Por Adriana Bruno
De uma hora para outra lojas fechadas e nada, nenhum produto vendido. Milhares de pontos de venda espalhados por todo o Brasil tiveram que olhar para esse cenário assustador e pensar rapidamente em como minimizar os problemas que já começavam a aparecer no caixa dessas empresas. E as redes sociais surgiram como uma solução para atravessar esse momento, uma crise diferente das demais já enfrentadas pelo país. Uma crise causada por um inimigo invisível e que afeta não apenas a economia mas especialmente a saúde e a vida de todos nós.
O fato é que o coronavírus também fez com que pequenas empresas experimentassem a força das redes sociais como canal de vendas. O e-commerce ainda não é uma realidade tão presente entre os pequenos varejistas, especialmente em cidades do interior e é aí que entram Facebook, Instagram, WhatsApp e até o Twitter. Dois exemplos disso são a Casa Giordano, empresa especializada na venda de produtos de decoração, listas de casamento e utilidades domésticas na cidade de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Com 100 anos de mercado, a empresa viu todos os casamentos sendo adiados e a falta de perspectiva para vendas futuras. “Foi aí que decidimos entrar nesse mundo de vendas pelas redes sociais”, conta Raíssa Vaccari, colaboradora da empresa,. De acordo com ela, a Casa Giordano já utilizava o WhatsApp como ferramenta para divulgar ofertas e promoções, mas não para vendas. “Apesar de não termos experiência com vendas pelo aplicativo o resultado está nos surpreendendo. Na primeira semana de vendas pelo WhatsApp foram 65 pedidos. Tanto que precisamos contratar um entregador para atender a demanda que é diária”, comemora.
Com o consumidor em casa e passando mais tempo nas redes sociais, essas iniciativas têm tudo para dar certo. Mas o varejo precisa se cercar de alguns cuidados. Para Ana Paula Tozzi, head da AGR Consultores, o segredo da venda é a forma como a empresa está construindo a comunicação com o seu cliente. “É preciso pensar nos produtos que serão usados como chamariz e ter coerência com aquilo que é ofertado, especialmente promoções. Outra ação importante é olhar a concorrência antes de precificar. A empresa precisa saber o preço que os concorrentes estão praticando para, novamente, ser coerente”, orienta Ana Paula.
Com oito anos de mercado, outro exemplo que vem de São João da Boa Vista, é a Tabacaria Avenida. Com as medidas de isolamento social e fechamento do comércio na cidade, Gustavo Felipe Mançano, sócio-proprietário, viu o horário de funcionamento ser drasticamente reduzido, uma vez que o estabelecimento tem autorização para funcionar com restrições. “Vimos nossas vendas caírem 50% e passamos a investir nas entregas e vendas pelas redes sociais, algo que não fazíamos antes”, conta. Segundo Mançano, o resultado com o público mais jovem tem sido mais concreto. “Pelo Facebook temos feedbacks bem positivos dos clientes mais jovens que procuram saber se os produtos estão disponíveis, entre outros. Já com o público mais velho não sentimos o mesmo resultado”, conta.
Segundo ela, empresa começou com três entregas diárias logo no início da determinação do isolamento social e logo passou a quinze. “Por enquanto entregamos somente às quartas-feiras em São Paulo e localidades próximas à Ibiúna. Se aumentarem os pedidos, teremos que abrir outro dia na semana. Ainda estamos nos estruturando para intensificar o raio de abrangência para outras cidades como São Bernardo do Campo e Sorocaba pois há pessoas interessadas que estão sendo alcançadas pelos clientes que estão bem satisfeitos e não hesitam em indicar a Broto”, revela.
Qualidade na entrega
Um dos pontos cruciais para a venda online, seja ela via e-commerce ou por rede social, é a entrega do produto. Segundo Ana Paula Tozzi, a embalagem é tão ou mais importante do que o prazo. “Claro que quando falamos de alimentação e bebidas o prazo precisa ser rápido, mas é preciso destacar que a embalagem que vai entrar na casa do consumidor precisa ser pensada e pode ser charmosa, trazer dicas de proteção contra o coronavírus, por exemplo. A embalagem é a primeira coisa que entra na casa do consumidor e deve ser agradável”, diz. Tozzi ainda reforça que a comunicação com o cliente é fundamental e estratégica para não aborrecer o consumidor. “Não dá para manter as mesmas ofertas ou produtos no Instagram, por exemplo, por semanas. Isso é cansativo. E preciso fazer postagens variadas, alterando o conteúdo para causar impacto positivo no cliente. Além disso, a comunicação deve ser breve e bem objetiva”, recomenda.
Dicas para vender pelas redes sociais
- Faça um planejamento voltado para a imagem da empresa e como você quer ser reconhecido pelos clientes daqui a dois ou três meses;
- Entenda onde está o consumidor; se ele interage mais por Instagram, Facebook ou WhatsApp e adeque sua comunicação às redes. Não se esqueça que elas são diferentes;
- Mantenha frequência nas redes sociais;
- Prepare-se para responder rapidamente as demandas e dúvidas do cliente;
- Esteja em todas as mídias, mas se tiver que escolher, prefira o WhatsApp e o Instagram
Fonte: Ana Paula Tozzi, head da AGR Consultores.