Mercado pet deve crescer 14% em 2021; supermercados encontram oportunidades

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Um levantamento da Euromonitor Internacional aponta que o Brasil é o segundo maior mercado de produtos pet, com 6,4% de participação global, perdendo apenas para os EUA que contabiliza 50% do mercado.

Em 2020, o mercado brasileiro faturou R$ 40,9 bilhões. “O destaque é que pet shops de pequeno e médio porte (com até 19 funcionários) respondem a praticamente metade de toda a movimentação (48,4%, ou R$ 19,7 bilhões). Em seguida vêm as clínicas e hospitais veterinários, com 17,9%, ou R$ 7,3 bilhões”, revela

Nelo Marracini, presidente-executivo do Instituto Pet Brasil.

Levando em consideração todos os segmentos, o valor de fechamento do ano é 1,7% mais alto do que a última projeção divulgada, que contabilizava até o terceiro trimestre de 2020. O crescimento em relação a 2019 foi de 15,5% no faturamento.

Marracini ainda acrescenta que com base nas projeções do 1º trimestre do ano, deve haver um crescimento de cerca de 14% em 2021. “Ou seja, permanecemos otimistas, mas com cautela”, diz.

Oportunidades para supermercados

Embora a participação do setor supermercadista no mercado pet ainda seja tímida há espaço para crescer. Para Marracini, sem dúvida é possível impulsionar o crescimento da área de produtos pets no varejo tradicional. “O que observamos cada vez mais é que o consumidor procura para seu animal de estimação produtos que aproximam seu cotidiano com o cuidado do animal. Então, ele procura mais acessórios de bem-estar, brinquedos e snacks que podem proporcionar a ambos momentos de distração, diversão e carinho”, comenta Marracini. Ainda de acordo com ele, se o varejista oferecer uma boa variedade de produtos, com marcas de qualidade, com certeza irá conquistar mais clientes, inclusive em plataformas de e-commerce.

Mas não basta encher as gôndolas de produtos, é preciso ter estratégia.

Para Fátima Merlin, consultora de varejo e CEO Connect Shopper, é crucial que o supermercadista avalie o segmento dentro de sua estratégia e proposta de valor, considerando seu público-alvo (perfil, comportamento, hábitos, árvore de decisão, etc); Além disso, é preciso avaliar o potencial de mercado da categoria, o mercado em que atua, a concorrência, as tendências, entre outros.

Fátima Merlin, CEO da Connect Shopper

“Com base nestas informações, o varejista deve definir como vai trabalhar a categoria, o que irá compor a mesma, ou sea, se apenas alimento, se cuidados básicos, se mais amplo e profundo”, orienta Fátima. Ainda de acordo com ela também é necessário avaliar e determinar o papel da categoria, seu destino, rotina e conveniência levando em conta a relevância da categoria para o negócio, para o shopper-alvo. “Para tal deve-se avaliar penetração, freqüência, valor, importância, etc. Na maioria dos supermercados esta categoria tem um papel de rotina e/ou conveniência. Lembre-se que é o papel que determina como a categoria deve ser executada em todos os Ps: produto, preço, promoção e prateleira”, afirma Fátima.

De olho no potencial da categoria de pets, o Enxuto Supermercados está em busca de atingir uma performance cada vez melhor no segmento.  Esta categoria tem uma relevância importante em termos de margem comercial, ticket médio representativo e bem trabalhado cria conceito no segmento”, conta

Waldir Bueno de Godoy Junior, Diretor de Inteligência Comercial Enxuto

Ele ainda ressalta que a empresa entende que nesta categoria é preciso entregar algo mais, como entregar um serviço diferenciado em mix de produtos, com uma gestão de categorias dedicada e com um trade interativo com a indústria. “São pontos fundamentais para que de fato os resultados tenham a atingir uma performance ainda melhor”, completa.

No Enxuto, a categoria de maior representatividade nas vendas são os alimentos, representando 88% do faturamento. Seguido de higiene e beleza com participação de 6%.  Para ele, a importância do mix está na forma como o varejista  conhece o perfil do consumidor. “O que que ele procura as vezes não é o suficiente, é preciso encantá-lo com novidades, variedades de produtos e com uma precificação justa no segmento. As ofertas fazem parte do contexto, agregando valor ao negócio, e impulsionando a categoria, mas também se faz necessário um plano de trade bem definido com a indústria”, avalia.

Ainda de acordo com Godoy Junior, a cada ano aumento o número de animais de estimação nos lares brasileiros. Mas ainda é necessário o supermercadista entregar não só produtos, para de fato ter uma relevância mais significativa é preciso começar a entregar serviços diferenciados nesta categoria de produtos.

Categorias mais consumidas

Na comparação por tipo de produto ou serviço, quem representa praticamente metade do faturamento do setor é o pet food. O alimento para animais de estimação movimentou R$ 20,5 bilhões, ou 50,2% do faturamento durante todo o ano de 2020, de acordo com o Pet Brasil.

Logo atrás está a venda de animais direto dos criadores, com 12% do total de R$ 40,8 bilhões. Produtos veterinários (pet vet) vem em seguida (11,6%). Serviços gerais como banho e tosa, creches e hotéis para animais são 10,4% do faturamento, serviços veterinários, 10,1% e produtos de higiene e bem-estar animal (pet care), 5,7%.

Agrolojas representaram 10,4% do faturamento, seguidas pelo varejo alimentar (como supermercados e mercearias), com 9%; pet shops no formato megastores (7,3%); e-commerce (4,6%) e outros varejos variados, como lojas de conveniência. “Em relação aos números consolidados de 2019, o faturamento do comércio eletrônico teve salto de 25%, número em grande parte influenciado pela opção de compra online por conta da covid-19”, comenta Marracini.

Tendências

Com a expectativa de crescer 20% em 2021, a Cobasi é uma das grandes varejistas do setor e que vem investindo em novas lojas e serviços para o shopper do segmento.

Daniela Bochi, gerente de marketing da Cobasi

Segundo Daniela Bochi, gerente de marketing da Cobasi, o setor apresenta algumas tendências que devem ser seguidas de perto pelo varejo. “Em termos de produtos está em alta as rações extrusadas chamadas Naturais em que não há transgênico e os grãos e a carne são mais nobres melhorando a absorção de nutrientes pelos pets. Outra tendência é o que chamamos de mix feeding, a mistura entre os alimentos secos e úmidos. A utilização de alimentos úmidos na dieta dos pets ajuda a aumentar a ingestão de líquido colaborando para evitar patologias renais”, comenta. Já em relação a serviços, ela diz que Dog Walkers, Pet Sitter, Day Care e creches estão sendo muito procurados.

Exposição acertada

  • Para maximizar resultados a exposição deve-se considerar a estratégia do varejista, o shopper, o papel e a estratégia definida para a categoria e seguir a lógica da árvore de decisão do shopper, além do tipo de animal: cães / gatos / aves / outros
  • Na sequência segmentar por snacks, alimentos secos e unidos, higiene, limpeza e acessórios
  • Em seguida por porte/idade: filhote, adulto, sênior.
  • A partir daí há indústrias que recomendam segmentos e outras industrias recomendam marca embalagens e preço
  • Mas, importante entender qual a melhor alternativa para o shopper alvo

Fonte: Fátima Merlin

 

 

 

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