladas que são o problema, não nós. Entendemos que poderiam ter mantido nosso horário e o limite de 60% e alterado a fase nas áreas que têm tido falta de controle. Ao mesmo tempo, poderiam aumentar a fiscalização por um período. E, então, em 15 dias, rever isso para verificar se o contágio caiu. Mas preferiram já nos incluir nesse grupo na ‘fase amarela’”.
Humai afirma que a entidade buscou contatar membros do governo e dos comitês de saúde do estado nos últimos dias, mas a posição até a sexta-feira era de que uma mudança de fase era possível, mas sem uma clareza maior em relação a essa decisão. “Ao contrário do que ocorreu meses atrás, quando tivemos acesso mais constante ao governo para debater as restrições de circulação [entre março e junho], dessa vez não fomos ouvidos”, disse.

“Essa inconstância prejudica muito. Então, quem tinha plano de contratar temporário ou efetivo, de retomar expansões, acaba voltando atrás e congelando isso, porque ele não sabe se o governo vai mudar de fase de novo”, diz. “Defendemos que haja um acompanhamento minucioso do contágio e que ações sejam tomadas, mas os shoppings não têm culpa desse aumento de casos”, ainda afirmou Humai. Perguntado se acredita que a decisão de anunciar hoje a alteração de fase tem um fator eleitoral, ele disse que preferia não comentar.

A mudança ocorre num momento em que as atividades dos shoppings em São Paulo se recuperam de forma um pouco mais consistente. Até setembro, as vendas nos estados do Sudeste representavam entre 70% e 75% do registrado antes da pandemia. Em novembro, essa taxa já estava entre 80% e 90%.

Fonte Valor Econômico
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