Hora de aquecer o estoque

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Por Adriana Bruno

Pipoca, quentão, sopa, vinho quente, café, paçoca, amendoim, chá, fubá, canjica…. esses são somente alguns dos alimentos e bebidas que ganham destaque na gôndola dos supermercados e na cesta de compras do shopper brasileiro em períodos sazonais como a temporada de festas juninas, quermesses e com a entrada da estação outono-inverno. Claro, que muitos desses itens estão o ano todo na lista de compras, mas nessas épocas o consumo se intensifica, o que pede maior atenção dos canais de abastecimento.

Somente na Hikari Alimentos, por exemplo, as festas juninas representam um aumento de 35% nas vendas. Sérgio Borges, gerente de marketing da empresa conta que as categorias que ganham impulso extra no período são: amendoins, canela em casca, canela em pó, canjica amarela, canjica branca, canjiquinha, chá montanhês, chá quentão, cravo da índia, curau de milho, erva doce, farinha flocada de milho, farinha pré-cozida de milho, farinha de milho amarela, farofa de mandioca, fubá mimoso, milho de pipoca, mistura para bolo de fubá, paçoca rocha, e milho de pipoca para microondas.  “É importante estar atento a composição do mix de produtos voltados para esta época do ano, além dos pontos extras e temáticos que devem ser inseridos no layout da loja, e toda a ambientação voltada para as festas juninas”, orienta. 

O período também é de grande representatividade para a Santa Helena. “A empresa possui um portfólio muito aderente às comemorações juninas e também muito atrativo para o paladar em tempos mais frios; são itens que se relacionam bem com as tradições culinárias desses momentos de alegria, descontração e de sabores contagiantes. Os números da empresa falam por si: em média, as vendas de doces à base de amendoim aumentam em 25% durante as festas juninas”, conta Carlos Gorgulho, gerente de Trade Marketing da empresa. Segundo Gorgulho, os doces de amendoim são os personagens principais do período. “Além da tradicional Paçoquita, temos uma grande adesão ao Pé de moleque e aos doces tradicionais, como o Molecão e o Gibi. O crescimento acompanha a média esperada, de 25%”, diz.

O inverno é o principal período sazonal dentro do calendário de varejo para a Leão Alimentos e Bebidas. Segundo Marcelo Correa, gerente nacional de vendas da empresa, no período, o consumo de chás é bem acentuado em virtude das baixas temperaturas e grande procura do consumidor por bebidas quentes. “A Festa Junina e São João coincidem com o calendário e os nossos chás também ganham espaço na mesa do consumidor, seja pelo tradicional consumo ou também pelas bebidas típicas à base de chás”, afirma. O executivo ainda revela que a empresa irá lançar, ainda neste ano, o sabor de Gengibre e Especiarias.

Correa ainda conta que o crescimento da categoria no período é regionalizado. “Por exemplo, no Sul o volume de mate granel e mate em sachês cresce no inverno, enquanto nas demais regiões temos a mesma curva de crescimento para ervas funcionais. A categoria premium foi uma das que mais cresceram ao longo destes anos”, afirma.

Marcelo Correa, gerente nacional de vendas da Leão Alimentos e Bebidas

A procura por novos sabores e experiências de consumo tem se tornado um grande aperitivo para os novos consumidores, por meio de novas formas de consumir chás. “Assim, criamos a linha Leão Senses, que entrega uma experiência multissensorial e de uma forma inédita no mercado brasileiro, trazendo o melhor das infusões em tea bag – o chá de saquinho – aliado a um estilo de vida mais saudável e natural, e apresenta uma tecnologia inédita no Brasil, já que seu sachê transparente permite uma experiência ainda mais refinada em sabores, cores e aromas”, destaca Correa.

E se tem uma bebida que combina com tudo e especialmente com inverno é o café! O Grupo 3Corações afirma que trabalha fortemente dentro das sazonalidades verão e inverno. “Para o inverno, a categoria de café possui maior performance e as subcategorias como cappuccino, café com leite, solúvel e cafés especiais incrementam o volume de vendas, inclusive o achocolatado”, comenta Diogo Alves, coordenador de Shopper Marketing e Gerenciamento por Categoria do Grupo 3corações. “Cappuccino é o segmento em que a sazonalidade mais se acentua, se destacando frente aos demais. Vale lembrar que o consumo de cafés especiais também se acentua neste período, por conta com clima mais propicio”, reforça Alves.

