Zoom contrata ex-diretor do Facebook para lidar com crise de segurança e privacidade

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Envolta em escândalos de privacidade e segurança, o aplicativo Zoom anunciou nesta quarta-feira a contratação de Alex Stamos, ex-diretor de segurança do Facebook, para lidar com a crise. A empresa também montou um conselho consultivo para melhorar a proteção a seus usuários, que, com a pandemia de coronavírus, saltaram de 10 milhões em dezembro para 200 milhões em março.

“Um dos importantes compromissos no nosso plano é conduzir uma revisão de segurança abrangente na nossa plataforma, e especialistas terceirizados são críticos neste esforço. Para este fim, Alex Stamos se uniu ao Zoom como consultor externo”, afirmou o diretor executivo da companhia, Eric Yuan, em comunicado.

Bastante respeitado no campo da segurança cibernética, Stamos ocupa o cargo de professor adjunto no Instituto Freeman Spogli para Estudos Internacionais, da Universidade de Stanford, e de pesquisador visitante na Instituição Hoover.

Foi diretor de segurança do Facebook entre 2015 e 2018, de onde saiu após desentendimentos com a companhia sobre como lidar com os problemas de privacidade envolvendo a Cambridge Analytica e a campanha de desinformação na eleição americana de 2016.

“O Zoom viu um crescimento tremendo e surgiram novos casos de uso nas últimas poucas semanas, e nós estamos comprometidos em garantir que a segurança e a privacidade da nossa plataforma sejam dignas da confiança de todos os nossos usuários, tanto novos como antigos”, afirmou Yuan.

O primeiro escândalo envolvendo o Zoom foi de privacidade, após a revelação de que o aplicativo enviava dados para o Facebook sem informar os usuários. Uma outra análise revelou que a companhia mentia sobre a aplicação de criptografia ponta a ponta. E pesquisadores da Universidade de Toronto descobriram que chaves criptográficas eram geradas em servidores na China.

Por falhas na forma como o Zoom nomeia as reuniões virtuais e gravações, usuários começaram a relatar que suas sessões estavam sendo invadidas por não convidados, fenômeno que ganhou apelido de “Zoombombing”. Além disso, foram descobertos milhares de vídeos gravados na plataforma em sites como YouTube e Vímeo, pois os nomes dos arquivos gerados seguem o mesmo padrão.

Na quarta-feira, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor, abriu investigação contra o aplicativo. A empresa foi notificada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor para esclarecer dúvidas sobre o compartilhamento de dados de usuários com o Facebook.

A empresa tem o prazo de 10 dias para responder aos questionamento. Caso o Zoom não responda no prazo estipulado ou haja mais indícios de violação de direitos dos consumidores, o MJSP poderá instaurar processo administrativo, que eventualmente poderá resultar na imposição de multa.

Na Alemanha, o Ministério de Relações Exteriores restringiu o uso da plataforma por seus funcionários. A mesma medida já havia sido adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, e pela companhia aeroespacial americana Space X. Em Nova York, o Zoom foi proibido nas escolas públicas da cidade.

Fonte Reuters
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