Marisa trabalha com cenário de três meses de receita zero

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A expansão da pandemia do novo coronavírus (covid-19) e o fechamento de lojas em diversas cidades levou a área financeira da varejista de moda a trabalhar com o cenário de três meses com receita de vendas zero.

Na simulação é considerado apenas a entrada de recursos da carteira de recebíveis para irrigar o fluxo de caixa, cujo valor é de R$ 800 milhões, disse Adalberto Pereira Santos, vice-presidente financeiro e administrativo.

“As vendas serão zero, mas terá a entrada dos recebíveis”, afirmou Santos durante teleconferência com analistas. A companhia fez um aumento de capital no fim de 2019 no valor de R$ 500 milhões, sendo que 80% será destinado para amortizar dívida e o restante para reforçar a estrutura de capital de giro.

De acordo com Santos, a alavancagem da Marisa diminuiu e agora tem nível de liquidez maior, deixando linha de crédito para os clientes em “stand-by”, se for necessário.

Por enquanto, o teste de estresse indica que o segundo semestre será difícil. “Estamos nos preparando para todos os cenários. É um momento para ficar mais próximo dos fornecedores e dos clientes para não comprometer a capacidade na retomada”, afirmou Marcelo Pimentel, diretor-presidente. A rede planeja ações de marketing digital.

Não fosse a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus para impactar os negócios, a Marisa trabalhava com a manutenção do cenário de recuperação da receita e da margem, obtidos no ano passado após um processo de reviravolta na operação que durou três anos.

As vendas da Marisa no critério mesmas lojas, que considera unidades abertas há 12 meses cresceu 9,5% no quarto trimestre do ano passado, ante queda de 0,5% no mesmo período de 2018. A receita líquida do varejo aumentou 7,03%, totalizando R$ 707,9 milhões.

Lojas fechadas

A rede de vestuário Lojas Marisa está com 175 unidades fechadas devido à solicitação de autoridades locais para encerrar as atividades de comércio e serviços em algumas cidades. No fim de 2019, ela tinha 354 pontos abertos.

Nos últimos dias, o fluxo de consumidores nas unidades que estão abertas caiu 50%, disse o vice-presidente financeiro e administrativo.

Vendas online

A rede está trabalhando para fortalecer o comércio eletrônico e o abastecimento do centro de distribuição diante do fechamento das lojas. Este canal tem registrado crescimento expressivo nas vendas da varejista, atingindo 68,2% no quarto trimestre de 2019.

Na última semana, quando os casos de contaminação do novo coronavírus cresceram no país, a rede não observou aumento nas vendas online, afirmou Marcelo Pimentel, diretor-presidente, em teleconferência com analistas.

O executivo disse que a Marisa não foi prejudicada pela paralisação dos fornecedores chineses porque todo o estoque da coleção outono-inverno já estava no Brasil quando a epidemia estourou no país asiático.

“Toda a cadeia de abastecimento está garantida para a nova estação e estamos preparados para a retomada das vendas. Neste momento, o percentual de compras com a opção clique [no site] e retire [na loja] está menor. Houve uma mudança no comportamento com mais entregas em casa”, afirmou Pimentel.

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