Depois dos hambúrgueres sem carne, startups buscam desenvolver peixe à base de vegetais

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Já são várias as empresas que vendem hambúrgueres sem carne. O próximo passo para muitas delas agora é produzir “peixe” com produtos vegetais ou com o cultivo de células em laboratório.

Uma das pioneiras nesse aspecto é a Impossible Foods. Após conseguir um contrato com o Burger King para vender seus alimentos na rede de fast food, a startup voltou o seu foco para o desenvolvimento de alternativas à base de vegetais para peixes.

Por enquanto, conta o The New York Times, a Impossible Foods tem trabalhado na bioquímica do sabor de peixe, que pode ser reproduzido usando hemo, uma proteína que já é empregada nos hambúrgueres da startup. No mês passado, a equipe de desenvolvimento da empresa conseguiu criar um caldo com sabor de anchova feito de plantas. “O alimento está sendo usado para cozinhar paella”, diz Pat Brown, CEO da startup.

O projeto é parte da ambição da Impossible Foods de desenvolver substitutos a todos os alimentos de origem animal até 2035.

Resta saber se os consumidores – até mesmo aqueles que adotaram os hambúrgueres vegetais – irão aceitar as alternativas ao peixe. O sucesso dos substitutos à carne vermelha se deve, pelo menos em parte, aos consumidores que querem reduzir o consumo de carne sem se converter totalmente ao vegetarianismo. Segundo analistas, muitos deles são motivados a buscar alternativas à carne vermelha não pela sustentabilidade, mas pela percepção de que são opções mais saudáveis.

“Muitas pessoas dizem que comer carne aumenta o risco de desenvolver câncer”, diz Tom Rees, analista do setor de alimentos da Euromonitor International. “Isso não acontece com a carne de peixe”.

Os defensores de alternativas veganas ao peixe defendem que o projeto é necessário para o meio ambiente. Enquanto bilhões de pessoas em todo o mundo dependem de frutos do mar como sua principal fonte de proteína, a disponibilidade de peixes marinhos caiu 90%, principalmente por causa da sobrepesca, segundo o Fórum Econômico Mundial.

“A indústria da pesca está destruindo ecossistemas aquáticos de tal forma que faz a destruição da Amazônia parecer insignificante”, diz Bruce Friedrich, do Good Food Institute, instituição que defende alternativas a carnes.

A Impossible Foods não é a única nesse ramo. A Good Catch, outra empresa especializada em alimentos à base vegetal, lançou recentemente uma linha de “atum” vegetal. O produto é feito com seis ingredientes vegetais, como farinha de grão de bico e proteína de lentilha. Vendido em lojas da rede Whole Foods, nos Estados Unidos, o “atum livre de peixe” não se restringe ao público vegano e vegerariano, dizem os fundadores da empresa.

A Beyond Meat, maior concorrente da Impossible Foods, no entanto, não deve entrar no mercado de peixe tão cedo. “Entendemos a urgência de abordar a sustentabilidade de nossos oceanos”, afirmou Ethan Brown, CEO da empresa, ao New York Times, “mas a Beyond Meat continua focada na inovação em três proteínas: bovina, de frango e suína”.

As opções à base de vegetais não são as únicas alternativas ao peixe. A startup Wild Type, com base em São Francisco, está usando a tecnologia de agricultura celular para cultivar salmão em laboratório. “Há algumas limitações quando você tenta reconstruir a mesma textura com ingredientes vegetais”, diz Aryé Elfenbein, cofundador da empresa. “Já as células sabem o que fazer, elas se transformam em fibra muscular, tecido gorduroso, e criam o tecido que conhecemos como carne”.

A empresa, contudo, enfrenta dificuldades financeiras e científicas. Aryé Elfenbein não diz o tempo necessário para que o projeto se torne comercialmente viável. No momento, a empresa produz apenas pequenas quantidades: leva cerca de três semanas e meia para produzir meio quilo de salmão.

Enquanto isso, Brown, da Impossible Foods, reconhece que no momento, a demanda pela carne de peixe vegana é baixa. Mas ele lembra que até experimentarem os hambúrgueres vegetais, os consumidores também não estavam ansiosos pelo produto.

Fonte Época Negócios
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