Destilados não poderiam ficar de fora do mix de bebidas que se destacam tanto nas festas juninas como nos dias mais frios. As chamadas bebidas quentes também ganham destaque nas gôndolas e merecem um reforço no estoque do varejo. “Dentre os destilados que ganham destaque no período está a cachaça, a bebida mais consumida do Brasil, seja em doses ou compondo drinks variados. E a marca 51 é a líder desse mercado. Também experimentamos crescimento no consumo com a VodkaPolak e o Conhaque Domus”, revela Rodrigo Maia Carvalho, diretor de Vendas e Marketing da Companha Müller de Bebidas. De acordo com Carvalho, a venda de cachaça cresce de uma forma geral, desde a tradicional 51 até as linhas especiais, como a 51 Assinatura –com perfis como Amaro e Smoked, mais intensos, ou Licor e Jambu, mais doces. “A Reserva 51, linha premium com as versões Única, Rara, Singular e Carvalho Americano, aumenta consideravelmente o volume também em função de harmonização com alimentos como carnes, linguiças, queijos, camarão e berinjela”, afirma.

Ações que resultam em vendas
Diogo Alves, coordenador de Shopper Marketing e GC do Grupo 3corações

Apesar da demanda natural das categorias citadas, tanto o atacado distribuidor como o varejo precisam fazer a lição de casa para garantir boas vendas e principalmente a melhor experiência de compra para o consumidor. Seguir algumas orientações vindas da indústria é um bom caminho para chegar a resultados positivos. Carlos Gorgulho, da Santa Helena, destaca que o planejamento é fundamental para garantir produto em gôndola. “Mensurar a demanda com base no comportamento dos clientes em anos anteriores e adquirir o estoque adequado são fatores que ajudam os atacadistas e distribuidores a atuar com maior eficiência”, diz. Para ele, também é interessante observar o comportamento dos consumidores e avaliar o poder de compra no atual momento econômico, para, então, dimensionar se há a necessidade de incrementar a estimativa de venda em comparação ao resultado alcançado no ano passado.

A exposição dos produtos é ponto de extrema relevância para o bom desempenho nas lojas, evitando perdas e rupturas. “Uma dica é aproveitar ao máximo os materiais de divulgação e exposição nos pontos de venda, como cartazes e precificadores, que garantem um melhor giro dos produtos nas lojas. Para as festas juninas, por exemplo, temos a prática de montar as tradicionais barracas, que, s

Carlos Gorgulho, gerente de trade marketing da Santa Helena

em dúvida, geram um aumento significativo nas vendas, pois garantem mais atratividade para as lojas”, orienta Gorgulho. Ele ainda afirma que as ações conjuntas entre varejistas e empresa são positivas para todos, já que ajudam na retenção de consumidores por meio da definição do espaço de exposição, promovem maior gestão dos estoques e facilitam o cadastro dos itens novos ou sazonais, a fim de não atrasar o abastecimento e, consequentemente, não perder vendas.

Os varejistas e atacadistas precisam estar bem abastecidos com o portfólio sazonal. A antecipação dos volumes é fundamental para não perder oportunidades de negociação e sair na frente pela busca de espaço. “Com o estoque bem abastecido, aumenta-se a disponibilidade dos produtos para o varejo e consumidor, além de expor a categoria também em pontos extras nos corredores de maior fluxo dentro das lojas”, diz Correa. Ele ainda destaca que a categoria de chás deve ser exposta de acordo com as semelhanças entre as características dos produtos. “Sugiro, por exemplo, o agrupamento de chás com base de mate, ervas funcionais (ervas básicas e bastante conhecidas pelos consumidores pelo grande apelo funcional e emocional), chás verde, branco e preto, além da linha de chás premium (blends de frutas e flores), pois são muito procurados por pessoas para auxiliar nas dietas. Por meio desse reconhecimento, o consumidor consegue identificar melhor os sabores”, finaliza.

9 dicas para trabalhar a sazonalidade no ponto de venda

1. Aumentar o seu estoque (sell in)
2. Ampliar o espaço da gôndola para essas categorias
3. Implementar pontos adicionais por toda a loja
4. Utilizar os materiais de ponto de venda para melhor execução
5. Melhorar a visibilidade das categorias para o shopper
6. Disponibilizar o mix de produtos correto de acordo com a região e tamanho do ponto de venda
7. Atentar para a precificação dos produtos
8. Manter um controle assíduo contra rupturas
9. Realizar exposições extras para as categorias que são influenciadas pela sazonal.

Fontes: (de 1 a 5) – Diogo Alves, Coordenador de Shopper Marketing e Gerenciamento por categoria do Grupo 3corações; (de 6 a 9) – Marcelo Correa, gerente nacional de vendas da Leão Alimentos e Bebidas.

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