O impacto do aumento do dólar nos supermercados

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Nos últimos meses, o dólar apresentou um aumento significativo e dá sinais de que irá manter-se em um patamar mais elevado a curto e médio prazo. E, consequentemente, esta elevação atingirá o setor de supermercados, o que resultará na elevação do nível dos preços de alguns dos alimentos e demais categorias nos supermercados. Independente dos motivos que causaram a elevação da moeda norte-americana, a economia brasileira registrará impactos positivos e negativos. No que diz respeito aos impactos positivos, vale ressaltar o maior estímulo à exportação de produtos nacionais e, por consequência, o aumento da renda do setor exportador. No entanto, o aumento do dólar encarece, por exemplo, as importações de máquinas e equipamentos, e ainda torna menos atrativas as linhas de financiamento externo.

Por um lado, a alta do dólar favorece a venda no mercado interno de produtos nacionais. Porém, por outro lado, este “fenômeno econômico” deixa os produtos importados mais caros e, assim, os preços tornam-se mais elevados e impacta diretamente na inflação. Neste sentido, as projeções apontam para uma depreciação de 10% ao longo de 12 meses, o que gera um impacto de 0,7 ponto percentual na inflação do período. Ou seja, se o valor do dólar, ao longo dos próximos 12 meses, for 10% acima do valor médio dos últimos 12 meses, teríamos uma inflação de 6,7% (e não de 6,0%) – um impacto expressivo.

O setor supermercadista – diante da característica de concorrência – atua na negociação junto à indústria para o oferecimento de preços mais competitivos ao consumidor e, desta maneira, tende a manter os preços em patamares estáveis em caso de alta temporária da moeda norte-americana. No entanto, caso a alta seja permanente e persista ao longo do tempo, a alteração dos preços deve ocorrer, pois com dólar elevado, alguns produtos importados ou até mesmo aqueles nacionais que dependam de insumos importados ou de commodities, devem registrar um aumento de preços em toda a cadeia e, consequentemente, o consumidor pagará mais.

Um exemplo disso é o pão francês, cuja preparação utiliza-se de trigo, que, em parte, é importada para abastecer a produção. Outros impactos estão relacionados aos insumos utilizados pela indústria de higiene e beleza. Neste contexto, os consumidores tendem a utilizar com mais frequência os produtos similares nacionais, uma vez que a busca pelos importados nos últimos anos cresceu exatamente pela baixa do dólar, cenário bem diferente do atual.

No que tange aos produtos mais afetados com a elevação do dólar, se pode destacar: azeites, vinhos importados, bacalhau, alguns itens de higiene e beleza (como o desodorante, por exemplo, que possui insumos importados ou cujo produto é fabricado fora do país) e alguns itens relacionados diretamente com ao trigo, como o pão francês e as massas em geral. Porém, de modo geral, os impactos da alta do dólar ainda não chegaram aos consumidores, fato que irá acontecer caso esta alta seja contínua. Desta maneira, vale a condução da politica econômica brasileira levar em consideração que haverá um impacto na inflação.

Com a chegada das festas de fim de ano, os supermercados já preparam as encomendas dos produtos importados e, neste momento de alta do dólar, uma elevação de preços dos produtos citados acima já podem ocorrer em comparação ao ano anterior (quando o dólar estava em um valor inferior).

Diante deste cenário, o aumento do dólar levará o consumidor a uma pesquisa maior na compra dos alimentos nos supermercados, mas não deve gerar impactos negativos expressivos nas vendas. Desta maneira, com relação às vendas com um nível do preço de dólar maior, é importante frisar que o desempenho das vendas continuará em ritmo de crescimento, uma vez que o mercado de trabalho aquecido e o rendimento em elevação continuarão impactando positivamente no setor.

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